quinta-feira, 27 de julho de 2017

De onde vem a expressão ‘pé-rapado’?



→ Luís da Câmara Cascudo, que em seu livro “Locuções tradicionais no Brasil” registra pé-rapado como sinônimo de “descalço, de pés nus, pé no chão” – e, portanto, por metonímia, uma designação dada à “mais humilde categoria social”. Pé-rapado era o pobretão, sobretudo da zona rural, que andava descalço e por isso era obrigado a raspar (ou rapar) os pés para lhes tirar a lama.

→ Não se sabe exatamente quando surgiu a expressão, mas lembra Câmara Cascudo que ela já aparece na segunda metade do século XVII nos versos que Gregório de Matos dedicou a uma mulata baiana que lhe havia pedido um cruzado para consertar os sapatos:

Se tens o cruzado, Anica,
Manda tirar os sapatos,
E senão lembra-te o tempo
Que andaste de pé rapado.

→ O pesquisador lembra ainda que o pé-rapado ganhou destaque na chamada Guerra dos Mascates, no início do século XVIII, em Pernambuco:

→ Na guerra dos Mascates do Recife contra o Partido da Nobreza de Olinda, 1710, davam os primeiros, portugueses, o apelido depreciativo de ‘Pés-rapados’ às tropas adversárias da aristocracia rural, por combaterem sem sapatos, ao contrário da cavalaria, arma nobre de gente de botas.

→ Antenor Nascentes registra também a forma “pé-rachado”, de idêntico significado.

Sérgio Rodrigues, em Veja.Com

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– Fulano não têm carro, moto e nem uma roupa legal. É um pé-rapado mesmo!


Um objeto, na entrada de uma igreja, para raspar (ou rapar) os pés.

A morte de Bento Gonçalves



Bento Gonçalves, entretanto, estava doente. Não esteve presente aos solenes atos, onde seus inimigos figuravam continuando a caluniá-lo. Pobre, sem dinheiro algum, apenas com as terras que conservara em Camaquã, para lá voltou, contemplando a casa abandonada e os campos despovoados. Com empréstimos de amigos recomeçou a vida. Mas pouco duraria. Gravemente enfermo foi a Pedras Brancas (hoje município de Guaíba) em busca de seu velho amigo e companheiro José Gomes de Vasconcellos Jardim, que ali, além de médico-prático de grande fama e renome, possuía um hospital. Mas, nem sequer chegou a ser tratado devidamente, pois a pleurisia que se manifestara violenta, levou-o em seguida. Era o dia 18 de julho de 1847.

Seu corpo foi trasladado para Camaquã, em cujo cemitério ficou até o ano de 1909, quando o então Intendente do Rio Grande, Dr. Juvenal Miller, mandando erguer um monumento de granito e bronze, solicitou aos herdeiros autorização para transladar para o alicerce daquele monumento notável os restos mortais do glorioso gaúcho General Bento Gonçalves da Silva. E ali repousam, desde então, as cinzas do imortal farroupilha.


Joaquim Gonçalves da Silva, filho de Bento Gonçalves, segurando os despojos do seu pai. Joaquim Gonçalves faleceu em Rio Grande, no dia 25 de outubro de 1909, na estância em que residia aos 95 aos de idade, no mesmo ano do traslado dos restos mortais do seu glorioso pai.


 → O monumento a Bento Gonçalves, na Praça Almirante Tamandaré, em Rio Grande, não é apenas uma estátua fundida em bronze em homenagem ao maior líder da guerra dos Farrapos, esculpida pelo português Teixeira Lopes. Em sua base de pedra, guarnecido por dois leões de bronze, está o túmulo de Bento.

→ Inaugurado em 20 de setembro de 1909, o monumento foi construído por iniciativa dos positivistas gaúchos, que após a proclamação da República, em 1889, precisavam de heróis para exaltar os valores republicanos. Maçom, Bento Gonçalves da Silva encarnava como nenhum outro gaúcho os ideais do novo regime. Seu túmulo não poderia continuar anônimo, num lugar ermo, distante de qualquer cidade importante do Estado.

→ Enterrado em Pedras Brancas, distrito de Guaíba, onde faleceu em 1847, seu corpo foi exumado em 1850 e levado para a estância Cristal, de propriedade da família, no interior de Camaquã, atualmente município de Cristal.

→ Em 1891, o governo da Província publicou um decreto propondo a doação dos restos mortais do general ao município que erguesse um monumento-túmulo à altura de sua importância histórica. Os jornais da época publicavam editoriais louvando os feitos do intitulado “Napoleão dos Pampas”. Por todo o Estado as comunidades foram convocadas a participar do concurso.

