sábado, 10 de junho de 2017

Profissões para o futuro


10 profissões que estão prestes a existir

Texto de Ana Carolina Leonardi, Bruno Garattoni Felipe Germano

Um estudo da Universidade de Oxford revelou: nas próximas duas décadas, os robôs poderão assumir 57% de todos os empregos. Mas nem tudo está perdido. A invasão das máquinas também abrirá espaço para novos tipos de trabalho. Veja aqui os dez mais surreais.

  
10. Psicólogo de robôs

→ Em 1956, um grupo de cientistas da Universidade Dartmouth, nos EUA, criou o conceito de inteligência artificial. Eles achavam que em dois meses conseguiriam esboçar uma máquina capaz de pensar como um humano. Nem chegaram perto. Mas, depois de várias décadas patinando, as pesquisas na área deslancharam nos últimos anos. Tudo graças ao conceito de “machine learning” (aprendizado de máquinas), que consiste em deixar os robôs aprenderem as tarefas sozinhos, por tentativa e erro. Depois de muitas tentativas – literalmente milhões ‒, eles acabaram conseguindo. A tática tem funcionado – e detonou uma revolução no campo da inteligência artificial.

Só tem um problema. Conforme os robôs vão aprendendo, e reescrevendo sozinhos o próprio software, sua lógica vai se tornando cada vez mais complexa e impenetrável – até para o próprio programador, que antes comandava os algoritmos. No futuro, teremos máquinas hiperinteligentes – e vamos precisar de alguém que seja capaz de entendê-las, refletir sobre a “motivação” delas e seus processos de tomadas de decisão. Trata-se de um especialista preparado para intervir, corrigir e redirecionar o aprendizado das máquinas – um sujeito que é tão engenheiro quanto psicólogo. Ou, como escreveu Isaac Asimov, um “robopsicólogo”. Ele nos ajudará a desenvolver (e a domar) as máquinas do futuro – e, de quebra, nos ensinará muito sobre nossa própria consciência.

9. Diretor de filmes de realidade virtual

→ A realidade virtual finalmente está se tornando uma mídia de massa. A Sony já vendeu quase 1 milhão de unidades do PlayStation VR, seu capacete de realidade virtual lançado no final do ano passado. A Lucasfilm está produzindo seu primeiro filme em RV (um episódio de Star Wars, tendo o vilão Darth Vader como protagonista). E o Festival de Cinema de Veneza criou prêmios específicos para as melhores obras nesse formato. A realidade virtual tem tudo dominar o entretenimento – e vai precisar de criadores de conteúdo. O diretor de RV é o mesmo tempo artista e engenheiro, com visão artística e domínio de novas tecnologias ‒ que usa para contar histórias de um jeito totalmente novo.

8. Consultor genético

→ Em fevereiro, o governo americano publicou um documentário histórico: afirma, pela primeira vez, que é eticamente aceitável editar o DNA de embriões humanos. No futuro, isso será inevitável – e a sociedade precisará de um novo tipo de profissional. Alguém que una habilidades do geneticista à sensibilidade de psicólogo para orientar as pessoas sobre quais alterações eles deverão, ou não, realizar nos filhos e em si próprias. É uma questão de responsabilidade social, pois as alterações que fizermos passarão para as gerações seguintes. Ou seja, desenharão o futuro da humanidade.

7. Gestor de energia limpa

→ Imagine colocar painéis solares no teto da sua casa e, além de gerar sua própria energia, poder vender o que sobrar. Isso já é realidade (até no Brasil). Por aqui, desde 2012 a lei permite que você troque seu excedente por créditos nas próximas contas. O movimento é tímido, mas tende a crescer. A Agência Nacional Elétrica estima que até 2024 teremos 1,2 milhões de consumidores produzindo – e lucrando com – sua própria luz. Apesar disso, ainda estamos um pouco atrás de outros países.

Em Nova York, algumas casas já podem vender energia entre si, sem intermediação do governo ou das companhias de eletricidade. Tudo em um sistema a prova de fraudes: o block chain, o mesmo que serve para registrar as transações do Bitcoin, a moeda virtual. Mas isso tudo dá trabalho. Você tem que se organizar e correr atrás da papelada. É aí que surge o gestor de energia limpa. Ele vai cuidar da burocracia e atuar como um consultor de investimentos, vendendo os excedentes de eletricidade para seus vizinhos e para as empresas de distribuição de energia, sempre de acordo com a melhor cotação.

