quarta-feira, 30 de abril de 2014

Bolsa de mulher


       

Finalmente revelado um dos segredos mais bem guardados do universo, a bolsa das mulheres... Desde que nascem, as coitadas das mulheres já carregam a velha sina de andar com bolsas. O tipo de bolsa e o seu conteúdo determinam a idade que você tem. Avalie-se:

De 0 a 6 meses:

Sua bolsa é da loja infantil, todinha rosa, e custou por volta de R$ 200,00. O que tem dentro:

- Um pacote de fraldas descartáveis creminhos e lencinhos, tudo rosa;
- Duas chupetas rosa;
- Três mudas extras de roupinhas rosas;
- Uma mamadeira com leite com a tampa rosa;
- Uma infinidade de paninhos rosas;
- Uma pequena farmácia.

10 anos de idade:

Sua bolsa tem a Barbie estampada na frente, e custou por volta de R$ 50,00. O que tem dentro:

- Prendedores e fivelinhas coloridas chicletes;
- Diário íntimo da Barbie;
- Pente fluorescente com cheirinho de morango;
- Foto do Kaká;
- 5 Reais;
- Telefone Celular da Xuxa ou Sandy & Jr;
- Carteirinha do Colégio;
- Chave do diário da Barbie e do cadeado da bicicleta;
- Um panda.

20 anos de idade:

Sua bolsa é do camelô ou da feirinha, e não custou mais de R$15,00... O que tem dentro:

- Óculos com lentes coloridas;
- Anticoncepcionais e camisinha;
- Agenda;
- Escova e batom;
- Foto do namorado;
- Dinheiro trocado;
- Telefone Celular que troca a frente e toca musiquinha;
- Chaves de casa;
- Um CD Player portátil, Mp3 ou MP4;
- Três CDs.

30 anos de idade:

Sua bolsa é da Victor Hugo ou Louis Vuiton, não custou menos de R$2.000,00. O que tem dentro:

- Óculos de sol;
- Adoçante em saquinho;
- Agenda eletrônica;
- Necessaire (combinando com a bolsa);
- Foto do seu bebê, quando tem filho;
- Cartão do banco;
- Telefone Celular pequeno e moderno;
- Chaves de casa e do carro.

40 anos de idade:

Ainda usa a mesma bolsa dos 30, afinal foi caríssima... O que tem dentro:

- Óculos de sol e de grau;
- Lexotan;
- Telefone Celular desligado ou sem bateria;
- Pinça de depilação e algumas lixas de unha;
- A mesma foto de sempre do seu bebê;
- Cartão do banco, de crédito e débito;
- Chaves de casa, do carro e do escritório;
- Um par de meias finas sobressalente.

Aos 50 anos de idade:

Sua bolsa é emprestada da filha de 20 anos, para parecer mais jovem (e ainda economizou)... O que tem dentro:

- Dois pares de óculos (um para perto e um para longe);
- Lexotan e Prozac ou genérico;
- Remédio para pressão, estômago e enxaqueca;
- Livro de auto-ajuda;
- Perfume, desodorante e baton;
- Três fotos 3x4 velhas;
- (Esqueceu o Telefone Celular em casa);
- Cartão do banco, de crédito e talão de cheques;
- Chaves de casa, do carro, escritório e do ap. da praia ou do sítio;
- Barrinhas de cereais ou uma maçã.

Aos 60 anos de idade:

Suas bolsas são: um saco de crochê com alcinhas finas e um saco plástico e uma sacola de papel de loja de roupas, tudo junto... O que tem dentro:

- Dois pares de bifocais (um deles com a haste quebrada);
- Uma pequena farmácia (remédios todas as mazelas);
- Cartão de gratuidade do ônibus;
- Cartão-telefônico para orelhão;
- Agenda telefônica com as folhas caindo;
- Sombrinha dobrável;
- Fotos dos pais ou dos netinhos;
- Porta-moedas;
- Um saquinho plástico (só quem tem 60 ou mais sabe pra que serve isso);
- Chave de casa e da casa dos filhos;
- Uma sacolinha com um tuppeware.