→ O projeto dos riograndinos, liderados por Alfredo Ferreira Rodrigues, foi o vencedor. A intendência de Rio Grande doou três contos de réis para construir a obra. Outros dois contos de réis foram recolhidos em Porto Alegre, Garibaldi, Uruguaiana, Santa Vitória do Palmar, Santa Maria, Cruz Alta, Vacaria, Santo Amaro, São Francisco de Assis, Dom Pedrito, Quaraí, Júlio de Castilhos, Vacaria, Taquara, Santa Cruz, São Borja, Torres, São Sebastião do Caí, Soledade, Bagé e Rosário do Sul.

→ Por ironia, Rio Grande, a mais antiga cidade gaúcha, que abriga o túmulo do herói farroupilha, não aderiu à causa dos rebeldes durante os dez anos (1835 a 1845) que durou o movimento separatista contra o Império.


Retrato de Bento Gonçalves da Silva exposto no Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Lei Afonso Arinos


Lei que começou a punir o racismo no Brasil.

LEI Nº 1.390, DE 3 DE JULHO DE 1951

Inclui entre as contravenções penais a prática de atos resultantes de preconceitos de raça ou de côr.*

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Constitui contravenção penal, punida nos têrmos desta Lei, a recusa, por parte de estabelecimento comercial ou de ensino de qualquer natureza, de hospedar, servir, atender ou receber cliente, comprador ou aluno, por preconceito de raça ou de côr.

Parágrafo único. Será considerado agente da contravenção o diretor, gerente ou responsável pelo estabelecimento.

Art. 2º Recusar alguém hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou estabelecimento da mesma finalidade, por preconceito de raça ou de côr.

Pena: prisão simples de três meses a um ano e multa de Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros).

Art. 3º Recusar a venda de mercadorias e em lojas de qualquer gênero, ou atender clientes em restaurantes, bares, confeitarias e locais semelhantes, abertos ao público, onde se sirvam alimentos, bebidas, refrigerantes e guloseimas, por preconceito de raça ou de côr.

Pena: prisão simples de quinze dias e três meses ou multa de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros).

Art. 4º Recusar entrada em estabelecimento público, de diversões ou esporte, bem como em salões de barbearias ou cabeleireiros por preconceito de raça ou de côr. Pena: prisão simples de quinze dias três meses ou multa de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros).

Art. 5º Recusar inscrição de aluno em estabelecimentos de ensino de qualquer curso ou grau, por preconceito de raça ou de côr.

Pena: prisão simples de três meses a um ano ou multa de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros).

Parágrafo único. Se se tratar de estabelecimento oficial de ensino, a pena será a perda do cargo para o agente, desde que apurada em inquérito regular.

Art. 6º Obstar o acesso de alguém a qualquer cargo do funcionalismo público ou ao serviço em qualquer ramo das fôrças armadas, por preconceito de raça ou de côr.

Pena: perda do cargo, depois de apurada a responsabilidade em inquérito regular, para o funcionário dirigente de repartição de que dependa a inscrição no concurso de habilitação dos candidatos.

Art. 7º Negar emprêgo ou trabalho a alguém em autarquia, sociedade de economia mista, emprêsa concessionária de serviço público ou emprêsa privada, por preconceito de raça ou de côr.

Pena: prisão simples de três meses a um ano e multa de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros), no caso de emprêsa privada; perda do cargo para o responsável pela recusa, no caso de autarquia, sociedade de economia mista e emprêsa concessionária de serviço público.

Art. 8º Nos casos de reincidência, havidos em estabelecimentos particulares, poderá o juiz determinar a pena adicional de suspensão do funcionamento por prazo não superior a três meses.

Art. 9º Esta Lei entrará em vigor quinze dias após a sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 3 de julho de 1951; 130º da Independência e 63º da República.

GETÚLIO VARGAS

Francisco Negrão de Lima

Este texto não substitui o original publicado no Diário Oficial da União - Seção 1 de 10/07/1951

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Publicação:

Diário Oficial da União - Seção 1 - 10/7/1951, Página 10217 (Publicação Original)
Coleção de Leis do Brasil - 1951, Página 11 Vol. 5 (Publicação Original)

*Foi mantida a ortografia da época, em: têrmos, côr, fôrças, emprêgo, emprêsa, palavras que, hoje, não possuem mais acento gráfico.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

O despertar do burocrata



O burocrata acorda e abre a boca, segundo ordena a RIPDRegras Imediatas Para o Despertar. Confere os botões do pijama, vê que está faltando um, anota a quantia deles numa folha ao lado, data, assina e carimba.

Tranca-se no banheiro, até que lá fora se forma uma fila imensa (mulher, empregada e cinco filhos) que começa a agitar. O burocrata dá um sorriso (ele só consegue sorrir diante de filas insatisfeitas). A mulher grita: “escova os dentes”. E ele escova. “Toma banho”. E ele toma. O burocrata adora cumprir ordens. Confere o número de furos do chuveiro, anota, data, assina e carimba.

