sábado, 30 de janeiro de 2016

Para retardar o envelhecimento


Dráuzio Varella




A juventude eterna é sonho antigo. No passado, uma pessoa vivia até os 30 anos, no máximo. No início do século, nos países desenvolvidos da Europa, a média de vida andava pelos 40; hoje, passa de 80 no Japão. No entanto, esse salto espetacular da média de idade não foi acompanhado por aumento da longevidade: que se saiba, desde as cavernas, ninguém chegou aos 130 anos.

A idade média de uma população depende do meio ambiente. Vem a guerra, e a morte dos jovens reduz a média geral. Vacina, esgoto, comida barata, educação e água à vontade aumentam a média. Com a longevidade, é diferente: a expectativa de esticar os limites de nossa permanência no mundo independe de melhorias ambientais. Para estendermos a longevidade, existe apenas uma estratégia: envelhecer mais devagar (o sonho de todos).

A velocidade de envelhecimento dos órgãos depende de nossos genes. Existe uma doença herdada geneticamente chamada progeria, na qual um menino de sete anos parece mais velho do que o avô. Poucos deles sobrevivem aos derrames cerebrais, reumatismo e à decrepitude dos 15 anos. Por outro lado, há famílias que dão inveja: passam dos 90, todos lúcidos e saudáveis.

Viver muito não é para quem quer. Por mais que hesitemos em admitir, é evidente que a natureza é injusta. Uns vêm para ficar cem anos; outros morrem de câncer antes de ir para a escola. Como não nos é dado o privilégio de escolhermos os pais, só podemos contar com um caminho para a fonte da juventude: a sabedoria humana, habilidade por meio da qual povoamos a Terra e aprendemos a voar.

Na década de 1930, Clive McCay, da Universidade Cornell, observou que ratos mantidos com dieta de baixo conteúdo calórico viviam mais tempo. Como em outras descobertas relevantes, a comunidade acadêmica interpretou o achado como simples curiosidade. Afinal, a quem interessa aumentar a longevidade de ratos?

Nos últimos vinte anos, diversos trabalhos provaram que McCay tinha razão: restrição calórica retarda o envelhecimento e aumenta a longevidade do animal. A mesma afirmação vale para seres unicelulares, pulga d’água, aranha, caranguejo, peixe, sapo, rato e, provavelmente, também para os primatas, nossos parentes mais próximos.

As conclusões principais desses estudos sobre o envelhecimento são as que se seguem:



1) Respeitados os limites da desnutrição, a expectativa máxima de vida é inversamente proporcional ao número de calorias ingeridas diariamente. Se dividirmos ratos geneticamente iguais em dois grupos, deixarmos o primeiro comer à vontade e cortarmos 50% das calorias do segundo, estes viverão muito mais tempo.

2) O exercício físico aumenta a sobrevida média de uma população, mas não altera o limite de idade de quem o pratica. Quer dizer o seguinte: se todos andassem míseros 30 minutos por dia, em São Paulo, haveria menos ataques cardíacos, diabetes e hipertensão. Como consequência, aumentaria a média de idade dos paulistanos (em vez de 70 anos, digamos, passaria para 73 anos); a longevidade, é pena, permaneceria inalterada.

É lógico que, em termos pessoais, mil vezes morrer de pneumonia aos 90 do que de infarto aos 40, por isso a atividade física é fundamental. Mas, nem correndo uma maratona por dia, o recorde de 120 e poucos anos será quebrado na espécie humana.

3) Por si, o grau de adiposidade não estica ou encurta os limites da vida. A chave-mestra da longevidade é o número de calorias na dieta. Ratos portadores de um gene chamado ob-ob engordam só de olhar para a comida. Se tomarmos ratos em tudo idênticos a eles, exceto pela ausência do gene ob-ob, e alimentarmos os dois grupos com o mesmo número de calorias diárias, no final do experimento os portadores de ob-ob estarão mais obesos. Tem lógica: o gene ob-ob facilita o acúmulo de gordura. A presença desta, entretanto, não tem impacto na longevidade: gordo ou magro não faz diferença, é o número de calorias ingeridas que manda.

4) Embora uma dieta rica em frutas e verduras seja dieta, importantíssima para aumentar a expectativa de vida média da população e melhorar a qualidade de vida individual (o que não é pouco), não há evidência de que algum tipo de alimento, complemento nutricional, medicamento, sal mineral ou vitamina na dose que quiser aumente a longevidade dos bem-nutridos.

O número de calorias é ditador absoluto, venham elas de onde vierem, da gordura ou da cenoura. A diferença é questão de quantidade: 500 calorias são meia dúzia de torresmos ou um saco até a boca de cenoura.

A ciência do século 20 deixou claro que qualidade de vida se persegue com dieta rica em frutas e verduras e parcimônia no consumo de açúcar e gordura. Retardar o envelhecimento para chegar bonito aos 100 anos, no entanto, será privilégio apenas dos que tiveram sorte com os genes e ingeriram menos calorias na dieta. Infelizmente. Não adianta ficar revoltado, a natureza é impiedosa.





