terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Frases do grande pensador Noam Chomsky



→ Noam Chomsky, nascido em 1928 na Filadélfia, Estados Unidos, é professor de linguística no MIT e a figura mais representativa na pesquisa da linguística do século XX.

→ As suas contribuições para o campo da linguística foram fundamentais para o desenvolvimento da informática. A sua tese de doutorado foi dedicada à análise transformacional, e graças a isto ele passou a integrar a equipe docente do MIT.

→ “Se você assume que não existe esperança, então você garante que não haverá esperança. Se você assume que existe um instinto em direção à liberdade, então existem oportunidades de mudar as coisas.”

→ Para entender em linhas gerais a enorme influência deste pensador, é preciso prestar atenção ao seu conceito mais revolucionário: a existência de uma gramática universal, integrada ao patrimônio genético dos seres humanos.

01. “A ideia básica que atravessa a história moderna e o liberalismo moderno é a de que o público dever marginalizado. O público, em geral, é visto como nada além de excluídos ignorantes que interferem como o gado desorientado.”

02. “Não deveríamos estar buscando heróis, deveríamos estar buscando boas ideias.”

03. “Caso após caso, vemos que o conformismo é o caminho fácil, e a via rumo ao privilégio e ao prestigio; a dissidência traz custos pessoais.”

04. “O que eu sempre compreendi como essência do anarquismo é a convicção de que se deve apresentar à autoridade uma prova de assunção de responsabilidade, e que esta (a autoridade) deve ser desmantelada se não conseguir alcançar esta assunção de responsabilidade.”

05. “Parte do motivo pelo qual o capitalismo parece ter sucesso é que sempre contou com muita mão de obra escrava, a metade da população. O que as mulheres fazem – fora do mundo profissional – não conta para nada.”

06. “Se você não desenvolver uma cultura democrática constante e viva, capaz de cobrar os candidatos, eles não farão as coisas pelas quais você votou. Apertar um botão e logo ir embora para sua casa não vai mudar as coisas.”

07. “O propósito da educação é mostrar às pessoas como aprender por si mesmos. O outro conceito de educação é doutrinação.”

08. “A internet entrega acesso instantâneo a todo tipo de ideias, opiniões, perspectivas, informação. Isto de fato ampliou as nossas perspectivas ou as fez mais estreitas? Eu acho que ambos. Para alguns, as perspectivas foram ampliadas. Se você sabe o que está procurando e tem um senso razoável de como proceder, a internet pode ampliar as suas perspectivas. Mas se você se aproxima da internet de forma desinformada, o efeito pode ser o oposto.”

09. “A liberdade sem oportunidades é um presente diabólico, e negar-se a dar essas oportunidades é um crime.”

10. “O quadro do mundo que é apresentado às pessoas não tem a mínima relação com a realidade, já que a verdade sobre cada assunto fica enterrada sob montanhas de mentiras.”

11. “Se não acreditarmos na liberdade de expressão para as pessoas que desprezamos, não acreditamos nela para nada.”

12. “O ensino deve inspirar os estudantes a descobrir por si mesmos, a questionar quando não concordarem, a procurar alternativas se acham que existem outras melhores, a revisar as grandes conquistas do passado e aprender porque algo lhes interessa.”

(Do Blog A Mente é Maravilhosa)

Outras frases de Noam Chomsky

“A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro.”

“Não se pode controlar o próprio povo pela força, mas se pode distraí-lo com consumismo.”

“Dentro de todos e de cada um, está um tesouro, que é preciso estudar.”

“A propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário.

“Os hipócritas são aqueles que aplicam aos outros os padrões que se recusam a aceitar para si mesmos.”

“As eleições são executadas pelas mesmas indústrias que vendem pasta de dentes na televisão.”

“O governo Kennedy preparou o caminho para o golpe militar no Brasil em 1964, ajudando a derrubar a democracia brasileira, que se estava tornando independente demais. Enquanto os Estados Unidos davam entusiasmado apoio ao golpe, os chefes militares instituíam um estado de segurança nacional de estilo neonazista, com repressão, tortura, etc.”

“Mantenha boas relações com os oficiais certos e eles derrubarão o governo para você.”

“O otimismo é uma estratégia para criar um futuro melhor. Se você não acredita que o futuro pode ser melhor é improvável que você consiga assumir as responsabilidades para fazer isso acontecer. Se você aceita que existe a liberdade de escolhas, que existem oportunidades para mudar as coisas, você terá a chance de contribuir para a criação de um mundo melhor”.