Senta-se à mesa da copa, também chamada de RDPDRepartição Doméstica do Pão Diário, lê seu jornal favorito – o Diário Oficial da União. Encaminha um ofício à empregada solicitando um pedaço de pão com manteiga. A manteiga vem estragada e imediatamente é instaurado um inquérito administrativo. Em seguida ele palita os dentes e com o palito confere o número de molares, pré-molares e caninos. Anota, data, assina e carimba.

Deixa com a esposa o dinheiro, também chamado de previsão orçamentária – do dia: dez reais. O burocrata é notoriamente um pão-duro.

A mulher quer beijá-lo, mas ele olha o relógio – oito horas – sente muito, o expediente está encerrado, agora só amanhã, pois agora tem que ir para a repartição e aguentar aquela monotonia o dia inteiro.

(Do Almanaque do Humordaz. Procópio)

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A história do Humordaz começou no jornal Estado de Minas, mais precisamente em uma pequena coluna assinada pelo Procópio, que aos poucos foi crescendo, quando então a convite vieram os cartunistas Lor e Nilson, além do Dirceu, que se intitulava como frasista.

Tomando cada vez mais espaço na página graças à crescente aceitação dos leitores, o time de colaboradores aumentou com a presença de Afo, Benjamin e Mário Vale, e o resultado foi uma página inteira com o melhor do humor produzido em Minas Gerais, publicada todos os sábados no segundo caderno, batizada como Humordaz.



Beijinho, beijinho


Luis Fernando Veríssimo



Na festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido. Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17, sabiam por quê? Porque a Clarinha era duas de 17. Tinha a vivacidade, o frescor e, deduzia-se, o fervor sexual somado de duas adolescentes.
No carro, depois da festa, o Marinho comentou:
‒ Bonito, o discurso do Amaro.
‒ Não dou dois meses para eles se separarem ‒ disse a Nair.
‒ O quê?
‒ Marido, quando começa a elogiar muito a mulher…
Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.
‒ Mas eles parecem cada vez mais apaixonados ‒ protestou Marinho.
‒ Exatamente. Apaixonados demais. Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?
‒ É mesmo…
‒ Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas? Como namorados? Ali tinha coisa.
‒ É mesmo…
‒ E não deu outra. Divórcio e litigioso.
‒ Você tem razão.
‒ E o Mário com a coitada da Marli? De uma hora para outra? Beijinho, beijinho, “mulher formidável” e descobriram que ele estava de caso com a gerente da loja dela.
‒ Você acha, então, que o Amaro tem outra?
‒ Ou outras.
Nem duas de 17 estavam fora de cogitação.
‒ Acho que você tem razão, Nair. Nenhum homem faz uma declaração daquelas assim, sem outros motivos.
‒ Eu sei que tenho razão.
‒ Você tem sempre razão, Nair.
‒ Sempre, não sei.
‒ Sempre. Você é inteligente, sensata, perspicaz e invariavelmente acerta na mosca. Você é uma mulher formidável, Nair. Durante algum tempo, só se ouviu, dentro do carro, o chiado dos pneus no asfalto. Aí Nair perguntou:
‒ Quem é ela, Marinho?

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sábado, 22 de julho de 2017

Duas Histórias da Vida Real

Lógica impecável


Wendel Phillips

Wendel Phillips, famosos líder abolicionista americano, viajou certa vez de trem por Ohio e encontrou-se no carro com um grupo de ministros da Igreja Protestante em regresso de uma convenção. Um ministro do Sul, obviamente hostil a Phillips por causa das ideias abolicionistas deste, começou a conversa:

- O senhor é Wendel Phillips, não é?

- Sou, sim, senhor.

- O senhor é o homem que pretende libertar os negros?

- Sim senhor.

- Então, por que prega por aqui em vez de ir para Kentucky, onde estão os negros?

Phillips silenciou por um momento. Depois disse:

- O senhor é ministro, não é?

- Sim, sim, senhor.

- E o senhor pretende salvar as almas do fogo do inferno, não é?

- Pretendo, sim, senhor.

- Então – prosseguiu Phillips com sua lógica impecável – Por que o senhor não vai para o inferno?


Viver de Letras
  

  Alexandre Dumas

Alexandre Dumas, nome ignorado até então, chegou a Paris e apresentou-se ao general Fay a quem fora recomendado. O velho militar indagou:

- Que sabe o meu amigo? Estudou Matemática?

- Não, general.

- Mas tem, talvez, algumas noções de Geometria, de Física?

- Desconheço inteiramente tais matérias.

- E alguns rudimentos de Direito?

- Também não, general.

- E Latim ou Grego?

- Muito menos.

- Tem, acaso, prática de escritório comercial?

- Nenhuma.