Noblesse oblige

(A nobreza manda.)

Millôr Fernandes


No incêndio do apartamento grã-fino não se esqueça do Copo de Bombeiros: use sempre a entrada de serviço.

Querido, querido – gritava a esposinha grã-finíssima voltando do ginecologista –, uma bela surpresa pra você: temos que comprar uma cobertura com mais um quarto.

Na caricatura famosa de Steinberg, o homem que se afoga e grita: “Au secours! Au secours! Savez moi! Se não é francês, é o maior esnobe do mundo.

Outro cúmulo do esnobismo é ir ao autódromo levando chofer.

Para comer perdiz o verdadeiro esnobismo é usar traje de caça.

No campo de polo, o homem do Chicabon não entra. Quem passa é sempre um mordomo de libré, gritando: “Crèpre Suzete! Crèpre Suzete! Quem vai querer?”

E o novo-rico chamou o secretário e ordenou: “Gabriel, sinto que vou ficar gripado – saia imediatamente e compre-me um hospital.”

A senhora grã-fina, que se diverte com a jardinagem, gasta vidros inteiros de perfume francês para melhorar o odor dos adubos.

Para evitar ladrões, os muros das casas grã-finas devem ser protegidos com cacos de garrafas de champanha.

É célebre também é da menina grã-fina que, quando a professora mandou fazer uma composição sobre a pobreza, escreveu: “Era uma vez uma família muito pobre. O pai era pobre. A mãe era pobre. O mordomo era pobre. E todos os empregados eram paupérrimos.”

- Doutor, o banho está pronto.
- Tome-o por mim que estou com muita preguiça. Veja, porém, que a água não esteja muito quente.

Grã-fina mesmo, porém, era a marquesa italiana. Mantinha sempre a fonte erguida que, em toda sua vida, jamais soube com quem estava falando.

Na piada de Nássara, o nobre, quando o mordomo lhe diz: “Senhor barão, parece que vamos ter chuva”, não perde a oportunidade de pôr os pontos nos is: “Meu caro, Johnson, vamos ter chuva, não senhor! Você terá a sua e eu terei a minha!”

Afogavam-se os dois grã-finos. Ele começou a berrar de tal maneira que o sangue azul subiu às nobres faces da esposa e esta censurou: “Didu, pelo amor de Deus, não grite tão alto, senão todo mundo vai ouvir!”

(O Pasquim – Antologia – Volume II -1972-1973)




Parabéns a você



Não mais do que cinco minutos foi o tempo que Bertha Celeste Homem de Melo levou para fazer a versão brasileira de Happy Birthday em 1940. Bertha morreu em agosto de 1999, aos 97 anos, vítima de infecção pulmonar, em Jacareí, no Vale do Paraíba (SP). A professora morava na cidade havia 40 anos, mas foi enterrada em Pindamonhangaba, onde nasceu em 21 de março de 1902. Ela criou Parabéns a Você, cantada até então apenas em inglês, para disputar a concurso de quadrinhas promovido pelo Programa do Almirante, da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, para escolher a melhor tradução da trilha sonora mais famosa dos aniversários brasileiros.

A forma correta de cantar:

Parabéns a você,
Nesta data querida,
Muita felicidade,
Muitos anos de vida.


Obs.: Muitos cantam, no primeiro verso, parabéns pra você, e, no terceiro, cantam muitas felicidades, mas a felicidade é única e os anos podem ser muitos.