“Se você acredita na liberdade de expressão, você acredita na liberdade para exprimir opiniões de que você não gosta. Quer dizer, Goebbels era a favor da liberdade de expressão para opiniões que ele gostava. Tal como Stalin. Se você é a favor da liberdade de expressão, isso significa que você é a favor da liberdade de exprimir precisamente as opiniões que você despreza. Caso contrário, você não é a favor da liberdade de expressão.”

*****

10 estratégias de manipulação política pela mídia


Noam Chomsky

01 – A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO

→ O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

02 – CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES

→ Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

03 – A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO

→ Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

04 – A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO

→ Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

05 – DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE POUCA IDADE

→ A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

06 – UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO

→ Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

07 – MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE

→ Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

08 – ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE

→ Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

09 – REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE

→ Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se autodesvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10 – CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM

→ No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.



Coisas simples para sorrir



Reclama que está engordando, mas...
Jesus nasceu, você come panetone!
Jesus morreu, você come bacalhau!
Jesus ressuscitou, você come chocolate!
Aí, fica difícil!

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A mãe, ao ver o filho de 10 anos voltar da pescaria com a orelha toda inchada, fica indignada:
‒ O houve, meu filho?
‒ Foi um marimbondo, mãe!
‒ Ele te picou?
‒ Não deu tempo... O pai matou com o remo!

*****


Um jornalista visita o manicômio e vê um interno conduzindo um carrinho de mão ao contrário, com a caçamba virada para baixo.
Comenta o jornalista:
– Olha lá o louco com a carriola ao contrário!
Ofendido, o louco responde:
– Sou louco, mas não sou burro! Se eu viro a carriola, eles a enchem de tijolos!

****


O menino pergunta à mãe:
‒ Manhê! Foi a cegonha que me trouxe para o mundo?
‒ Foi, meu filho.
‒ E é Jesus que nos dá o pão de cada dia?
‒ Sim, meu amor.
‒ Mais uma coisa: é o Papai Noel que nos dá os brinquedos de Natal?
‒ É isso mesmo!
‒ Então para que serve o papai?

Uma lesma foi a uma delegacia se queixar que fora atacado por duas tartarugas.
O delegado perguntou a ela como aconteceu o assalto:
‒ Não sei, senhor delgado, não sei mesmo, foi tudo tão rápido...


Uma velhinha chega num presídio e fala ao guarda:
– Vim para fazer uma visita íntima.
O guarda:
– E qual o nome do detento?
A velhinha:
– Qualquer um... sou voluntária.


Um pai chega furioso na escola onde estuda sua caçula.
– Eu vim aqui reclamar porque estão fazendo bulling com a minha filha!
A diretora, então, pergunta a ele:
– E quem é a sua filha?
O homem, apontado para uma garota, no pátio da escola:
– É aquela baixinha, vesga com um nariz de tucano.


Dois homens, jogadores viciados em roleta, saem de um cassino. Um só de cuecas e o outro completamente nu, pois perderam tudo no jogo.
O que estava nu fala para o outro:
– Eu admiro um homem que sabe a hora de parar...


Duas velhinhas, amigas e vizinhas há muitos anos, encontram-se num banco de praça. Uma pergunta a outra:
‒ Tenho a impressão que já conheço a senhora, como é mesmo o seu nome?
Outra velhinha, para, pensa um pouco e responde:
‒ A senhora quer essa resposta pra quando?


Namorada sugere ao namorado um presente para o “Dia dos Namorados”:
‒ Amor, você me dá de presente um novo celular?
O namorado, intrigado, pergunta:
‒ E outro?
A moça responde:
‒ Ah, ele me deu um relógio.


Numa livraria, chega uma jovem muito bonita e pergunta ao balconista.
‒ Moço, tem cartão do Dia dos Namorados escrito “Você é Meu Único Amor”?
O balconista:
‒ Tem sim.
A moça:
‒ Me consegue seis.

Um professor pergunta a um aluno, para variar só podia ser o Joãozinho:
‒ Se eu disser “Fui bonito”, o verbo está no passado, agora, seu disser “Sou bonito”, o que é, Joãozinho?
‒ É mentira, professor!


Duas louras se encontram, e uma delas está visivelmente irritada. Esta diz a outra:
‒ Ontem fui ao shoping perto da minha casa e, quando estava subindo pela escada rolante, faltou luz e fiquei meia hora em pé esperando que voltasse a luz. Cansei!
A segunda loura pergunta:
‒ E não havia degraus?
A primeira loura responde.
‒ Sim.
A segunda loura, então, diz a outra:
‒ E por que não te sentaste.