  Disse-lhe, então o general, compadecido já de tanta ignorância:

- Dê-me o seu endereço. Pensarei, oportunamente, num meio de ajudá-lo. Por enquanto não vejo nenhuma possibilidade a seu favor, tamanho é o desconhecimento que revela sobre todos os assuntos essenciais ao desempenho de uma profissão qualificada.

 Num recorte de papel estendido pelo general, Alexandre Dumas escreveu o seu endereço:

- Estamos salvos! – exclamou o general. Tem, pelo menos, uma linda letra. Vamos aproveitá-lo como copista de textos na Biblioteca Nacional.

Após iniciar o trabalho, Dumas foi agradecer ao general o emprego que lhe destinara. E disse-lhe:

- Vou viver da minha “letra”, general; mas asseguro-lhe que, um dia, hei de viver das letras...




Histórias Zen Budista para meditar



Um samurai Nobushige encontrou o mestre Hakuin numa estrada.

- Mestre, existem realmente um paraíso e um inferno?

- Quem és tu? – perguntou Hakuin.

- Um samurai, respondeu o outro.

- Tu, um guerreiro? – exclamou Hakuin. – Não me faças rir, tu pareces um mendigo.

Isso foi como uma ofensa para o samurai, que desembainhou a espada.

 E Hakuin continuou a provocação:

- Ah, e ainda tens uma espada! Será que ela é suficiente para cortar a minha cabeça? – perguntou.

Cego de fúria, o samurai levantou a espada, pronto para decepar Hakuin.

O mestre, muito calmo, levantou um dedo.

- Aqui se abrem as portas do Inferno. – disse Hakuin.

Diante dessas palavras, o samurai se deteve e, compreendendo o ensinamento do mestre, guardou sua espada e fez uma reverência.

- Aqui se abrem as portas do paraíso. – concluiu o mestre.

 Sabedoria chinesa
  
Se teus planos são pra um ano, semeia o grão.
Se forem pra dez anos, planta uma árvore.
Se forem para cem anos, instrui o povo.

Semeando uma vez o grão, colherás uma vez.
Plantando uma árvore, colherás dez vezes.
Instruindo o povo, colherás cem vezes.
  
(Atribuído ao poeta chinês, Kuan-Tzu, 7° século antes de Cristo)

 A velha China nos ensina que...

“Se você tem uma maçã e eu tenho outra, e se as trocarmos entre nós, ficaremos cada um com... uma maçã”.

“Se você tem uma ideia e eu tenho outra, e se as trocarmos entre nós, ficaremos cada um com... duas ideias”.

Troquemos, pois, de ideias com nossos amigos, vizinhos e aumentaremos nossos conhecimentos.


Impulso para viver



Lutamos contra o silêncio do corpo. Ainda que haja dor, demora, descaso. Somos feitos de células, céus, terras, tecidos, versos, veias. A vida é maior que tudo e, diante do susto de perdê-la, ninguém volta a ser o mesmo. Respiração profunda. Batimentos, sentidos, temperatura. Pulso, impulso, oxigênio. Esterilidade das paredes brancas e do avental azul suave contrasta com o cítrico desejo de resistir. Rodeados por aparelhos, bolsas de soro, distantes de casa, os olhos encharcam, denunciam que nem tudo é palpável, matéria, rigidez.

Há palavras soltas, pensamentos sem nome. Lá fora, as filas crescem. Guardar alguns sonhos. Aguardar. Guerra travada contra os invasores dos órgãos e outros desequilíbrios. Para os médicos, somos pacientes. Para o sistema, temos que ter paciência. E, de nós, o que queremos é paz. Não a paz calada. A paz que canta e dança, que insiste em proferir a entonação de dentro do peito.


Alina Souza, no Correio do Povo




sexta-feira, 21 de julho de 2017

Meus secretos amigos

17 de março de 2011

Eis uma de minhas melhores colunas já publicadas:

   
Quando eu morrer, quero à beira da sepultura todos os meus amigos e alguns dos meus inimigos arrependidos. Depois dos risos e lágrimas, voltem para casa e nunca mais se esqueçam de mim”.

 Paulo Sant´Ana

(15.06.1939 ‒ 19.07.2017)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos! Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles… Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Essa mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles!

Eles não iriam acreditar! Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação dos meus amigos, mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não o declare e não os procure.

Às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles e me envergonho porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamento sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer… Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos e, principalmente, os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus verdadeiros amigos!!!

A gente não faz amigos, reconhece-os!