A Novata


Luis Fernando Veríssimoclique aqui





Sandrinha nunca esqueceu o seu primeiro dia na redação. Os olhares que recebeu quando se encaminhou para a mesa do editor. De curiosidade. De superioridade. Ou apenas de indiferença. Do editor não recebeu olhar algum.
– Quem é você? – ele perguntou, sem levantar acabeça.
Sandrinha se identificou.
– Ah, a novata – disse ele. – Você deve ser das boas.Recém-formada e já botaram a trabalhar comigo. Você sabe o que a espera?
– Bem, eu...
– Esqueça tudo o que aprendeu na escola. Isto aqui é alinha de frente do jornalismo moderno. Aqui você tem que ter coragem. Garra. Instinto. Você acha que tem tudo isso?
– Acho que sim.
Ele a olhou pela primeira vez. Seu sorriso era cruel.
– É o que veremos – disse. – Já vi muita gente quebrar a cara aqui. Desistir e pedir transferência para a crônica policial. É preciso ter estômago. Você tem estômago?
– Tenho.
Ele gritou:
– Dalva!
Uma mulher aproximou-se da mesa. Tinha a cara de quem já viu tudo na vida e gostou de muito pouco. O editor perguntou:
– Você já pegou o Rudi?
– Estou indo agora.
– Leve ela.
Dalva olhou para Sandra como se tivesse acabado de tirá-la do nariz. Voltou a olhar para o editor.
– Não sei, chefe. O Rudi...
– Quero ver do que ela é feita.
– Está bem.
Antes de saírem, Dalva perguntou para Sandra:
– Que equipamento você usa?
Sandra mostrou o que tinha dentro da bolsa. Dalva mostrou o seu.
– Certo. Vamos sincronizar gravadores. Testando. Um, dois, três...
As duas aproximaram-se da porta do apartamento de Rudi. Antes de bater na porta, a veterana avisou:
– Chegue para trás.
De dentro do apartamento veio uma voz assustada.
– Quem é?
– Abra!
A porta entreabriu-se. Rudi espiou para fora. Dalva empurrou a porta ao mesmo tempo que tirava o gravador da bolsa. Sandra a seguiu para dentro do apartamento. Rudi recuou.
– Isto é invasão de privacidade! – gritou.
– Quieto! Prepare-se para falar, Rudi. E lembre-se: tudo que você disser pode ser usado na edição de domingo.
– Não vou dizer nada.
Dalva forçou-o a sentar. O gravador já estava a milímetros da sua boca.
– Ah, vai - disse Dalva. – Vai dizer tudo. Loção de barba!
– Ahn... "Animal", de Givenchy!
– Cuecas justas ou tipo short?
– Justas.
– De que loja?
– Não tenho uma loja favorita.
– Pense melhor, Rudi.
– Está bem. A "Papoulas".
– Sua cor favorita.
– Verde. Não! Azul!
– Vamos, Rudi. É verde ou é azul?
– Azul, azul!
– Quem você levaria para uma ilha deserta?
– Não sei. Me deixem pensar.
– “Pensar”, Rudi? “Pensar”?! Você acha que está respondendo para o suplemento cultural? Vamos, quem você levaria para uma ilha deserta?
Dalva registrou com surpresa que Sandrinha é que fizera a pergunta Rudi respondeu.
– A minha mãe. Não. A Malu Mader.
– Qual delas?
– Não pode ser as duas?
– Você sabe que não, Rudi. Estamos perdendo tempo. Quem?
– A Malu Mader.
– Pasta de dente.
– Crest.
– Seu livro de cabeceira.
– Kalil Gibran.
– Maior emoção.
– Foi, foi... Quando minha cadela “Tutsi” teve filhotinhos.
– Prato preferido?
– Não sei. Não sei!
– Sabe sim.
– Picadinho de carne com ovo.
– Sua filosofia.
– Viver e deixar viver.
– Se você não fosse você, quem gostaria de ser?
– O... o...
– Estamos esperando!
– O Gerald Thomas ou o padre Marcelo Rossi!
– Qual dos dois?
– Fale!
Agora Sandrinha também tinha seu microfone perto da boca de Rudi.
– O padre Marcelo Rossi!
Rudi começou a soluçar. As duas se olharam. Dalva permitiu-se um sorriso.
– Você é boa, novata. Acho que vai se dar bem neste trabalho...
– Obrigada.
Mas Sandra não tinha terminado.
– Não pense que acabou ainda, Rudi. Sabonete!


(Luís Fernando Veríssimo. 
In: Comédias para se ler na escola, Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)


O Feio


Era uma vez um coelhinho criado por uma família de cangurus. Os cangurus cresciam, o coelhinho não, e por isso o apelidaram de Canguruzinho Feio e passaram a chamá-lo de pulga, pula-migalha, salta-formiga e todas essas coisas ofensivas que os cangurus altos reservam para os cangurus baixinhos. Um dia, porém, toda família de cangurus foi passear em Adelaide. E era páscoa. E o Canguruzinho Feio descobriu, maravilhado, que não era um Canguruzinho Feio, mas um belo coelho, animal fantástico, capaz de pôr ovos coloridos de chocolate e, por esta razão, merecer dos humanos um tratamento de semideus. De início, os cangurus o olharam com toda a admiração, até que um deles – não muito alto, por sinal – provocou: “Ah é, bonito? Bota um ovo de chocolate aí, então, pra gente ver?”

O coelho se agachou, fechou os olhos, mentalizou um ovo de 500 g da Lindt, fez toda força que seu pequeno esfíncter era capaz, mas o resultado foi apenas uma bolinha de cocô. Os cangurus explodiram numa gargalhada. O coelho ainda apertou o cocozinho com a ponta da unha e uma ponta de esperança: vai que era um MM marrom? Não era.

Morto de vergonha, o Canguruzinho Feio abandonou a família e passou a viver mendigão pelas ruas de Adelaide.


*****
          
Era uma vez uma lesma criada por uma família de minhocas. As minhocas pararam de crescer, mas a lesma seguia inchando, por isso a apelidaram de Minhocona Feia e passaram a chamá-la de bisnaga, linguiça, isca de baleia e todas essas coisas ofensivas que as minhocas magras reservam para as minhocas gordas. A Minhocona Feia vivia fazendo regime, jejuava por dias inteiros, tentou cortar carboidratos, glúten, frituras, mas nada adiantava. O que mais a envergonhava, porém, não era o peso, era produzir, em vez do húmus – orgulho e alegria de toda minhoca –, uma baba humilhante que a seguia por onde fosse.

Um dia choveu muito, o gramado alagou e as minhocas tiveram que se abrigar na varanda. Nesse dia, a Minhocona Feia olhou para a vidraça da casa e viu duas Minhoconas Feias iguais a ela, na ponta de dois rastros iguais ao seu. Nesse dia, ela descobriu que não era uma Minhocona Feia, mas uma bela jovem lesma.

Por uma semana, a bela jovem lesma viveu feliz com seus pares, babando na vidraça e comendo como uma condenada. E uma condenada, de fato, ela se tornou: de tanto comer para compensar os tempos de penúria, passou a ter problema de colesterol, diabetes, pressão alta e acabou enfartando não muito depois da sua redenção.

*****

Era uma vez um ouriço que nasceu próximo a uma família de polvos. Por uns dez segundos, ele acreditou que pudesse ser um polvo esquisitíssimo, mas pensou melhor e percebeu que não.

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Era uma vez u filhote de tigre criado por uma família de gatos. Os gatinhos pararam de crescer, mas o tigre não, por isso o apelidaram de... De nada, pois assim que percebeu as risadinhas, o filhote de tigre almoçou os quatro irmãos, a mãe, uma lesma moribunda que encontrou na varanda, um coelho bebum que trombou na esquina e são não comeu o ouriço e família de polvos porque não nasceu no fundo do mar, não se achava um peixe-tigre e sequer sabia nadar.

*****

Antonio Prata é escritor, autor de Nu, De Botas (2013). 
Escreve semanalmente neste Caderno – Zero Hora.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Curiosa coincidência


Quintana e Galeano compartilharam, em épocas diferentes, a mesma fantasia.

Mario Quintana, em seu Sapato Florido, publicado em livro em 1948 (Editora Globo), conta a fábula do homem que, com pena do peixinho que pescara, “retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho”. Depois, levou-o para casa “no bolso traseiro das calças”. Tornaram-se amigos inseparáveis. “Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote que nem um cachorrinho”, descreve o poeta. Com o passar do tempo, o pescador achou que não tinha o direito de guardar aquele pequeno animal consigo. Certo dia – resumindo a história –, passeando à margem do rio, mesmo chorando, atirou o peixinho na água. “E a água fez um redemoinho, que foi depois serenando, serenando… até que o peixinho morreu afogado…”.


Mais de 40 anos depois, o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (falecido no ano passado), em O Livro dos Abraços (tradução L&PM, 1991), conta o causo do pequeno bagre que decidiu sair de um arroio e seguir o peão Mellado Iturria. Os dois se tornaram amigos inseparáveis. “Desde o amanhecer o bagre o acompanhava para ordenhar e percorrer o campo. Ao cair da tarde, tomavam chimarrão juntos; e o bagre escutava suas confidências”, relata o autor. Até que, “numa certa manhã de muito calor, quando as lagartixas andavam de sombrinha e o bagrezinho se abanava furiosamente com as barbatanas”, Mellado teve a ideia fatal: – Vamos tomar banho no arroio – propôs. “Foram os dois. E o bagre se afogou.”