Com a encantadora forma “parabéns!” expressamos precisamente isto: que o bem conquistado, a meta atingida, seja usada “para bens”. A aglutinação da preposição “para” com o substantivo “bem” é confirmada, por exemplo, por Antônio Geraldo da Cunha, em seu Dicionário Etimológico. Em nossa herança cultural, do cristianismo medieval, o mal não tem existência própria, por si: ele é antes uma distorção do bem. E, como se sabe, qualquer bem obtido pode ser usado “para bens” ou “para males”, pode contribuir para a auto-realização ou para autodestruição. Pensemos nos casos de um amigo que ganha a medalha de ouro, ou se elege deputado ou tira a carta de motorista, ou obtém o diploma de advogado... É evidente que essas conquistas – em si boas – podem também ser para males. Por isso, o dom fundamental da vida é celebrado com votos de parabéns...

* * * * * * *

O peso dos “pêsames”


“Carregava uma tristeza...”, diz o antigo samba de Paulinho da Viola: a tristeza é – evidente – um peso, os famosos pesares...! E, para carregar o peso da dor, da tristeza, nada melhor – ensina Santo Tomás – do que a ajuda dos amigos: “Porque a tristeza é como um fardo pesado que se torna mais leve para carregar quando compartilhado por muitos: daí que a presença dos amigos seja tão apreciada nos momentos de dor.”

Compreende-se, assim, imediatamente, eu a expressão de condolências (“doer-se com”) seja pêsames, literalmente: pesa-me (“eu te ajudo a carregar o peso desta tua tristeza”). O étimo é confirmado por Antônio Geraldo da Cunha, em seu Dicionário Etimológico (Nova Fronteira), segundo quem “pêsame” vem de peso, resultado da ação que a gravidade exerce num corpo, daí “pesa-me”.

(Da Revista Língua Portuguesa – número 4)


Dia do Professor Politizado



“Sou professor a favor da decência contra o despudor,
a favor da liberdade contra o autoritarismo,
da autoridade contra a licenciosidade,
da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.

Sou professor a favor da luta constante
contra qualquer forma de discriminação,
contra a dominação econômica dos indivíduos
ou das classes sociais.

Sou professor contra a ordem capitalista vigente
que inventou esta aberração: a miséria na fartura.

Sou professor a favor da esperança que me anima
apesar de tudo.

Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.

Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática,
boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar,
se não brigo por este saber,
se não luto pelas condições materiais necessárias
sem as quais meu corpo, descuidado,
corre o risco de se amofinar
e de já não ser testemunho que deve ser de lutador pertinaz,
que cansa, mas não desiste.”

Paulo Freire - Pedagogia da Autonomia



O paraíso negado



Quando o Talibã assumiu o poder em Cabul (capital do Afeganistão), em setembro de 1996, 16 decretos foram transmitidos pela Rádio Sharia. Uma nova era estava começando.

01.  É proibido às mulheres andar descoberta.

02.  Proibição contra a música.

03.  É proibido barbear-se.

04.  Oração obrigatória.

05.  É proibido criar pombos e promover rinhas de aves.

06.  Erradicação das drogas e de seus usuários.

07.  É proibido soltar pipas.

08.  É proibido reproduzir imagens.

09.  Estão rigorosamente proibidos os jogos de azar.

10.  É proibido usar cortes de cabelo no estilo americano ou inglês.

11.  São proibidos empréstimos a juros, taxas de câmbio e de transações.

12.  É proibido lavar roupas à margem dos rios.

13.  Músicas e danças são proibidas em festas de casamento.

14.  É proibido tocar tambor.

15.  É proibido alfaiates costurar roupas femininas ou tirar medidas das mulheres.

16.  É proibida a prática de bruxarias.

Além destes 16 decretos, foi divulgado um apelo às mulheres de Cabul.


Mulheres, vocês não devem sair de suas casas. Caso o façam, não devem se vestir como aquelas mulheres que costumavam andar com roupas da moda, muito maquiadas e se exibindo para qualquer homem quando o Islã ainda não chegara ao país.

