quarta-feira, 14 de junho de 2017

Duas letras interessantes de músicas

As ciladas da vida


Suponhamos que você, na noite, conheça uma garota de programa. Jovem, linda, sensual, e que lhe conta a história da sua vida. Uma moça normal, cheia de projetos e sonhos, vinda do interior e, por alguma razão, dá um escorregão da vida, resolve se prostituir. Então, você se apaixona pela moça. Vivem momentos felizes por um certo tempo, e, depois alguns meses, você  começa a notar que a moça já não é mais a mesma. Seu olhar não tem mais aquele brilho e aquela intensidade que fez você se apaixonar por ela.

Depois de algum tempo, pela liberdade que você deu a essa mulher, ela conhece alguém. Ela volta a sorrir, seu olhar volta a brilhar e ela o abandona.

Mas você sabe que pelo seu temperamento inconstante ela também vai abandonar esse novo amor. Se ela, pelo menos, tiver uma conduta correta, longe de “programas”, será a sua única felicidade, como narra o compositor Marquinhos Satã na letra da música abaixo, que pode ser ouvida na internet na voz do próprio compositor.

Cilada

Marquinhos Satã

Eh! Mulher,
Me comovi com sua história,
Após se perder na vida,
Tão decidida, querendo se encontrar,
Sem ninguém pra acreditar.

Eh! Mulher,
No início foi meu lado humano,
Fui aos poucos me entregando,
Me apaixonando,
Então foi pra valer
Que eu te fiz meu bem querer.

Mas... de repente eu vi,
Que só palavras, sentimentos,
Não te faziam mais feliz.
Seu sorriso se escondeu,
Seu olhar entristeceu.
Eu me enganei,
Foi onde errei.

Eis que aconteceu...
Alguém que teve alguma sorte,
A mais na vida do que eu.
Seu sorriso, então, voltou,
Seu olhar, então, brilhou,
Sem hesitar...
Me abandonou.

Quem te viu na madrugada perdida,
Dando origem a uma virada em sua vida,
Pra você o amor é nada,
Foi tão fingida... Oportunista...

Se algum dia eu te encontrar por aí,
Não sei bem se vou chorar,
Se vou sorrir,
Mas, ao ver que se mantém
Longe dos “programas”,
Ficarei feliz.

Sargento*

(Uma história que aconteceu há muito tempo,
hoje em dia não tem mais isso...)


(Bada/Pietro Ribeiro/Willians Defensor)

O sargento pediu documento
A um elemento sujo de cimento.
Ele disse:
‒ Doutor, eu trabalho faz tempo,
Mas minha carteira tá cheia de vento.
‒ Que papel estranho é esse?
‒ Alistamento.
‒ Tá vindo de onde, tá indo pra onde?
‒ Do Juramento pro meu aposento.
E o pó que eu carrego no bolso
É talco pro meu cão sarnento.
E o mato é um presente bento,
Erva fina pro meu suprimento,
Raiz forte, isso que é sorte,
Acaba qualquer sofrimento,
Mas não vem com esse papo de arrego,**
Que vai onerar meu orçamento.

Eu trabalho há mais de dez anos
E eu nunca tive um aumento...
Mas não vem com esse papo de arrego
Que vai onerar meu orçamento.

Hoje o bom policial tem bom comportamento...

(Falando, irônico, no final música:)

Não há corrupto nem corrompido,
Está tudo em paz no Rio de Janeiro...

*Música cantada por Arlindo Cruz no CD “Arlindo Cruz Batuques e Romances”

**arrego, propina que algumas “autoridades” pedem a um elemento suspeito para aliviar a sua barra numa abordagem policial por qualquer motivo.


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