(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)
Continua...


Velha História
Mário Quintana

Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então, ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no "17"! o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...

Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:

“Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!...”

Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando... até que o peixinho morreu afogado...


*****

Causos/1
Eduardo Galeano


Nas fogueiras de Paysandu, Mellado Iturria conta causos. Conta acontecidos. Os acontecidos aconteceram alguma vez, ou quase aconteceram, ou não aconteceram nunca, mas têm uma coisa de bom: acontecem cada vez que são contados. 

Este é o triste causo do bagrezinho do arroio Negro.

Tinha bigodes de arame farpado, era vesgo e de olhos saltados. Nunca Mellado tinha visto um peixe tão feio. O bagre vinha grudado em seus calcanhares desde a beira do arroio, e Mellado não conseguia espantá-lo. Quando chegou no casario, com o bagre feito sombra, já tinha se resignado.

Com o tempo, foi sentindo carinho pelo peixe. Mellado nunca tinha tido um amigo sem pernas. Desde o amanhecer o bagre o acompanhava para ordenhar e percorrer campo. Ao cair da tarde, tomavam chimarrão juntos; e o bagre escutava suas confidencias.

Os cachorros, enciumados, olhavam o bagre com rancor; a cozinheira, com más intenções. Mellado pensou em dar um nome para o peixe, para ter como chamá-lo e para fazer-se respeitar, mas não conhecia nenhum nome de peixe, e batizá-lo de Sinforoso ou Hermenegildo poderia desagradar a Deus.

Estava sempre de olho nele. O bagre tinha uma notória tendência às diabruras. Aproveitava qualquer descuido e ia espantar as galinhas ou provocar os cachorros:

– Comporte-se – dizia Mellado ao bagre.

Certa manhã de muito calor, quando as lagartixas andavam de sombrinha e o bagrezinho se abanava furiosamente com as barbatanas, Mellado teve a ideia fatal:

– Vamos tomar banho no arrolo – propôs. Foram, os dois.

E o bagre se afogou.


 *****

Terceira idade



Existe quem se ausenta da vida, quem simplesmente espere que ela passe sem graça, sem atrativos, guardando seus sonhos e seu coração naquela sensação de prisão, amarrado em grilhões invisíveis do ócio e da apatia.

Não é assim que nós queremos ser.

Não é assim que nós somos.

Porque independente da idade que tenhamos, somos muito mais do que algumas marcas do tempo esquecidas em nossas mãos, nas nossas faces. Somos mais que recordações ruins ou tempos difíceis.

Somos pensantes! Somos livres! Somos vivos!

Viver tudo isso como se fosse nossa única oportunidade é, na verdade, o maior presente que podemos nos dar dia a dia. Porque quem morre para a Vida, quem entrega o jogo tão facilmente, tampouco saberá valorizar os tantos anos de realizações que a mesma Vida lhe proporcionou.

O passar do tempo, o correr dos anos, enrugam e nos marcam a pele. Mas deixar de curtir cada momento das nossas vidas nos marcará mais profundamente: enrugará nossas almas.


10 dicas para melhorar a qualidade de vida na terceira idade



O idoso é visto pela maioria da população como alguém frágil e que requer muitos cuidados, porém a terceira idade tem ganhado cada vez mais independência. Hábitos saudáveis aumentam a disposição e isso independe da idade. Acompanhe abaixo 10 importantes dicas que, se colocadas em prática, farão uma diferença imensa na sua qualidade de vida:

01. Praticar exercícios físicos, como: caminhada, alongamentos ou esportes. Não basta apenas praticar por praticar, é preciso estabelecer metas, pois, além de ajudar a medir o desempenho, ainda mantém a força de vontade para continuar se exercitando.

02. Comer alimentos ricos em vitamina D, pois auxiliam na manutenção de uma maior agilidade mental. Essa vitamina pode ser encontrada em vários alimentos, tais como: sardinha, cogumelo, ovos, salmão, leite e outros.

03. Outro ingrediente que pode ser adicionado na dieta é a proteína, que ajuda no combate a fraturas. Ela está presente no frango e no queijo, assim como também em legumes e sementes.

04. A cárie e a sensibilidade bucal tendem a aumentar na terceira idade. Pode parecer óbvio, mas é importante manter a escovação dos dentes pelo menos 3 vezes ao dia e usar o fio dental diariamente, sem esquecer também de realizar consultas ao dentista para exames e limpezas.

05. A prática de dança favorece não apenas o corpo, mas também a mente. Em um estudo brasileiro, foi detectado que a dança ajuda a melhorar a memória e também a concentração dos idosos.

06. Possuir uma vida social colabora tanto na saúde física, como na mental. Manter o hábito de se encontrar com amigos para conversar ou aproveitar momentos de lazer ajuda na maior preservação de várias habilidades.

07. Consumir chás preto e verde ajuda na proteção da memória. Formado pela substância catequina, esse tipo de chá contribui na diminuição do desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

08. O uso do computador, somado à prática de exercícios físicos, colabora para uma maior estimulação do cérebro. É importante ressaltar que as atividades devem ser realizadas sem exagero, com moderação, para preservar os benefícios que elas oferecem.

09. Acrescentar fibras no cardápio. Sendo considerado como uma ótima opção para diabéticos, as fibras também garantem o funcionamento correto do intestino. Legumes, verduras e aveias são alguns dos alimentos nos quais elas estão presentes.

10. O zinco também se encontra entre as substâncias que beneficiam a vida dos idosos. Ele cria uma espécie de proteção contra infecções que venham a surgir. Pode ser encontrado em vários alimentos, como: grãos integrais, carnes, gérmen de trigo, dentre outros.


Fonte: http://blog.unimedfortaleza.com.br/




Para melhorar a capacidade da memória e, claro, aumentar a atenção

→ Desligue o “piloto automático”: tente sair da rotina no dia a dia e invista em atividades diferentes para estimular o cérebro. Se você costuma ir pelo mesmo caminho para o trabalho todos os dias, mude pelo menos uma vez na semana. Visite um supermercado diferente ou uma farmácia, por exemplo. Novidades fazem bem à memória.

→ Faça associações: uma dificuldade comum é em memorizar nomes de pessoas diferentes. Para evitar esse problema crie associações ao nome da pessoa de acordo com características da mesma ou ao nome de pessoas que você já conhece.

→ Faça uma coisa de cada vez: realizar várias atividades ao mesmo tempo, certamente, irá dificultar que você se recorde de todas as coisas que precisava realizar no decorrer do dia. Quando parar para resolver uma coisa, tente se desligar das demais. O ideal é identificar as prioridades do momento para resolvê-las uma a uma.

→ Exercite a memória: algumas atividade simples ajudam a manter o cérebro mais ativo. Por exemplo, escreva o nome de algumas cores em tons diferentes. Depois, tente dizer em voz alta as cores em que cada palavra está pintada. Por exemplo, se a palavra é azul e está colorida de amarelo, diga “amarelo”.