O Islã é uma religião salvadora e determinou que as mulheres devem ter uma dignidade especial. As mulheres não devem atrair a atenção de pessoas nocivas que lhes dirijam olhares maliciosos. As mulheres são responsáveis pela educação e união da família, pela provisão de alimentos e vestuário. Caso precisem sair de casa, devem se cobrir de acordo com a lei da Sharia, Se andarem com roupas da moda, ornamentadas, apertadas e atraentes para se exibir, serão condenadas pela Sharia Islã e perderão a esperança de um dia chegar ao paraíso. Serão ameaçadas, investigadas e duramente punidas pela polícia religiosa, assim como os membros mais velhos da família. A polícia religiosa tem o dever de combater estes problemas sociais e continuará com seus esforços até ter erradicado o mal.

Allahu akbar – Deus é grande.

(Do livro “O Livreiro de Cabul”, de Asne Seierstad)



Pérolas periciais


O perito José Eduardo Besaglia colecionou uma série de pérolas do português criminalístico extraída de laudos de colegas e de processos, em seu livro Perícias e peripécias.


Þ Atropelamento animal: “os melhores ferimentos localizavam-se no ombro esquerdo do cavalo”.

Þ Locais de homicídio: “deparamos com um cadáver morto, em decúbito dorsal, com as costas no chão” ou “o corpo, assistido por formigáceas, jazia ao leito de imensas mistáceas”.

Þ Bens para penhora: “O material é imprestável, mas pode ser utilizado.”

Þ Despacho judicial: “Arquive-se esta execução porque o exequente foi executado (à bala) pelo devedor.”

Þ Encerramento de um processo: “Os anexos seguem em separado.”

Linguagem poética

Policial à paisana, talvez delegado, contando como atirou em dois homens que tentavam assaltar o cobrador e os passageiros do ônibus em que viajava; matou um e feriu o outro:

- Quando os elementos consumaram o delito, dei voz de prisão a eles. Foi quando os mesmos esboçaram reação onde houve a troca de tiros.

No motel

A maior familiaridade de agentes da lei, escrivães e peritos com o português pode evitar vexames clássicos como o de um boletim de ocorrência registrado em 2 de abril de 1993, pelo Motel Estância dos Executivos, em Catanduva (SP). O incidente, a destruição parcial de um motel em decorrência das chuvas, teve a seguinte descrição hiperbólica e eufêmica:

“Chovia torrencialmente. De inopino no meio da torrente, os elementos em fúria manifestam-se sob a forma de uma faísca elétrica que, com um vigor moralista, precipita-se sobre o Motel Estância dos Executivos. O estrépido é ensurdecedor, assustando vários casais que, cansados, lá se preparavam após um longo dia de serviço para pernoitar. Inicialmente, a reação é de fuga. Após o passo-a-passo, os funcionários do motel retornam para avaliar a macabra situação. A maioria dos aparelhos de TV e vídeo queimados, além dos portões elétricos que, assustados, se escancararam e recusaram-se terminantemente a movimentarem-se. Banheiros de hidromassagem inoperantes para sua medicinal função.”

De olho no seguro, os representantes do motel queriam um registro formal do incidente. Premidos pelo preenchimento burocrático de um boletim-padrão, mas sem saber a que categoria atribuir a ocorrência, o escrivão e o delegado da 2ª DP em Catanduva acharam por bem indiciar o único responsável imaginável àquela altura: São Pedro.

Não consta que o suspeito tenha sido localizado.


(Da Revista Língua Portuguesa – número 10)



Dom Hélder



O papa João Paulo II o chamou de "irmão dos pobres e meu irmão".

Dom Hélder Câmara nasceu em 7 de fevereiro de 1909 e morreu, aos 90 anos, em 28 de agosto de 1999.

Foi um dos maiores líderes da Igreja Católica brasileira, considerado o pioneiro no movimento renovador conhecido por “opção pelos pobres”. Nomeado arcebispo de Olinda e Recife em 1964, foi acusado de comunista por suas denúncias de violação de direitos humanos no regime militar e por seus trabalhos com movimentos populares – criou as Comunidades Eclesiais de Base.