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Paulo Sant´Ana – um polêmico jornalista gaúcho


Formado em direito, foi inspetor e delegado da Polícia Civil, entre 1973 e 1988, o que lhe proporcionou o seu primeiro contato com a imprensa. Sendo um torcedor gremista fanático, ganhou fama como personagem da torcida presente no Estádio Olímpico. Assim nasceu a sua primeira atividade como comunicador desportivo, pois foi convidado a participar do programa Conversa de Arquibancada, da TV Piratini, retransmissora da TV Tupi no Rio Grande do Sul. A seguir, entrou no programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, no começo da década de 1970. Em 1971, começou a escrever uma coluna esportiva no jornal Zero Hora, na qual permaneceu até 2014. Em 1972, passou a integrar os quadros da Rádio Gaúcha e depois iniciou a sua carreira como colunista do programa da RBS Jornal do Almoço, do qual era um dos membros mais antigos e o único dos pioneiros ainda em atividade. Escreveu apenas sobre futebol até 1989, quando ocupou a vaga deixada por Carlos Nobre como colunista de assuntos gerais na Zero Hora. Sant'Ana foi colunista diário do jornal entre 1971 e 2014. A partir de dezembro de 2014, passou a escrever uma coluna semanal, aos domingos.

Ele também foi vereador do município de Porto Alegre por três legislaturas: as duas primeiras (1973/1977 e 1978/1983) pela ARENA, partido de sustentação da Ditadura Militar; e a última (1984/1988) pelo PMDB. Em 2002, recebeu o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre, proposto pelo seu ex-colega de partido, João Antônio Dib. Sant'Ana foi homenageado pela escola de samba Acadêmicos da Orgia, em 1993, com o enredo: O Menestrel da Cultura Popular, Francisco Paulo Sant'Ana. Costumava comentar ao vivo em transmissões de jogos importantes do Grêmio, como nas finais da Copa Libertadores da América de 1995 e 2007, na Rádio Gaúcha. O cronista considerava-se viciado em cigarro e foi diagnosticado com um câncer de rinofaringe. No dia 10 de novembro de 2014, foi afastado do programa de rádio Sala de Redação, após discutir no ar com outro integrante do programa, Kenny Braga. 

Paulo Sant'Ana morreu em 19 de julho de 2017, aos 78 anos de idade. Ele estava internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A causa da morte anunciada foi parada cardíaca. Jayme Sirotsky, presidente emérito do Grupo RBS, relatou assim a morte do jornalista: “Nos 60 anos da RBS, muitos companheiros passaram por aqui, cada um deles oferecendo sua contribuição para a empresa e, especialmente, para o público. Entre todos, Paulo Sant´Ana se destaca fortemente. Quem não teve, nos últimos 45 anos, momentos de admiração, antagonismo e de discordância com essa figura incomum que ele foi? Sant´Ana escreveu sua história profissional dentro da RBS, conquistando um público que lhe foi cativo durante toda a sua jornada. Deixa inúmeras lições de competência e muita saudade”. 


Paulo Sant´Ana por Edu

O lamento do coração

Paulo Sant´Ana

Não pode mais o coração viver assim desesperado.
Não pode mais o coração restar assim dilacerado.
Não deve mais o coração pulsar assim descompassado.
Nem deve mais o coração gritar depois abandonado.
Não pode mais a ilusão cair de novo ludibriada.
Nem pode mais a ilusão se ver mais uma vez desanimada.
Não suporta mais a tentação, de ser feliz, ser outra vez desperdiçada.
Nem deve mais a tentação, essa aprendiz, tocar na dor despedaçada.

Deixem-se estar quieta e calmo a alma e o coração, que de sofrer já estão sobrados.
E nem se agitem mais a alma e o coração com o aceno de míseros trocados.
Respeitem enfim a alma e o coração, que de ir morrendo aos poucos já estão quase inanimados.
Que ninguém se atreva a acenar com a alegria, que esta melancolia perpétua não permite mais que ela viceje.
E não me venham mais com a lorota da ventura, que se algum fiapo de saúde ainda me resta é absolutamente certo que me vem desta tristeza.

É completamente indispensável que passem todos ao largo desta minha desolação, se possível só com alguma reverência, brotada na compaixão, respeitando este período longo e arrastado do meu fim.
Que pelo menos permitam que uma paz aliviada ronde de longe este crepúsculo estremunhado.
Não pode mais o coração, não deve mais o coração deixar-se atrair pelas vãs promessas de que vão emergi-lo desta brutal, mas até que assim, finalmente, bem-vindas solidão.

Não pode mais a solidão ser outra vez transfigurada.
A solidão é a única parceira fiel e autenticada.
Não pode mais o coração ceder a outra empreitada.
Não soe mais o cantochão das ofertas malogradas.
Nada mais há que anime a alma e o coração.
Cumpre apenas que repousem na exígua paz final que quem sabe pode ainda sobrevir a todas as ânsias malbaratadas.

Deixem agora a alma e o coração velarem-se na luz quebradiça do desânimo, último direito dos intentos fracassados.
Não pode mais o coração correr atrás do séqüito de esperanças infundadas.
O que só agora pode o coração é lamentar os inúteis sonhos desvairados.