→ Evite o álcool e o cigarro: ambos são vilões da memória. A ingestão de álcool a longo prazo pode causar uma atrofia cerebral, que é a redução do tamanho do cérebro. Já o cigarro, favorece isquemias cerebrais, podendo em longo prazo gerar problemas cognitivos.

→ Diga não aos medicamentos para dormir: alguns desses remédios podem comprometer a capacidade de memorização. Por isso, o uso dos mesmos só deve ser feito sob recomendação do médico.

→ Trate a depressão e ansiedade: ambas podem causar uma diminuição do ritmo dos processos cerebrais e, consequentemente, causar esquecimentos.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Esperanto



Esperanto estas viva

O título acima, para nós latinos, é de fácil compreensão. O esperanto, como língua internacional, está vivo nos cinco continentes, onde, estima-se, é usado atualmente por cerca de 2 milhões de pessoas, contrariando aqueles que o consideravam uma língua natimorta. No Rio Grande do Sul, é conhecido desde o início do século passado. Mas o auge da sua divulgação deu-se nas décadas de 1950-1960, com a criação da Esperantista Societo de Rio Grande, cursos especializados, congressos e publicações de revistas e traduções de obras literárias.

Porto Alegre, após sediar diversas entidades, conta, desde 1982, com a Associação Gaúcha de Esperanto (gea.esperanto@gmail.com), que vem promovendo a difusão da língua e realizando cursos regulares, com boa participação de alunos. Atualmente, há um em andamento no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Há ainda um núcleo apreciável de adeptos que costuma reunir-se, nas tardes do último sábado de cada mês, no Boteco Histórico, na Rua dos Andradas, para confraternização e muita conversa, em esperanto, naturalmente.

O professor César Dorneles e o advogado Flávio Gomes são dois entusiastas que acreditam na expansão crescente do idioma, que ganhou novo impulso com a internet. Para eles, o esperanto é uma língua viva que evolui, não quer substituir outras línguas, mas figurar como uma segunda opção. Tem importância fundamental no turismo e está presente até nos grandes festivais de rock. O esperanto é uma língua neutra internacional, cujas bases foram lançadas em 1887 pelo médico e poliglota polonês Lazar Ludwig Zamenhof (1859-1917), que é nome de rua em Porto Alegre e em outras cidades gaúchas. Seu vocabulário foi extraído de raízes da cultura indo-europeia, com predominância da origem latina.

Terminações verbais:

Final AS = presente
Final I = infinitivo
Final IS = pretérito
Final OS = futuro
Final US = modo condicional
Final U = modo imperativo
Final invariável das palavras
O – substantivos
J – plural
A – adjetivo
N – objeto direto
E – advérbio de modo

Numerais:

1 = unu / 2 = du / 3 = tri /
4 = kvar / 5 = kvin / 6 = ses
/ 7 = sep / 8 = ok / 9 = nau
/ 10 = dek / 20 = dudek /
22 = dudek du / 100 = cent

Cores:

Vermelho = ruga
Amarelo = flava
Azul = blua
Verde = verda
Branco = blanka
Preto = nigra
Gris = griza
Laranja = oranga

Algumas palavras:

Homem = viro
Mulher = virino
Boi = bovo
Vaca = bovino
Casa = domo
Livro = libro
Pão = pano
Carne = viando
Gato = kato
Coruja = noktuo
Ônibus = buso.


(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)


Frases em Esperanto


Afabla vorto pli efika ol forto.
Uma palavra carinhosa é mais eficiente do que a força.

Agu kun aliaj, kiel vi volas, ke oni agu kun vi.
Não faça aos outros o que não queres que te façam.

Ĉiu simio sur sia branĉo.
Cada macaco no seu galho.

Diru al mi kun kiu vi havas rikoltojn, kaj mi diros al vi, kiu vi estas.
Diga-me com quem andas e te direi quem és.

El du malbonoj, pli malgrandan elektu.
Entre dois males, elega o menor.

Fiera mieno - kapo malplena.
Rosto orgulhoso - cabeça vazia.

For de la okuloj, for de la koro.
Longe dos olhos, longe do coração.

Malpli da posedo, malpli da tedo.
Menos posse, menos tédio.

Neleĝe akirita, ne estas profita.
Adquirido ilegalmente, não é proveitoso.

De onde vem a palavra “gaúcho”



Nem brasileiros, argentinos, uruguaios e chilenos se entendem. Tudo indica que não existe no Rio Grande do Sul uma etimologia mais controvertida do que a relacionada ao vocábulo “gaúcho”. Até um dos expoentes da nossa cultura do século passado, Augusto Meyer (1902-1970), realizou minuciosas pesquisas, apontou inúmeras versões, mas deu o assunto por encerrado sem adotar nenhuma.

O mineiro Guilhermino César (1908-1993), um rio-grandense por adoção, viu o caso como um “quebra-cabeça”. Na década de 1920, o mestre João Ribeiro já chegara a uma conclusão semelhante quando o considerou como um “problema insolúvel”. Mais recentemente, quando perguntaram a Barbosa Lessa sobre a origem da palavra, ele respondeu: “Ninguém sabe”. Citou o professor Fernando Assunção, que reporta ao francês “gauche” (esquerdo), mas sem muita convicção.

Dois estrangeiros, nossos vizinhos e interessados diretamente na matéria, foram um pouco além. O argentino Costa Alvarez – conforme pesquisas de Carlos Reverbel – chegou a encontrar 25 etimologias da palavra, e o uruguaio Buenaventura Caviglia Hijo ampliou esse número para 36. Segundo ele, a origem pode ter vindo de nada menos que 17 idiomas, do castelhano ao latim, passando por tupi-guarani e árabe. No final, Hijo conclui que gaúcho vem de “garrucho”, portador de garrocha (a nossa garrucha).

Temos ainda mais duas opiniões de estrangeiros. O chileno Rodolfo Lenz indica a palavra araucana “cachu” ou “cauchu” como possível origem. E o argentino Paul Groussac optou por “guacho”. Em resumo, até agora, parece que ninguém se entendeu. Sobre um aspecto do caso, porém, não pairam dúvidas. Durante mais de um século, a palavra “gaúcho” teve uma conotação nada simpática: marginal, ladrão, vagabundo, contrabandista, coureador, aquele que saqueava fazendas só para roubar o couro das reses, que chegou a valer quatro vezes o preço do gado em pé. Hoje, a palavra é tratada com orgulho e respeito por todos os rio-grandenses e está presente, em tom maior, no nosso cancioneiro: “Eu sou gaúcho, eu sou do Sul…”.


(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)


Palavras que vêm do latim


Professor Sérgio Nogueira



As chamadas línguas neolatinas (português, espanhol, francês, italiano e outras) tiveram a mesma origem: o latim falado pelos romanos, cujo império se estendeu por grande parte da Europa.


Por isso, há vários casos em que uma palavra em português é muito parecida com sua tradução em outra língua neolatina.

É o caso, por exemplo, do verbo perdoar. Veio do latim perdonare, formado de per (para) + donare (dar). Ou seja, perdoar, na sua origem, significa “para dar”. E assim a palavra latina perdonare foi parar em outras línguas neolatinas com esse mesmo significado de “para dar”:
- no francês: pardonner;
- no espanhol: perdonar;
- no italiano, perdonare.