O Rio e o Oceano



Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano,
ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada,
os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso
através das florestas, através dos povoados,
e vê à sua frente um oceano tão vasto que
entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano
é que o medo desaparece.
Porque apenas então o rio saberá
que não se trata de desaparecer no oceano,
mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento
e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem! Avance firme e torne-se Oceano!

Osho

O medo é um dos maiores limitadores, senão o maior, diante das grandes oportunidades que a vida nos trás.

Por medo já deixei de fazer muitas coisas, já deixei de experimentar muitas coisas.

Quando resolvi que não mais me renderia ao medo a minha vida mudou completamente, porque eu havia mudado. Comecei a me lançar para as oportunidades, principalmente para as oportunidades que me faziam extremamente feliz.

Osho

Rajneesh Chandra Mohan Jain


Osho (1931-1990) foi um professor de filosofia e mestre na arte da meditação. Fundou um movimento espiritual com características de uma nova religião, com a busca pelo divino, rituais, doutrinas e até escrituras. Publicou mais de 600 livros.

Osho nasceu em Raisen District, Índia, no dia 11 de dezembro de 1931. Formado em filosofia, dava aulas na Universidade de Jabalpur e conquistou seus primeiros discípulos. Em 1962 abriu um centro de meditação e iniciou um ciclo de palestras ao redor da Índia. Em 1964, suas palavras foram publicadas no livro “O Caminho Perfeito”.

A partir de 1966 Osho dedicou-se exclusivamente à vocação de guru e passou a organizar acampamentos de meditação na zona rural do país. Em 1971 mudou seu nome de “Chandra Mohau Jain” para “Bhagawa Shree Rajneesh” ou Rajneesh “o senhor abençoado”. No fim dos anos 70, seu acampamento recebia cerca de cem mil pessoas por ano.

Em 1981, Osho e seus seguidores mudaram para um terreno no deserto de Oregon, nos EUA, onde criou a comunidade “Rajneeshpuram”. Atraiu doações de milionários para construir sua cidade. Pregando o liberalismo em relação ao sexo, criou repudio da sociedade local. Osho teve seu visto de residência negado. Em 1985 foi acusado de violar a lei de imigração, passou 6 dias preso e libertado após pagar fiança de US$ 400 mil e promessa de deixar o país. Osho teve seu visto negado em 21 países e foi obrigado a voltar à Índia. Em 1990, mais uma vez, mudou seu nome para Osho “oceânico”. Osho faleceu em Purie, Índia, no dia 19 de janeiro de 1990.


Mensagens de Ano Novo




Um dia, ele vai chegar...

Quando chegar o dia em que você viver apenas de lembranças,
de que lembranças você vai querer viver?
Das escadas que não subiu?
Das praias que não mergulhou?
Das grutas que não desbravou?
Dos beijos que não roubou, ou se deixou roubar?
Das portas que não abriu?
Das histórias que não conheceu?
Das que não viveu?
Das que não contou?
Viva.
Viva para ter o que lembrar,
pois vai chegar o dia em que a sua maior riqueza serão as lembranças.
E são elas que o manterão vivo.
Feliz 2017

(Propaganda da Concessionária Honda-RS)


Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com o tempo todo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar de arrependimento pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)

Feche os olhos e sonhe. Abra os olhos e realize.

Às vezes, o melhor da vida acontece quando a gente não espera.
Um gesto, uma palavra, um amigo que reaparece.
Não temos como saber o que o novo ano nos reserva.
Mas podemos desejar o melhor.
E podemos fazer o melhor.
Porque merecemos isso.
Por isso, em 2017, sonhe, imagine, planeje.
Você pode realizar o que quiser.
Você merece o melhor.

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
‒ Ó delicioso voo!
Ela terá encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
‒ Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam nunca:
‒ O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

(Mário Quintana)


A vida é maravilhosa,
mesmo quando dolorida.
Eu gostaria que,
na correria da época atual,
a gente pudesse se permitir,
criar uma pequena ilha de contemplação,
de autocontemplação,
de onde se pudesse ver melhor todas as coisas:
com mais generosidade,
mais otimismo,
mais respeito,
mais silêncio,
mais prazer.
Mais senso da própria dignidade,
não importando idade,
dinheiro,
cor,
posição,
crença.
Não importando nada.