(Publicada em 25 de abril de 2010)


Paulo Sant´Ana por Gabriel Renner

E depois que meu corpo fosse coberto de terra, não seria demais pedir que algum amigo recitasse Augustos do Anjos:

"E saí para ver a Natureza,
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma árvores no estrelado véu,
Mas apareceu-me entre as estrela flóreas,
Como Elias num carro azul de glórias,
Ver a alma de Pablo* subindo aos céus".

*Pablo como Paulo Sant´Ana se autodenominava.


O ciúme

Guilherme de Almeida
  

(Um dos poemas prediletos de Paulo Sant´Ana)

Minha melhor lembrança é esse instante no qual
pela primeira vez me entrou pela retina
tua silhueta provocante e fina
como um punhal.
Depois passaste a ser unicamente aquela
que a gente se habitua a achar apenas bela
e que é quase banal.

E agora, que te tenho em minhas mãos, e sei
que os teus nervos se enfeixam todos em meus dedos,
e os teus sentidos são cinco brinquedos,
com que brinquei;
agora que não mais me és inédita; agora
Que compreendo que, tal como te vira outrora,
nunca mais te verei;

agora que, de ti, por muito que me dês,
já não me podes dar a impressão que me deste,
a primeira impressão que me fizeste
– louco talvez,
tenho ciúme de quem não te conhece ainda
e, cedo ou tarde, te verá, pálida e linda,
pela primeira vez!


terça-feira, 18 de julho de 2017

13 Desafios



1° desafio:

Quatro fregueses estavam em uma loja de materiais de construção. Cada um se mudou para uma nova casa em um bonito condomínio constituído de nove belas unidades que dão para um lago. Esses quatro clientes foram à loja para comprar algo que o construtor esqueceu de incluir em cada uma das casas. Um custaria apenas R$ 1,00. E pagariam R$ 1,00 também por oito, já o custo de dezesseis seria R$ 2,00. Se eles precisassem de 150, o custo seria de R$ 3,00. Mesmo que pedissem 300, continuaria pagando R$ 3,00.

Se isso parece confuso, acredite, não é! Por um total de R$ 4,00, cada um levou o que queria. O que eles foram comprar?

2° desafio:

O administrador de um parque no Quênia, na África, decidiu contar quantos leões e quantas avestruzes havia em uma parte do parque. Por algum motivo, fez isso contando o número de patas e de cabeças desses animais. E chegou ao seguinte resultado: 35 cabeças e 78 patas.

Quantos leões e quantas avestruzes havia no parque?

3° desafio:

Esta é a história de um sapo que caiu dentro de um poço de 10 metros de profundidade. O poço era fundo demais para que o sapo desse um impulso para sair dele. Todo dia, ele escalava 3 metros das paredes escorregadias do poço, mas, durante a noite, enquanto descansava, escorregava 2 metros.

Nesse ritmo, de quantos dias o sapo precisaria para sair do poço?

4° desafio:

Três maridos ciumentos estavam viajando com suas esposas e tiveram de atravessar um riacho em um barco que só comportava duas pessoas. Os maridos se recusavam a deixar as esposas atravessarem o rio com qualquer um dos dois homens, e nenhum deles queria deixar a esposa com um dos outros no outro lado do riacho.

Como eles planejaram a passagem? Lembre-se de que como o barco comportava apenas duas pessoas, uma delas teria de voltar com o barco para buscar as demais.

5° desafio:

Então, Alfredo. Preste atenção! Vou repetir mais uma vez: “Quando estava indo a Tramandaí, encontrei um homem com cinco esposas. Cada esposa tinha sete sacos. Cada saco sete gatos. Cada gato sete gatinhos. Gatinhos, gatos, sacos esposas: Quantos estavam indo a Tramandaí?”

Não vai ser difícil responder se você pensar um pouco.

6° desafio:

O senhor Garcia entrou correndo na delegacia, gritando que sua carteira tinha sido roubada.
- Espere um pouco, senhor – disse o delegado Anderson. - Alguém acaba de devolver uma carteira. Talvez seja a sua. O senhor pode informar seu conteúdo?
- Bem – Disse o senhor Garcia -, há nela uma foto de minha esposa e meu cartão de crédito. E mais: eu tinha R$ 63,00 em seis notas e nenhuma delas era de R$ 1,00.
- Isso encerra o assunto. Aqui está a sua carteira.

Que notas ele tinha na carteira que somavam exatamente R$ 63,00?

7° desafio:

Há mais de duas décadas, numa noite sufocante de janeiro, em Porto Alegre, chovia torrencialmente. Seria possível que 96 horas depois fizesse sol?

8° desafio:

Um dia, Calvin, o colecionador, que trabalhava com antiguidades, comprou uma pequena estátua romana. Por essa obra de arte, ele pagou 90% de seu valor. No dia seguinte, um outro colecionador viu a estátua e quis comprá-la por 125% de seu valor. Calvin, mais do que depressa, aceitou a oferta e ganhou R$ 105,00 a mais do que havia pago.