6. Piloto civil de drone

→ No passado, o mercado de drones triplicou: só nos Estados Unidos foram vendidos 2,5 milhões deles. Até 2020, esse número deve triplicar de novo, e chegar a 7 milhões de drones fabricados por ano. Isso porque eles deixarão de ser apenas brinquedos (ou instrumentos militares) e invadirão outras áreas, como a agricultura (haverá drones cuidando das plantações), o comércio (será comum ver drones entregadores de encomendas) e até os esportes – as corridas profissionais de drones deverão se tornar um esporte popular. Em 2016, foi realizado o World Drone Prix, o primeiro evento internacional, e ele já começou grande: ofereceu US$ 1 milhão em prêmios aos pilotos. As corridas aconteceram em Dubai – e o grande vencedor foi o inglês Luke Bannister, de apenas 15 anos.

5. Planejador de velhice

→ As pessoas estão vivendo cada vez mais, e a ciência já desenvolve técnicas para que cheguemos aos 120 anos. Com o aumento da longevidade, seremos aposentados por bem mais tempo – logo, todo mundo vai precisar de um planejador de velhice. Será um especialista que ajuda as pessoas a formarem patrimônio durante a vida e, quando elas chegam à terceira idade, administra seu dinheiro (que tende a ser mais curto) e o seu tempo (que será abundante), programando atividades para preencher os dias da pessoa e mantê-la feliz. Esse equilíbrio, que hoje os próprios idosos tentam manter sozinhos, terá muito a melhorar com a ajuda de um gestor profissional. Afinal, a velhice não é para amadores ‒ e quando ela durar 50 ou 60 anos, menos ainda.

4. Designer de lixo

→ A humanidade produz 1,3 bilhão de toneladas de lixo por ano. Até 2025, a quantidade vai subir 70%. A única saída é reciclar cada vez mais – e esse será o trabalho do designer de lixo. Ele irá desenhar os processos produtivos desde o início para que gerem o mínimo de resíduos, e também será especialista em upcycling: encontram, e dar novos usos para as coisas que estão sendo jogadas fora (sem precisar destruí-las para extrair suas matérias-primas).

3. Nostalgista

→ Nem todo mundo vai acompanhar a velocidade das mudanças. Se a sua avó ainda engatinha nas redes sociais, imagine como será para você no futuro, quando a internet das coisas estiver por toda parte e, sei lá, começar a era dos implantes neurais, conectando o cérebro diretamente à rede. Talvez você fique perdido ou rejeite esse mundo novo. E é aí que entra o nostalgista: um profissional que recria experiências do passado. Ele pode projetar condomínios para aposentados, por exemplo. Atento aos detalhes, reconstruirá a vida do começo do século 21, com os mesmos gadgets e hábitos que hoje achamos modernos – mas que no futuro, serão coisas tão arcaicas quanto cartolas, gramofones e carruagens.

2. Fazendeiro urbano

→ Em 2040, a Terra terá 9 bilhões de pessoas (1,5 bilhão a mais do que hoje). Será preciso encontrar algum jeito de produzir mais comida – e, para não causar uma catástrofe ambiental, fazer isso sem aumentar demais as áreas dedicadas à agricultura e à pecuária (que hoje já ocupam 38,4% de toda a superfície do planeta, segundo dados da FAO).

Uma solução pode ser a agricultura vertical: em que os vegetais são cultivados em edifícios especialmente construídos para isso. A empresa sueca Plantagon quer construir uma estufa tecnológica de 12 andares, que reuniria dezenas de plantações numa área semelhante a de um prédio comum. Nos EUA, a ideia é plantar em balsas flutuantes, que ficariam em espaço desocupados nos rios. Em ambos os casos, as vantagens são as mesmas: produzir muito mais verduras usando menos espaço, e em áreas próximas (ou dentro) das cidades, onde elas serão consumidas, reduzindo drasticamente a poluição gerada pelo transporte. Tudo isso seria coordenado por fazendeiros urbanos. Eles projetariam as lavouras verticais (ou flutuantes) e supervisionariam o trabalho dos robôs responsáveis pelo plantio e pela colheita. A agricultura urbana é tão ousada que chega parecer futurista demais, mas tem altas chances de se tornar real. Por um motivo simples: se não a abraçarmos, boa parte da população não irá sobreviver.

1. Feng Shui de dados

→ Em 2020, o mundo terá produzido inacreditáveis 40 trilhões de gigabytes de dados – ou 5.200 GB para cada habitante, segundo a empresa de armazenamento EMC. É tanta coisa que cada pessoa vaia acabar precisando de um servidor inteirinho para si mesma, e um especialista para ajudar a organizar tudo. Esse profissional vai cuidar de todos os aspectos da sua vida digital, organizando o conteúdo das suas redes sociais, do celular, do computador num conjunto harmonioso e agradável: um feng shui dos dados.


(Da revista Super Interessante – maio de 2017)






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