Lya Luft

Mais um ano findou! Lá vai, tristonho,
A sumir-se nas brumas do passado!
Chegou envolto em sonho,
Ateando nas almas a ansiedade;
Espalhou risos, dores,
Fez reflorir amores,
Tristezas, desenganos,
Tal como havia feito os outros anos,
E lá partiu velhinho, fatigado!
Roubou, é certo, a muitos corações,
Tesouros de ilusões,
Mas deixou-os mais ricos de saudade!

E a pobre humanidade,
Inquieta, torturada,
Na ânsia eterna d´outro Bem maior,
Recebe, alvoroçada,
O ano que desponta, no fulgor
D´uma nova alvorada!

Vem branquinho de neve, mas risonho,.
Como um menino alegre, brincalhão,
Embalado, ao de leve, pelo Sonho,
Nos braços carinhosos da Ilusão!...

Será bom? Será mau? Fico a pensar
Na bendita ventura de esperar
Uma hora, que seja, de alegria!
Só é pobre, a valer, quem, neste mundo,
Conhece o desespero, – mal profundo
Que mata lentamente, dia a dia! –

Por isso o Ano Novo vem tão lindo!
Traz na sua bagagem a Esperança,
E o Mundo, em festa, esquece o Ano findo,
Que já também, assim, o fez vibrar.
Mas, cuidado, Ano Novo, és tão criança...
Não acordes a Dor! Vem de mansinho,
E deixa-nos sonhar!

Rosa Silvestre

(Almanach Beltrand – 1930)

Mensagens de Boas Festas

 De um meteorologista:

“Espero que o Ano Novo seja caracterizado por tempo bom, temperatura estável, ventos soprando de quadrantes apropriados, fracos ou moderados, mas trazendo sempre bons augúrios.”

De um economista:

“Que haja uma inflação de bons sentimentos, demanda não reprimida de carinho por parte de amigos e familiares, liquidez de afetos e alta acentuada em sua cotação pessoal.”

De um filósofo:

“Considerando os dilemas da existência, a angústia que caracteriza a condição humana, a incerteza que pesa sobre nosso destino desde que o homem passou a exercer sua suprema faculdade de pensar – será que podemos, sem ultrapassar os limites da lógica cartesiana, desejar a outrem Boas Festas e um feliz Ano Novo? Se o podemos, é o que desejamos.”

De um estatístico:

“Desejo que os valores numéricos consignados na coluna denominada Felicidade superem os valores da coluna de Frustrações; mais que isto, que esta diferença seja estatisticamente significativa, e que a alegria do amigo represente uma amostra válida do que ocorre com sua família.”

De um geógrafo:

“Desejo ao amigo que, ao percorrer sua trajetória no Ano Novo, evite a Serra do Desânimo, avance pela Península do Arrojo, atravesse o Oceano da Prosperidade e chegue em paz ao Arquipélago do Sucesso.”

De um geômetra:

“Seja A o ponto em que o amigo se encontra no presente estágio de sua existência, e B um ponto hipotético situado em alguma parte do ano vindouro. Desejo que a linha capaz de unir A e B seja, como se espera, a linha reta, e que o comprimento da referida linha não ultrapasse, em unidades métricas, a quantidade equivalente em energia disponível para qualquer ser humano que chega ao final do Ano velho.”

De um biólogo:

“Que o Ano Novo que aí vem, comporte-se como uma célula que traz em seu código genético uma mensagem completa de felicidade e uma capacidade inesgotável de reprodução.”

De um ficcionista:

“Era uma vez um Ano Velho. Sentindo que seus dias estavam chegando ao fim, ele chamou o Ano Novo, e disse: Escuta, por que não vais procurar aquele meu amigo e dá a ele um abraço por mim? O Ano Novo aceitou muito contente a incumbência e lá se foi, cantando: pela estrada afora, eu vou bem sozinho, etc. Aí apareceu o lobo..."

(Moacyr Scliar)


O que faz você levantar toda a manhã?
O que move você?
Ver um sonho ganhar vida?
Ou ver a sua vida ganhar novos sonhos?

O que é isso que corre nas suas veias?
E faz o seu coração bater mais forte...
É a vontade de deixar a sua marca no mundo?
Ter liberdade pra não fazer nada?
Ou passar o tempo todo fazendo aquilo que ama?

Que paixão é essa capaz de arrepiar você da cabeça aos pés?
O que faz você ser você?
As suas ideias, os seus valores?
O que é tão grande,  tão seu,
maior que tudo, que faz um minuto parecer uma eternidade?
O que define você?
O que impulsiona você?
O que move você?