Com esses dados, você consegue determinar o valor desse curioso objeto?

9° desafio:

A pequena Adriana ficou muito chateada. Ela ganhou da mãe uma caixa com biscoitos fresquinhos, feitos em casa. Quando estava abrindo a caixa, chegaram quatro amigas que pediram que repartisse os biscoitos com elas, já que muitas vezes repartiam com ela os seus biscoitos. Relutante, a garota contou quantos biscoitos tinha e deu metade deles mais meio biscoito para Lorena. Para Marta, deu metade do que sobrou e meio biscoito. Então, contou metade dos biscoitos restantes e deu essa quantidade mais meio biscoito para Laura. Para a última garota, Margarete, ela deu metade do que havia sobrado na caixa e meio biscoito. Isso deixou Adriana com a caixa vazia e a cara emburrada.

Você consegue calcular quantos biscoitos havia na caixa? Em nenhum momento, Adriana partiu qualquer biscoito ao meio.

10° desafio:

Billy, o velho marinheiro, foi um dia a Nantucket com $ 10, 00 e voltou à noite com $ 150,00. Ele comprou uma gravata nova na loja de departamentos e alpiste na loja de animais. Depois, foi ao barbeiro para cortar o cabelo.

Billy trabalhava no Museu da Pesca da Baleia e recebia seu pagamento toda quinta-feira com cheque. Naquela época do ano, o banco só abria às terças, às sextas e aos sábados. O barbeiro sempre fechava aos sábados e a loja de animais não abria às quintas nem às sextas.

A partir dos dados acima, em que dia da semana Billy foi à cidade?

11° desafio:

- Jéferson, tenho um pequeno desafio para você. Aposto R$ 1.000,00 a cinco para um, que eu adivinho qual é a data mais próxima da data real de qualquer moeda que você tirar do bolso. Mas vou ter duas chances e você uma. Em contrapartida, você começa. O que acha?
- Bem, Bob, isso me parece justo, mas vamos fazer uma aposta dois para um.

Mesmo a dois para um, esta aposta é moleza para Bob. Como ele pode estar tão certo de que vai ganhar as apostas quase todas as vezes?

12° desafio:

A última aquisição do museu natural foi de um lagarto. Colocaram-no em um viveiro circular na sala dos répteis. O lagarto foi logo explorando seus novos domínios. Começando pela porta, ele andou 60 cm para o norte e correu até a borda. Então, se voltou para o leste e correu em linha reta 80 cm, até trombar na borda do recinto fechado.

Usando esses dados, você saberia dizer qual é o diâmetro do viveiro?

13° desafio:

- Bem, Dafne, consegui vender a charanga. Primeiro, pedi R$ 1.100,00. Como não havia interessado, baixei para R$ 880,00. Ainda assim, ninguém quis saber. Então, reduzi o preço para R$ 704,00. Por fim, num ato de desespero, baixei o preço de novo e aí vendi.

Qual foi o preço final do carro?

Respostas:
  
Þ 1° desafio: O que faltou foi o número das casas. Na loja, esses números são vendidos a R$ 1,00 cada. Como o condomínio é composto de apenas nove unidades, nenhum condomínio precisará de mais que um número. Por isso, quatro compradores comprando quatro números pagarão um total de R$ 4,00.
  
Þ 2° desafio: Há quatro leões e 31 avestruzes. Veja como o responsável pelo parque chegou a esse total: como ele contou 35 cabeças, deve haver no mínimo 70 patas. No entanto, ele contou um total de 78 patas, ou oito patas a mais que o mínimo, que devem pertencer aos leões. Dividindo essas oito patas por dois, teremos o número dos animais com quatro patas. Por isso, o total de leões na reserva é quatro.
  
Þ 3° desafio: Parece que nosso sapo sobe um metro por dia. Ao final de sete dias, terá escalado 7 metros. No oitavo dia, ele escala o restante, o que faz com que chegue à borda do poço, de onde pula para fora, cansado, mas feliz. A resposta é, portanto, oito dias.
  
Þ 4° desafio: Vamos denominar os maridos de A, B e C e suas esposas de a, b, c.

     A travessia é feita assim:

(1) a e b atravessam, e b traz o barco de volta.
(2)  b e c atravessam, e c volta sozinha.
(3) c desce e fica com o marido, enquanto A e B atravessam. A desce, e B e b voltam para o outro lado.
(4) B e C atravessam, deixando b e c no ponto de partida.
(5)  a traz de volta o barco, e b atravessa com ela.
(6) a desce, e b volta para pegar c.
(7)  b e c atravessam, e todos estão reunidos. Final feliz!