Curiosamente, no inglês, perdoar também significa “para dar”: forgive.

Veja alguns casos interessantes de palavras da língua portuguesa importadas do latim.

Enfermo

Veio do latim infirmu, palavra formada de in + firmu, ou seja, não firme.

Estelionato

Veio do latim stellionatu, estelionato, fraude, que veio de stellio, um tipo de camaleão que tem a pele com manchas que parecem estrelas. Como estrela em latim é stella, o camaleão foi chamado de stellio.

Stellio ganhou o sentido de trapaceiro, pela capacidade do animal de mudar a cor da pele para se confundir com o ambiente — uma forma de defesa contra seus inimigos.

Estilo

Veio do latim, stilu, um ponteiro de metal, osso ou outro material, utilizado para escrever em tábuas enceradas. Tinha uma extremidade pontiaguda, para escrever, e a outra ponta, larga e chata, servia para apagar o escrito. Ainda no latim, a palavra stilu passou a ter o mesmo sentido atual de estilo em português, ou seja, modo de se expressar verbalmente ou por escrito.

Imbecil

Veio do latim imbecille, fraco fisicamente, doente, incapaz de sustentar-se (depois, fraco moralmente).
Imbecille se formou de im-, sem + bacillu, diminutivo de baculu, cajado, bastão. Assim, imbecille significava sem bastão, querendo dizer “sem sustentação”.
Depois, no francês, imbécile ganhou o sentido de idiota, com que passou para outras línguas neolatinas.

Aproveitando a viagem: a palavra latina baculu (cajado, bastão) originou o português báculo (bastão, sustentação) e o francês baguette, daí baguete. O diminutivo bacillu deu em português bacilo, que é uma bactéria com a forma de um bastãozinho.

Incesto

Do latim incestu (impureza, adultério, incesto), um substantivo derivado do adjetivo também escrito incestu (impuro, manchado, incestuoso).

O adjetivo foi formado de in-, não + castu, casto, puro.

Ônibus

Do latim omnibus, que significava “para todos”.

Prematuro

Do latim praematuro, formado de prae, antes + maturu, maduro.

Seu sinônimo tem história bem parecida: precoce veio do latim praecoce, formado de prae, antes + coquere, cozinhar, amadurecer.

Sardinha

Do latim sardina, que significa literalmente peixe da Sardenha, região da Itália onde o que não falta é sardinha.

Há casos em que a mesma palavra latina originou mais de uma palavra em português:
a) lucru - lucro e logro (qualquer semelhança de sentido não é mera coincidência);
b) arena - arena e areia;
c) vice - vez e vice;
d) superciliu - supercílio e sobrancelha (por isso não se deve dizer “sombrancelha”, mesmo que a pessoa tenha sobrancelhas tão espessas que façam sombra nos olhos);
e) solitariu - solitário e solteiro.






quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O que o sexo faz por você?



10 benefícios do sexo para a mulher

Revista Donna de Zero Hora

(24.01.2016)

Transar faz bem. Se saúde é um completo bem-estar físico, mental e emocional, fazer sexo faz parte deste pacote, como têm provado pesquisas mundo afora na comunidade científica. Mas principalmente se você chegar ao orgasmo: no clímax, há liberação de uma grande quantidade de hormônios, que trazem benefícios ao corpo, à mente e, inclusive, para a relação com o parceiro. Abaixo, enumeramos as principais vantagens relatadas por especialistas no tema.

01. Aumenta a disposição:

Com o orgasmo, se dá a liberação da dopamina, substância ligada às áreas cerebrais de recompensa e motivação, que provoca uma sensação de prazer, conferindo energia extra à mulher.

02. Emagrece:

Quem transa pratica atividade física. Durante o sexo, uma série de músculos do corpo é ativada e, dependendo das posições, é possível trabalhar uma boa parte da musculatura. A transpiração é um reflexo do gasto de energia e da queima de calorias. E quando é completa, ou seja, inclui preliminares e orgasmo, a transa pode corresponder à perda de até 400 calorias em uma hora – apenas 50 a menos do que o que se gasta em meia hora de esteira.

Publicada no Public Library of Science, uma pesquisa acompanhou 20 casais com idades entre 18 e 35 anos, que fizeram sexo todos os dias durante uma semana. O resultado apontou que, em média, eles perderam 4,2 calorias por minuto. Coordenador do estudo, Antony Karelis, professor de ciência do exercício na Universidade de Quebec, classificou o sexo como um exercício que pode ser um aliado para os mais sedentários.

03. Reduz o estresse:

O orgasmo libera também a ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, responsável pelo relaxamento. Mulheres que chegam lá com mais frequência ficam menos estressadas. Isto porque a substância induz às contrações típicas do orgasmo. Ao final, a mulher acaba tendo uma sensação de relaxamento que, consequentemente, pode melhorar a qualidade do sono.

 – Pesquisas provam que as mulheres que gozam com mais frequência sofrem menos com insônia – destaca a ginecologista e sexóloga Jaqueline Brendler, que integra a Associação Mundial de Saúde Sexual.

04. Diminui as chances de ter um infarto:

Um estudo da Univeristy Queen Belfast, na Irlanda, apontou que pessoas que praticam sexo com regularidade correm menos riscos de sofrer um infarto. Já outra pesquisa faz um alerta, como destaca Jaqueline:

– Mostrou que mulheres que enfartaram estavam muito mais insatisfeitas sexualmente porque não tinham prazer nenhum na transa e/ou não chegam ao orgasmo.

05. Previne endometriose:

A atividade sexual seguida de orgasmo durante a menstruação pode diminuir as chances de a mulher desenvolver endometriose.

– É como se a atividade sexual pudesse ter uma espécie de efeito protetivo contra a doença – explica Jaqueline.

06. Diminui dores:

A desculpa mais comum para se evitar uma transa é a tal dor de cabeça. Se a dor é a inimiga do prazer, o sexo pode ser um aliado contra a dor graças a outra substância: a endorfina, que tem efeito analgésico e calmante.

07. Melhora a autoestima:

Mulheres que praticam sexo saudável com frequência confiam mais no seu potencial. Pesquisas demonstram que aquelas que transam têm autoestima mais elevada se comparadas a mulheres que não transam. Segundo Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) da USP, a explicação é, novamente, a endorfina, responsável pela sensação de bem-estar, leveza e de conforto com o próprio corpo.

08. Beneficia a relação com o parceiro:

A mulher que tem orgasmo com mais frequência pode estabelecer um vínculo afetivo mais harmonioso com o parceiro – e conta para isso com a ajuda da ocitocina.

09. Ajuda na cicatrização:

Como destaca Carmita, a atividade sexual que inclui massagem, abraços e toques faz com que a mulher tenha uma melhor cicatrização das feridas da pele. E isso vai além de uma única transa, por exemplo. Pesquisas apontaram que, em geral, casais com estilo de vida mais carinhoso acabam desenvolvendo a capacidade de cicatrização de ferimentos na pele.