(Texto de publicidade para o Banrisul)


Dizem por aí que nossa vida é como um livro
E é verdade
Algumas linhas, poderíamos reler dezenas de vezes
Outras, pularíamos sem hesitar.
Mas ainda não inventaram nada mais fascinante
do que imaginar como serão as próximas páginas.

Quantos não fariam de tudo para poder
dar uma olhadinha lá na frente...
Mas, quer saber? É mais emocionante ler
um livro sem saber o final, assim como o melhor de
viver é aproveitar o sabor único de cada momento

Portanto, já que você está começando
um novo capítulo, aproveite para escrevê-lo com
toda a intensidade. Deixe a borracha de lado.
E, o mais importante, tenha sempre em mente
que sua história pode ter diversos personagens,
mas um único autor: você.

(Autor desconhecido)

Almas expostas

Chega um dia em que, cansados de tanta repetição,
observamos os nossos olhos e acabamos enxergando a alma,
e você sabe, a alma não mente,
não se esconde atrás da maquiagem,
nem do sorriso quase que decorado...

A alma é uma fotografia exposta de nossos medos,
retrato real dos desejos escondidos, das perdas,
daquele velho sonho aprisionado,
e as vezes clama por atenção,
pede verdades que você insiste em não querer ver,
pede atitudes que você não quer tomar,
pede decisões que lhe são muito caras,
e por comodismo ou medo, vai deixando de lado,
e a sua vida também vai ficando de lado,
meia-vida, meios-sonhos, meia-esperança,
vida passando, simplesmente passando...

Eu desejo, que neste dia, começo de um novo ano,
a sua alma se revele,
que você escute o seu "eu" mais profundo,
que tire os sapatos dos compromissos formais,
e se mostre de verdade, revelando essa pessoa especial,
que como todo mundo, tem defeitos e qualidades,
que precisa amar e receber amor
para que a alma seja preenchida,
e seu rosto reflita,
um brilho sem igual, de quem encontrou a chave perdida,
que abre as portas da vida,
vida que se renova,
vida que nos aproxima, nos torna iguais,
capazes de seguir adiante, como quem diz,
eu mereço o melhor, eu quero um novo despertar,
recomeçar, sem medo de ser feliz!

(Paulo Roberto Gaefke)

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas,
só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
em todas as época do ano,
dormindo ou acordado.

(William Shakespeare)


Viva seus sonhos,
viva-os bem,
dedique-lhes altares,
celebre seus mistérios.
Não é a perfeição,
mas já é um caminho.
Não há nenhum sonho perdurável.
Uns substituem os outros
e não devemos esforçar-nos
por nos prender a nenhum.
Ninguém pode escolher
a onda a que obedecerá,
nem o polo pelo qual será atraído.
Seu destino o ama.
Algum dia lhe pertencerá por completo,
como você sonha,
se continuar-lhe sendo-lhe fiel.

(Herman Hesse)


Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial!

Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para diante tudo vai ser diferente...

(Mário Quintana)


A energia que circula,
o clima que vira,
a força que rola,
o aperto que passa,
o sonho que move,
o encontro que promove,
a tristeza que liquida,
 a ideia que troca,
o mês que salva,
o novo que chama,
o momento que oferta,
a alegria que causa,
o gesto que compartilha,
a mania que cria,
a gente que toca,
o desejo que anda,
o tanto que gera,
a vida que gira.

Feliz Ano Novo

(Fecomércio RS – Sesc – Senac)

Um novo ano se apresenta à sua frente.
E com ele, 365 oportunidades para você ser o ator principal da sua vida.
Contracenando com o planejamento e o inesperado.
A chegada, o até mais.
O olhar, o fazer.
O presente, o futuro.
A realidade, a esperança.
A simpatia, o brinde.
O desejo, a comemoração.
Queremos toda essa vida em seu 2017.
Todas essas possibilidades de transformação.
Para você ensinar e aprender.
Para ajudar e crescer.
Para corrigir e tentar.
Para rir e chorar.
Para sonhar e conquistar.
Você tem um ano inteiro para transformar sua vida.
Aproveite.
Porque quem sabe a vida é da vida razão.
Que seu ano novo seja cheio de saúde, paz e realizações.