Þ 5° desafio: Só uma pessoa estava indo a Tramandaí. Lembre-se de que o homem começou dizendo: “Quando estava indo a Tramandaí, encontrei...”. Como ele encontrou essas pessoas, elas deveriam estar vindo de Tramandaí, e não indo para lá. Se estivesse mesmo indo para lá, o homem teria passado por elas, ou as ultrapassando, mas ele certamente não se encontraria com elas.
  
Þ 6° desafio: O senhor Garcia tinha uma nota de R$ 50,00, uma de R$ 5,00 e quatro de R$ 2,00.

Þ 7° desafio: Não, porque 96 horas depois, corresponderia a exatamente 4 dias e seria noite.

Þ 8° desafio: A diferença entre 90% do valor da estátua e 125% do valor é 35%. Como 35% valem R$ 105, 1% valerá R$ 3,00. Por isso, a estátua original vale R$ 300,00.

Þ 9° desafio: Pobre Adriana, começou com 15 biscoitos. Lorena recebeu 7½ + ½, ou 8 biscoitos. Sobraram 7. Marta recebeu 3½ + ½, ou 4 biscoitos. Sobraram três. Laura recebeu 1½ + ½, ou 2 biscoitos. Sobrou 1. Por fim, margarete recebeu ½ + ½, ou 1 biscoito, deixando Adriana com nada. Bem, sempre há uma esperança de ganhar outra caixa de biscoito.

Þ 10° desafio: Billy foi ao porto na terça-feira. Em primeiro lugar, como a loja de animais não abre na quinta nem na sexta, devemos desconsiderar esses dias. Em seguida, podemos desconsiderar o sábado, porque nesse dia o barbeiro não abre. Como Billy voltou para casa com mais dinheiro do que tinha quando saiu, podemos concluir que sacou seu salário. Sabemos que o pagamento é feito na quinta-feira; mas como os dois dias seguintes (sexta e sábado) foram desconsiderados, tudo indica que ele foi à cidade na terça-feira seguinte, quando o banco estaria novamente aberto. Esse era também o dia em que o barbeiro e a loja de animais ficaram abertos.

Þ 11° desafio: Bob tem a vantagem de ser o segundo. Não importa a data que estiver na moeda que Jéferson tirar, tudo que Bob tem a fazer é selecionar a data mais próxima para frente ou para trás. Assim, ele estará próximo da data de quase todas as moedas que Jéferson tirar do bolso. O único jeito de Bob perder é se Jéferson acerta corretamente a data da moeda que ele tirar.

Þ 12° desafio: Este é um quebra-cabeça fácil. O lagarto atravessou os dois lados de um triângulo retângulo. Quando os pontos de um triângulo retângulo tocarem a borda do círculo, o lado maior, ou a hipotenusa, será igual ao diâmetro do círculo. Por isso, o diâmetro mede 100 cm. Lembre-se de que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos outros lados. (3.600 + 6.400 = 10.000. A raiz quadrada é 100.)

Þ 13° desafio: Como o marido de Dafne baixou o preço do carro em 20% em cada tentativa de venda, o preço final foi de R$ 563,20.

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Os citados desafios foram retirados do livro “O Livro dos Desafios”,
de Charles Barry Towsend.
Enigmas, charadas e testes de lógica para colocar
à prova sua capacidade de raciocínio.
Ediouro



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Como escapar de um incêndio

Manual por Marcelo Testoni



Para não alastrar: Em ambientes internos

Desapego → Atire pela janela tudo que queima fácil (papeis, tapete, cortinas, etc.) – mas com cuidado para não machucar alguém na rua. Na fuga, fechar as portas que estiverem pelo caminho é um jeito eficiente de barrar o avanço do incêndio.

Para não alastrar: Na natureza

Terra santa → Combata o foco do incêndio jogando terra. Mas evite jogar folhas secas junto para não alimentar as chamas. Se tiver água em abundância por perto, molhar arbustos ao redor retarda o avanço do fogo.

Para enfrentar: Em ambientes internos

Chão, chão, chão... → Com muita fumaça, o melhor é deitar no chão e se arrastar. Descole um lenço ou toalha molhados para usar como máscara sobre nariz e boca. Esse filtro ameniza os efeitos tóxicos da fumaça e garante fôlego extra.

Para enfrentar: Na natureza

Rala e rola → Se o fogo atingir as roupas, role na terra para abafar as chamas. Mas cubra o rosto para se proteger de arranhões ou perfurações. Também serve o macete de usar um pano molhado na cara para respirar melhor.

Para escapar: Em ambientes internos

Subir jamais → Fuja para os andares inferiores – a chance de ficar isolado é menor. E vá de escada. Elevadores podem ficar parados por queda de energia.

Para escapar: Na natureza

Olha o passarinho → Se tiver que fugir, corra contra o vento. Na mata fechada, siga os pássaros: a visão aérea os ajuda a mapear áreas mais seguras. Se ficar encurralado, procure por uma clareira com o mínimo de vegetação possível.


(Revista Super Interessante – outubro de 2016)