10. Reforça a musculatura da região pélvica:

A relação sexual regular é também uma atividade física para toda a musculatura da região pélvica feminina: tonifica os músicos da vagina e do períneo – mais ainda para mulheres no climatério. É uma forma de prevenir o prolapso genital, conhecido popularmente como “bexiga caída”.


Desenhos de Carlos Zéfiro



Tipos de comportamentos

Simples, Chique e Metida




Pessoa simples diz que está com dor de cabeça. Pessoa chique diz que está com enxaqueca. Pessoa metida diz que esta com cefaleia.

Pessoa simples diz que está cansada. Pessoa chique diz que esta exausta. Pessoa metida diz que está fatigada.

Pessoa simples diz que está podre de sono. Pessoa chique diz que está morta de sono. Pessoa metida diz que está encantada de sono.

Pessoa simples diz que está com dor de barriga. Pessoa chique diz que está com gases. Pessoa metida diz que está com cólica.

Pessoa simples transa. Pessoa chique diz que faz amor. Pessoa metida fornica.

Pessoa simples broxa. Pessoa chique falha. Pessoa metida experimenta disfunção erétil.

Pessoa simples tem crédito. Pessoa chique tem dinheiro. Pessoa metida tem investimentos.

Pessoa simples almoça. Pessoa chique faz refeição. Pessoa metida degusta.

Pessoa simples come mocotó. Pessoa chique come dobradinha. Pessoa metida come cassoulet.

Pessoa simples descansa. Pessoa chique mergulha em ócio criativo. Pessoa metida procrastina.

Pessoa simples elogia o sol. Pessoa chique elogia o céu de brigadeiro. Pessoa metida elogia a velocidade do vento.

Pessoa simples explode. Pessoa chique surta. Pessoa metida toma banho de loja.

Pessoa simples fica louca. Pessoa chique fica estressada. Pessoa metida fica sobrecarregada.

Pessoa simples é barraqueira. Pessoa chique tem atitude. Pessoa metida tem personalidade forte.

Pessoa simples procura cartomante. Pessoa chique procura terapeuta. Pessoa metida recebe os dois nem casa.

Pessoa simples trabalha. Pessoa chique atende compromissos. Pessoa metida vai verificar a agenda.

Pessoa simples chama os amigos. Pessoa chique organiza eventos. Pessoa metida realiza open house.

Pessoa simples termina a relação. Pessoa chique pede um tempo. Pessoa metida viaja para a Tailândia.

Pessoa simples enche a cara. Pessoa chique bebe socialmente. Pessoa metida não lembra de nada.

Pessoa simples dá um presente. Pessoa chique dá uma lembrança. Pessoa metida dá um agrado.

Pessoa simples pede desculpas porque peidou. Pessoa chique comenta que está com flatulência. Pessoa metida avisa que não foi ela.

Pessoa simples esquece o encontro. Pessoa chique desmarca o encontro. Pessoa metida coloca a culpa na secretária.

Pessoa simples relaxa com uma chuveirada. Pessoa chique relaxa com uma ducha. Pessoa metida relaxa com imersão no ofurô.

Pessoa simples migra. Pessoa chique viaja. Pessoa metida realiza turnê.

Pessoa simples usa Bom Ar. Pessoa chique usa incenso. Pessoa metida usa aromatizante.

Pessoa simples assiste à novela. Pessoa chique assiste a séries. Pessoa metida assiste a quedas da bolsa de valores.

Pessoa abre a porta com chave. Pessoa chique abre a porta com senha. Pessoa metida abre a porta com impressão digital.

Pessoa simples é demitida. Pessoa chique é remanejada. Pessoa metida passa por reposicionamento de carreira.

Pessoa simples anuncia que está feliz. Pessoa chique confessa que está realizada. Pessoa metida jamais entrega a sua alegria.



Fabrício Carpinejar em Zero Hora.

Carpinejar por Arth Silva



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Siglas

Luís Fernando Veríssimo



– Bota aí: “P”
– “P”?
– De “Partido”.
– Ah.
– Nossa proposta qual é? De união, certo? Acho que a palavra “União” deve constar do nome.
– Certo. Partido de União...
– Mobilizadora!
– Boa! Dá a ideia de ação, de congraçamento dinâmico. Partido da União Mobilizadora. Como é que fica a sigla?
– PUM.
– Não sei não...
– É. Vamos tentar outro. Deixa ver. “P”...
– “P” é tranquilo.
– Acho que “Social” tem que constar.
– Claro. Partido Social...
– Trabalhista?
– Fica PST. Não dá.
– É. Iam acabar nos chamando de “Ei, você”.
– E mesmo “trabalhista”, não sei. Alguém aqui é trabalhista?
– Isso é o de menos. Vamos ver. “P”...
– Quem sabe a gente esquece o “P”?
– É. O “P” atrapalha. Bota “A”, de Aliança. Aliança Inovadora...
– AI.
– Que foi?
– Não. A sigla. Fica AI.
– Espera. Eu ainda não terminei. Aliança Inovadora... de Arregimentação Institucional.
– AIAI... Sei não.
– É. Pode ser mal interpretado.
– Vanguarda Conservadora?
– Você enlouqueceu? Fica VC.
– Aliança Republicana de Renovação do Estado.
– ARRE!
– O quê?
– Calma.
– Espera aí, pessoal. Quem sabe a gente define a posição ideológica do partido antes de pensar na sigla? Qual é, exatamente, a nossa posição?
– Bom, eu diria que estamos entre a centro-esquerda e a centro-direita.
– Então é no centro.
– Também não vamos ser radicais...
– Nós somos a favor da reforma agrária?
– Somos, desde que não toquem na terra.
– Aceitaremos qualquer coalizão partidária para impedir a propagação do comunismo no Brasil.
– Inclusive com o PCB e o PC do B?
– Claro.
– Não devemos ter medo de acordos e alianças. Afinal, um partido faz pactos políticos por uma razão mais alta.
– Exato. A de chegar ao poder e esquecer os pactos que fez.
– Partido Ecumênico Republicano Unido.
– PERU?
– Movimento Institucionalista Alerta e Unido.
– MIAU?
– Que tal KIM?
– O que significa?
– Nada, eu só acho o nome bonito.
– MUMU. Movimento Ufanista Mobilização e União.
– MMM... Movimento Moderador Monarquista.
– Mas nós somos republicanos.
– Eu sei. Mas por uma boa sigla a gente muda.
– TCHAU.
– Hum, boa. Trabalho e Capital em Harmonia com Amor e União?
– Não, é tchau mesmo.
– Aonde é que você vai?
– Abrir uma dissidência.

Os segredos de um beijo



Dizem que o primeiro beijo a gente nunca esquece. É verdade! Assim como o primeiro amor, a primeira vez que se faz sexo... Uma pessoa pode até apagar os rostos de alguns parceiros que já teve, mas o primeiro beijo não dá para deixar de lembrar não. Fica guardado na memória afetiva, no coração, e sempre é tema das conversas de meninos e meninas, homens e mulheres.