Feliz 2017

Informar é transformar

Grupo RBS


Vida é um grito de gol

Tudo é capaz de transformar a vida.
O tempo, o nascimento.
A música, o debate.
O esporte, a arte.
O caminho, a parada.
A denúncia, a descoberta.
A informação, a diversão.
É aí que estamos sempre presentes.
E vamos seguir em 2017.
Todos os dias, sem parar.
Para opinar e descontrair.
Para noticiar e entreter.
Para relatar e relaxar.
Para esclarecer e curtir.
Para informar e divertir.
Transformar a sua vida é razão da nossa vida.
E quem sabe a vida é da vida razão.

Um ano novo cheio de vida para você.

Informar é transformar.

Grupo RBS

O tempo organiza,
mas não define.
O tempo esfria,
mas não cura.
O tempo estanca a hemorragia,
mas não cicatriza.
O tempo elimina a carência,
mas apaga o desejo.
O tempo acalma,
mas não garante o entendimento.
O tempo adia as dúvidas,
mas não consolida as certezas.
O tempo finge que avançamos,
mas não saímos do lugar.
O tempo serve para diminuirmos
a importância das ofensas,
mas não resgata os elogios que não serão feitos.
O tempo é o senhor da razão,
só que sempre escolho a fé, senhora da ação.
A fé cria seu próprio tempo.
O tempo de amar é agora.

(Fabrício Carpinejar)







domingo, 25 de dezembro de 2016

O mais famoso duelo musical da TV brasileira


A Banda X Disparada


(...) Mas o que marcou de fato o Festival de 1966 foi a disputa entre duas músicas de características bastante diferentes: A Banda e Disparada.

Eu havia aconselhado o Vandré a olhar com carinho para a música sertaneja, e creio que devo tê-lo influenciado para que compusesse Disparada. Difícil foi convencê-lo a não cantá-la. O Vandré, embora tivesse uma boa presença no palco, não era muito conhecido e ainda não tinha cancha suficiente para encarar, em um espetáculo sempre cheio de tensões, uma música que exigia grande força interpretativa. Quando sugeri o Jair Rodrigues, que já era um grande sucesso no “Fino da Bossa”, a reação foi de incredulidade. Afinal, o Jair era sambista, mas nas horas vagas brincava de cantar canções sertanejas, talvez influenciado pelo seu empresário, o Corumba, que formava com Venâncio uma dupla caipira famosa. O Vandré foi conferir. Fez alguns ensaios e ficou convencido. Com o Trio Marayá e o Trio Novo, formado por Heraldo do Monte na viola caipira, Théo Barros ao violão e Airto Moreira na percussão, montaram um número forte. Uma queixada de burro, habilmente manipulada na primeira eliminatória por Airto e na final por Manini, deu o toque final. O Chico se apoiou na tímida, porém cheia de joelhos e charme, Nara Leão. Os dois se completavam e a inclusão de uma bandinha de verdade resultou em outro número fortíssimo, apesar da timidez evidente que ambos demonstravam no palco. As duas foram classificadas para a final. Estava na cara que uma delas seria a vencedora do festival. Os discos não paravam de tocar em todas as rádios, e a disputa entre Chico e Vandré virou o assunto do país. Primeiras páginas de todos os jornais. A brincadeira era: Você é dos “bandidos” ou dos “disparatados”?

Era incrível que um evento que acontecia em pequeno auditório, com pouco mais de quinhentos lugares, tivesse adquirido aquela dimensão. Na noite da finalíssima, os teatros da cidade de São Paulo suspenderam seus espetáculos por falta de público, os cinemas ficaram às moscas e as ruas, vazias. Cheguei a receber uma comissão de produtores teatrais pedindo que mudasse o dia das apresentações do festival.

A apresentação das músicas foi inesquecível. A plateia dividiu-se. De um lado, a turma universitária que torcia apaixonadamente pelo seu representante, com o ingênuo e poético desfile dos personagens de uma cidade que parava para ver a banda passar tocando coisas de amor. Uma marchinha singela e de poucos atrativos musicais. Do outro, os que respondiam ao apelo engajado do cavaleiro de laço firme e braço forte de um reino que não tinha rei. Foi uma apresentação emocionante e consagradora, tanto para Chico e sua companheira Nara, como para o Vandré, via Jair Rodrigues.


O júri estava reunido e os boatos, rolando. Ganhou o Chico! Não, ganhou o Vandré! Era de fato uma decisão difícil. Em uma reunião prévia dos jurados naquela tarde, para criar critérios na tentativa de evitar que a disputa entre as duas terminasse beneficiando uma terceira, o que seria desastroso, a tendência parecia dar a vitória ao Chico. Ficou acertado que a decisão definitiva só aconteceria depois da apresentação das músicas, para que fosse levada em consideração a reação do público. O Paulinho de Carvalho temia que destruíssem o teatro caso o resultado não fosse do agrado daquela gente que, emocionada, cantava as duas favoritas. Era impossível saber qual era a preferida. Outro papo rolou pelos bastidores: o Chico não aceitaria a vitória. Eram boatos desencontrados e o júri, embalado por um dos mais emocionantes espetáculos musicais até então apresentados pela televisão brasileira, recorde de audiência para programas musicais, votou pelo empate, recebido pela plateia do Teatro Record com aplausos delirantes. E com evidente alívio pelo Paulinho de Carvalho.

(Do livro “Prepare seu coração – A História dos Grandes Festivais”,
de Solano Ribeiro)

A Banda

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor

Disparada

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo, a morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar, eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
Não por um motivo meu, ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse, porém por necessidade
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu

Boiadeiro muito tempo, laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente, pela vida segurei
Seguia como num sonho, e boiadeiro era um rei
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando
As visões se clareando, até que um dia acordei

Então não pude seguir valente em lugar tenente
E dono de gado e gente, porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente
Se você não concordar, não posso me desculpar
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe do que eu

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
Já que um dia montei agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte num reino que não tem rei



A milenar tradição do Natal


Por: Ricardo Chaves

O primeiro registro da comemoração se encontra no calendário romano Filocaliano, no ano de 354 d.C


No Império Romano, o culto ao deus solar Mitra disputava, no século 2, adeptos com o cristianismo. Ambos tinham em comum a defesa e a preocupação com os oprimidos. No dia 25 de dezembro – data máxima de reverenciar o Sol Invicto, ocorriam festas, cantos e oferendas. Estudiosos afirmam que a Igreja, incapaz de banir o culto de Mitra, já arraigado entre a população, apropriou-se do aniversário do deus pagão, associando este ao nascimento de Jesus Cristo. A data de 25 de dezembro também nos remete ao término das Saturnálias, quando, durante sete dias, ocorria, em Roma, um festival pagão, cuja finalidade era celebrar o solstício de inverno, em honra a Saturno, que, além de reger o tempo, também era um deus ligado à agricultura. Na realidade, o Natal cristão, durante os três primeiros séculos após a morte de Jesus, não tinha uma data oficial de celebração.


A primeira referência se encontra no calendário romano Filocaliano no ano de 354 d.C., no qual há registro de que havia comemoração, em Roma, desde o ano de 336 d.C. À medida que o cristianismo avançava, em direção ao norte da Europa, o Natal foi incorporando tradições pagãs presentes no solstício do inverno, a exemplo do uso simbólico da neve como característica do período natalino. Já a lenda de Papai Noel tem sua origem na Ásia Menor, no século 3, onde viveu o bispo São Nicolau.

Nascido na cidade portuária de Patara, ele tinha por hábito presentear as crianças e ajudar os pobres. Por outro lado, a imagem que se universalizou do bom velhinho foi criada em 1886, por Thomas Nast (1840-1902). No ano de 1931, uma campanha publicitária de Natal, liderada pela Coca-Cola, fez um enorme sucesso, divulgando Santa Claus (Papai Noel) com o figurino criado por Nast.


Thomas Nast criou, em 1886, a atual imagem do Papai Noel.

As igrejas cristãs celebram o Natal no dia 25 de dezembro, porém há uma exceção: a Igreja da Armênia. Esta comemora a festa do Natal no dia 6 de janeiro, pois seus seguidores acreditam que Cristo teria sido batizado nessa data. Entre tantos acontecimentos ligados à história do Natal, um em especial, devido ao seu caráter inusitado, merece registro: há 102 anos, em 1914, durante a I Guerra Mundial (1914-1918), o espírito natalino de paz superou o bélico. Desafiando as vozes de comando de ambos os exércitos, naquele 24 de dezembro, soldados alemães e ingleses realizaram uma trégua, com direito a troca de presentes e até uma partida de futebol, na região de Ypres, na Bélgica.


Trégua na I Guerra Mundial,
com uma partida de futebol entre soldados alemães e ingleses, em 1914


Colaboração de Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite,
pesquisador e coordenador do setor de Imprensa / Musecom.


(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)



Papai Noel de Thoma Nast


A origem do Papai Noel

Durante a desintegração do Império Romano, notamos que muitas das populações bárbaras que chegam até a Europa trouxeram consigo uma série de tradições que definiam a sua própria identidade religiosa. Nesse mesmo período, a expansão do cristianismo foi marcada por uma série de adaptações em que as divindades, festas e mitos das religiões pagãs foram incorporados ao universo cristão.