Um beijo apaixonado, que aquece os lábios e faz despertar um interesse pelo outro que não se explica, apenas se sente, não tem igual... Em qualquer idade ele transtorna e faz com que o coração fique aos pulos de tanta alegria. É o início do despertar do corpo, da loucura do desejo. Tudo se modifica e se quer ficar pertinho para sentir o quentinho do corpo do outro. Uma delícia! Por exemplo, até o beijo que sela o matrimônio - fotografado, ensaiado ou não, sempre surpreende, porque ninguém consegue dar um beijo formatado, de um jeito ou de outro. É preciso clima, e mesmo esse - que todo mundo sabe que vai acontecer - passa uma energia desigual, que vai depender do que um e o outro sente. Pois é, beijo sem emoção não dá não!

Sair beijando todo mundo na noite desfaz o feitiço do beijo. É o “beijo sem gosto”. Lembre-se que o encontro dos lábios é o começo de tudo, portanto nada de banalizar!

O beijo de despedida, com a saudade apertando a garganta, é um beijo "tremido", misturado com o choro, que faz "biquinho" e que transmite algo lindo para quem se ama. Ninguém resiste. Repara só como o beijo que se assiste na TV ou na sala do cinema quando está carente, sem alguém num sábado à noite para fazer companhia paralisa. Dá um nó nos sentimentos e faz com que as lembranças venham aos montes.

Ah, que saudade daquele alguém que trocava beijinhos tão gostosos! É o cheiro da pessoa amada que ainda está no pensamento. Vontade de estar com ela e matar a saudade, voltar o filme, fazer o que era certo e esquecer o errado para sempre. Querer dar de novo um beijo que foi bem dado faz esquecer até os maus momentos.

E o beijo do sexo? Quantos casais esqueceram esse item numa relação de amor? E como é importante! O começo de tudo, a explosão inicial, a centelha, a fagulha, o fogo que apaixona e dá vontade de se entregar. O toque suave dos lábios que vai se tornando ardente. Sua umidade no corpo um do outro. O calor dos lábios aumenta quando a atração é incrível. O parceiro sente os beijos como brasa passando na pele. Vai aos lugares mais íntimos, como se fosse um "explorador", descobrindo "terras novas", "lugares repletos de riquezas", pedaços de nós mesmos tão gostosos e que nem sabíamos que existiam, mas que tocados pelos lábios quentes de alguém amado surpreende e ilumina a mente, transborda o doce líquido da alma, escorre até uma lágrima no rosto se for permitido.

É verdade... Um beijo desperta emoções incríveis. Mesmo que o tempo passe, dois amantes que souberam aproveitar esses contatos de lábios tão íntimos e deliciosos não vão querer apagá-los da memória.

Acredita-se que o beijo tenha surgido 500 anos a.C., época em que os amantes começavam a ser retratados nas esculturas e nos murais dos templos de Khajuraha, na Índia. Mas existem muitos outros estudos interessantes sobre sua origem. A palavra "beijo" é derivada do latim "basium", que é o beijo romântico, apaixonado, na boca. "Saevium", o beijo delicado e terno e "osculum", o que é dado na face. Mas em qualquer língua - "kiss", "beso", "kissu", "küchen", "baiser", "tzub", "su-ub", "pitér", "felia", "xkyss", "potselui", "neshiká" -, seja ela qual for, é o início de tudo.

O beijo de língua corresponde a um ato sexual leve. Portanto, relação sexual sem beijo fica faltando alguma coisa... E por que não dizer muita coisa? Se o beijo starta o clima, então, fazer amor sem beijo talvez tenha outro nome. Quem sabe apenas um "escape"?

O beijo tem a ver com a conquista e o afeto, por isso que é praticamente inexistente quando os casais estão em crise. Bem, além de tudo, ele é um sinalizador para a temperatura da relação. Durante um beijo a pulsação cardíaca pode subir para algo em torno de cento e cinqüenta batimentos por minuto. Movimenta vinte e nove músculos, sendo doze dos lábios e dezessete da língua e queima de três a quinze calorias num beijo intenso.

É ótimo também para a saúde mental e física. O gosto doce do beijo é porque está havendo entrega, interesse. Mas quando o gosto se torna ácido é sinal de que a adrenalina está disparada e sinaliza que a coisa perdeu o controle e a curtição pode ser total. Então aproveite! Beijo também tem ápice, isto é, pode levar uma mulher ao orgasmo. Pode acreditar. Sair beijando todo mundo na noite desfaz o feitiço do beijo. É o "beijo sem gosto". Lembre-se que o encontro dos lábios é o começo de tudo, portanto nada de banalizar! Deve ser tratado com mimo, doçura e respeito. Beijo de "bêbado", por exemplo, desaparece em um minuto. No dia seguinte então, nem deixa rastros... E o melhor de um beijo é a saudade de repetir.

Mas não deixe de beijar o seu amor, o ficante habitual, amante, namorado ou namorante, não importa. Um beijo diz muitas coisas que não dariam escritos neste texto. Mas é bom lembrar que um beijo é um "lacre" de um tempo que está sendo vivido ou que foi vivido. Sela um documento que tem valor e não um simples ato que nada vale. Beijar é bom mesmo, daí as belas histórias que ficaram em nossas fantasias como a da "Bela Adormecida! E quem não gostaria de ser despertado por um príncipe? Ou por uma princesa?

Quando beijar relaxe! Se entregue e curta os movimentos dos lábios, da língua... Sinta o sabor do que tem dentro do parceiro, porque o beijo é um meio de comunicação, se não for bom, não rola. Encoste-se no corpo do outro, faça carinho no rosto, sinta o cheiro do pescoço, o calor e a temperatura subirem. É bom demais!

O "beijo mágico" - o que leva os pensamentos à loucura, desfaz as "neuras", desmistifica os medos e nos faz plenos. O beijo "bom" traz tranqüilidade, segurança e êxtase. Nada como beijar e se sentir realizado(a). Isso porque, com certeza, esses lábios se pertencem, nem que seja por um ano, dois ou mais tempo - quem sabe até por alguns minutos? Mas não esqueça jamais!

Lábios bonitos, bem torneados, mas sempre fechados, não "pedem" um beijo. É preciso sorrir, mostrar a felicidade, e através dela fazer um convite para alguém dividir o mais sublime toque entre duas pessoas - um beijo. E com sorte e muito desejo, conhecer os seus segredos.


(Do blog Bolsa de Mulher)

Continua...



Benefícios dos beijos


1 – Beijar ajuda a reduzir a tensão arterial:

Beijar não apenas coloca nossas emoções em funcionamento, mas também nos permite exercitar-nos fisicamente. Demirjian diz que “beijar apaixonadamente consegue acelerar seu batimento cardíaco de uma forma saudável, que ajuda a baixar a pressão arterial.” Também garante que beijar dilata os vasos sanguíneos, fazendo com que o sangue chegue mais facilmente a todos os órgãos vitais.

2 – Beijar evita câibras, cólicas menstruais e dores de cabeça:

De acordo com Demirjian, beijar é ótimo se você tem uma dor de cabeça ou cólicas menstruais. A dilatação dos vasos sanguíneos causada por uma boa sessão de beijos pode ajudar a aliviar a dor. Na verdade, Demirjian recomenda a substituição do antigo “Esta noite não, estou com dor de cabeça” por “Querido, minha cabeça dói, venha e me dê um beijo”.