Entre outros exemplos, podemos falar sobre a figura do Papai Noel, que para os cristãos de hoje representa o altruísmo, a bondade e alegria que permeia a celebração no nascimento de Cristo. Contudo, poucos sabem de onde essa figura barbuda e rechonchuda surgiu. É justamente aí que as tradições religiosas pagãs nos indicam a origem do famoso e celebrado “bom velhinho”.

No tempo em que os bárbaros tomavam conta do Velho Mundo, existia uma série de celebrações que tentavam amenizar as rigorosas temperaturas e a falta de comida que tomavam a Europa nos fins de dezembro. Foi nessa situação em que apareceu a lenda do “Velho Inverno”, um senhor que batia na casa das pessoas pedindo por comida e bebida. Segundo o mito, quem o atendesse com generosidade desfrutaria de um inverno mais ameno.

A associação entre o Velho Inverno e São Nicolau apareceu muitas décadas depois. De acordo com os relatos históricos, São Nicolau foi um monge turco que viveu durante o século IV. Conta a tradição cristã que este clérigo teria ajudado a uma jovem a não ser vendida pelo pai, jogando um saco cheio de moedas de ouro que poderiam pagar o dote de casamento da garota. Somente cinco séculos mais tarde, São Nicolau foi reconhecido pela Igreja como um santo.

A partir desse momento, o dia 6 dezembro passou a ser celebrado como o dia de São Nicolau. Nesta data, as crianças aguardavam ansiosamente pelos presentes distribuídos por um homem velho que usava os trajes de um bispo. Foi a partir de então que a ideia do “bom velhinho” começava a dar os seus primeiros passos. Do “velho filão”, conhecido nos últimos séculos da Antiguidade, passava-se a reconhecer a figura de um homem generoso.

Nos fins do século XIX, o desenhista alemão Thomas Nast teve a ideia de incorporar novos elementos à imagem do bom velhinho. Para tanto, publicou na revista norte-americana “Harper’s Weekly” o desenho de um Papai Noel que, para os dias atuais, mais se assemelhava a um gnomo da floresta. Com o passar dos outros natais, ele foi melhorando seu projeto original até que o velhinho ganhou uma barriga protuberante, boa estatura e abundante barba branca.

Apesar das grandes contribuições oriundas do experimentalismo de Nast, temos ainda que desvendar a origem da sua roupa avermelhada. De fato, vários desenhos já haviam retratado o Papai Noel com trajes das mais variadas formas e cores. Contudo, foi em 1931 que Haddon Sundblom, contratado pela empresa de refrigerantes “Coca-Cola”, bolou o padrão rubro das vestimentas do bom velhinho. Com passar do tempo, a popularização das campanhas publicitárias da marca acabaram instituído o padrão.

(Do Blog História do Mundo)



sábado, 24 de dezembro de 2016

Nós Dois


Cartola  

(1908-1980)

Esta música fala sobre casamento e sugestão de música para a entrada do noivo ou para a pré-cerimônia, e também para reflexão sobre a união de dois noivos...

 

Cartola, ao pedir Dona Zica em casamento, fez esta linda letra mostrando a ela a vida que teriam pela frente. Dois adultos, que já tinham sofrido dores de amor em relações passadas, poderiam ainda ser felizes e ter uma vida com muito amor pela frente.

A música foi escrita na véspera de seu casamento com ela, em 1964. Pela letra, fica evidente o desejo de Cartola de deixar bem claro como deve ser a vida do casal após o ‘altar’: “Só nós dois, apenas dois, eternamente”.

Está chegando o momento
De irmos pro altar:
Nós dois.
Mas antes da cerimônia,
Devemos pensar,
E depois?

Terminam nossas aventuras,
Chega de tanta procura,
Nenhum de nós deve ter
Mais alguma ilusão.

Devemos trocar ideias
E mudarmos de ideias,
Nós dois.
E, se assim procedermos,
Seremos felizes, depois.
Nada mais nos interessa,
Sejamos indiferentes,
Só nós dois,
Apenas dois,
Eternamente...

Esta música faz parte do terceiro álbum de estúdio do sambista, “Verde que te quero rosa”, lançado em 1977. Ela é muito tocada em cerimônias de casamento.

*Escute esta música no Google, onde a melodia, a letra e voz de Cartola se encaixam maravilhosamente.