3 – Beijar combate as cáries:

Quando você está beijando, está secretando mais saliva na boca, diz Demirjian. Esse é o mecanismo que lava a placa dos dentes que leva às cáries.

4 – Beijar aumenta os hormônios da felicidade:

“Se você se sente estressado ou degradado, beijar é realmente o elixir que você precisa para se sentir melhor“, diz Demirjian. É que os beijos incentivam a produção dos hormônios que nos fazem sentir melhores, como a serotonina, dopamina e oxitocina.

5 – Beijar ajuda a queimar calorias:

Não muitas, mas é alguma coisa. Uma sessão de beijos vigorosa pode queimar de 8 a 16 calorias por beijo, disse Demirjian. Mas, para queimar as calorias você “deve ter um beijo apaixonado”.

6 – Beijar aumenta a autoestima:

Um estudo alemão descobriu que os homens que receberam um bom beijo de suas esposas antes de ir trabalhar ganhavam mais dinheiro. “Se ele sai de casa feliz, ele é mais produtivo no trabalho, porque não se sente emocionalmente angustiado, então vai ganhar mais dinheiro”, disse Demirjian. Beijar tem muito a ver com a sua autoestima e com se sentir amado e conectado.

7 – Beijar é um excelente tratamento anti-idade:

Demirjian diz que os beijos profundos ajudam a colocar em forma os músculos do pescoço e da mandíbula, que frequentemente são os pontos problemáticos para quem se preocupa com o envelhecimento cutâneo e com as rugas. Muitos músculos do rosto estão conectados à boca, e se tonificam quando são usados para beijar.

8 – Beijar é um barômetro de compatibilidade sexual:

Demirjian diz que os beijos podem ser uma excelente maneira de comprovar a compatibilidade sexual com outro antes de se envolver mais.


(Do Blog A Mente é Maravilhosa)

Redes sociais deram voz a legião de imbecis

Umberto Eco


Crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade".

A declaração foi dada nesta quarta-feira (10.06.2015), durante o evento em que ele recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália. "Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel", disse o intelectual.

Segundo Eco, a TV já havia colocado o "idiota da aldeia" em um patamar no qual ele se sentia superior. "O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade", acrescentou.

O escritor ainda aconselhou os jornais a filtrarem com uma "equipe de especialistas" as informações da web, porque ninguém é capaz de saber se um site é "confiável ou não".

Escritor e filólogo Umberto Eco criticou o papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação; "Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel", disse o intelectual; segundo Eco, a TV já havia colocado o "idiota da aldeia" em um patamar no qual ele se sentia superior; "O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade", completou.



Um teste para seu DNA golpista

Elio Gaspari


Golpe, a praga que envenenou a República, voltou ao cotidiano. Há genes golpistas nas almas mais puras. Milton Campos (1900-1972), um liberal exemplar, serviu como ministro da Justiça à ditadura envergonhada do marechal Castelo Branco. O golpismo afeta cabeças à direita ou à esquerda. Como ninguém gosta de ser chamado de golpista, derrubado o governo que se detesta, inventa-se outra palavra e saúda-se a nova ordem.

Sempre é bom lembrar que o governo mais estável da História nacional, o de D. Pedro II, durou 49 anos e nasceu com o golpe parlamentar que proclamou sua maioridade aos 14 anos.

Aqui vai um teste com dez episódios para que cada um possa examinar seu DNA. Indo em direção ao passado, marque a situação em que ocorreu um golpe. Ele pode ter sido parlamentar, vindo do Congresso, militar, trazido pelos tanques, ou misto.

1969: O presidente da República, marechal Costa e Silva teve uma isquemia cerebral e estava incapacitado. Os três ministros militares chamaram o vice, Pedro Aleixo, disseram que não assumiria e formaram uma Junta Militar. Seriam chamados de “os três patetas”. Foi golpe?

1968: O marechal Costa e Silva baixou o Ato Institucional nº 5, fechou o Congresso e suspendeu liberdades públicas. Golpe?

1964: Depois de uma revolta militar, o presidente do Congresso declarou vaga a Presidência da República e extinguiu o mandato de João Goulart. Os vitoriosos chamaram o movimento de “Revolução”. Durante a ditadura, falar em golpe podia trazer problemas. Hoje, falar em “Revolução” é politicamente incorreto.

1961: Depois da renúncia de Jânio Quadros, os ministros militares recusaram-se a empossar o vice-presidente João Goulart. Com o país à beira de uma guerra civil, em poucos dias o Congresso votou uma emenda parlamentarista, mutilando os poderes de Jango, e ele assumiu. Até agora o teste havia sido fácil. Foi golpe?

1955: O presidente Café Filho teve um enfarte, e assumiu o deputado Carlos Luz. Ele demitiu o ministro da Guerra, Henrique Lott, e em poucas horas foi deposto pela tropa. O Congresso votou o impedimento de Luz e empossou o presidente do Senado, Nereu Ramos. Café tentou reassumir, a tropa voltou a se mover, e o Congresso votou seu impeachment. Foi golpe?

1945: A tropa depôs o ditador Getúlio Vargas, que convocara eleições para eleger seu sucessor. Elas deveriam ser realizadas no dia 2 de dezembro, mas Getúlio foi deposto em outubro, e tomou posse o presidente do Supremo Tribunal Federal. O general Eurico Dutra foi eleito, e em 1946 instalou-se uma Assembleia Constituinte. Foi golpe?

1937: Com o apoio da tropa, Getúlio Vargas fechou o Congresso, suspendeu a eleição presidencial que marcara e criou o Estado Novo. Fácil.

1930: Candidato derrotado na eleição presidencial, Getúlio Vargas liderou uma revolta, e a guarnição do Rio de Janeiro depôs o presidente Washington Luís. Foi golpe ou foi a “Revolução de 1930”?

1891: O marechal Deodoro da Fonseca renunciou ao cargo, e assumiu o vice, Floriano Peixoto. A Constituição mandava que fossem realizadas novas eleições. Floriano botou pra quebrar e governou até 1894. Chamaram-no “Marechal de Ferro”. Deu golpe?

1889: No 49º ano de seu reinado, D. Pedro II foi deposto pela guarnição do Rio de Janeiro e banido do país com toda sua família. Proclamou-se a República. Golpe?

Quem marcou que houve golpe em todos os dez casos tem algo de Joaquim Nabuco ou Sobral Pinto no seu DNA. Fernando Henrique Cardoso marcou nove casos, excluindo o episódio da emenda parlamentarista de 1961. Quem não viu golpe em 1889, 1930 e 1945 tem uma inclinação para apoiar “golpes para o bem”. Quem aceitou as intervenções de 1937, 1964, 1968 e 1969 é um golpista de plantão.

Em todos os dez episódios listados, houve um ingrediente que felizmente saiu do baralho em 1985 com a eleição de Tancredo Neves: a anarquia militar. Salvo no golpe de 1969, nunca houve intervenção militar sem que houvesse civis pedindo-a. Em quase todos os casos, haviam perdido eleições ou temiam perdê-las.

*****

2016: Os golpistas estão, novamente, soltos por aí...