Respeitado internacionalmente, só não recebeu o Prêmio Nobel da Paz porque no início dos anos 70, período da ditadura, o governo (1969-74), secretamente, moveu uma campanha contra a sua candidatura; no entanto, o povo o elegeu cardeal, sem nunca ter sido e um verdadeiro representante da paz.

Frases de Dom Hélder

“Pobreza é suportável, mas miséria é um acinte à natureza humana”.

“Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo...”

“Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio...”

“Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante... Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo...”

“... quando dou pão aos pobres, chamam-me de santo, quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista...”

“Quem é despertado para as injustiças geradas pela má distribuição da riqueza, se tiver grandeza d´alma captará os protestos silenciosos ou violentos dos pobres. E o protesto dos pobres é a voz de Deus.”

“Faze com alma o que na vida te for dado fazer, mas não esqueças nunca de integrar-te nos grandes planos de Deus.”

“É importante alertar contra a tentação do egoísmo. A experiência demonstra que o egoísmo é fonte segura de infelicidade pessoal e de infelicidade em torno de si.”

“Esperança é crer na aventura do amor, jogar nos homens, pular no escuro, confiando em Deus.”

“O segredo de ser jovem, mesmo quando o anos passam, deixando marcas no corpo, é ter uma causa a que dedicar a vida.”

“Os homens gastam-se tanto em palavras que não conseguem entender o silêncio de Deus.”

“As pessoas te pesam. Não as carregues nos ombros. Leva-as no coração.” 


Dom Helder pot Liberati


Oração ao pão




Guerra Junqueiro


Com quantos grãos de trigo um pão se fez?
Dez mil talvez?

Dez mil almas, dez mil calvários e agonias,
Todos os dias,
Para insuflar alentos n'alma impura
Duma só criatura!

Homem, levanta a Deus o coração,
Ao ver o pão.

Ei-lo em cima da mesa do teu lar;
Olha a mesa: um altar!

Ei-lo, o vigor dos braços teus,
O pão de Deus!

Ei-lo, o sangue e a alegria,
Que teu peito robora e teu crânio alumia!

Ei-lo a fraternidade,
Ei-lo, a piedade,
Ei-lo, a humildade,

Ei-lo a concórdia, a bem-aventurança,
A paz em Deus, tranquila e mansa!

Comer é comungar. Ajoelha, orando,
Em frente desse pão, ou duro ou brando.

Antes que o mordas, tigre carniceiro,
Ergue-o na luz, beija-o primeiro!

Depois devora! O pão é corpo e alma
Em corpo e alma
O comerás,
Tigre voraz.

São dez mil almas brancas, cor de Lua,
Transmigrando divinas para a tua!




O Glubador




O coronel perguntou ao novo recruta:
 O senhor faz o quê na vida civil?
 Bom, coronel. Eu sempre fui glubador.
 Glubador?
 É. O senhor, como homem instruído, sabe naturalmente o que é um glubador.
 Claro, claro! Glubador! – respondeu o coronel, que não era homem de se dar por achado.
 E como glubador você naturalmente faz... faz...
 Glubeiras, não é, coronel? Eu faço glubeiras.
 Evidentemente! Glubeiras! Já fez alguma glubeira aqui pro meu quartel? - perguntou o coronel, disfarçando a sua ignorância.
 Como, se nunca me deram material para construir uma? - respondeu o soldado.
 Mas isso é um absurdo! Então eu tenho um glubador no regimento e ele ainda não fez nenhuma glubeira? Eu lhe dou carta branca para fazer uma imediatamente. Na sua opinião, o material ideal para se fazer uma glubeira seria... seria...?
 É lógico que o senhor sabe que uma boa glubeira se faz de alumínio. Fica meio caro, mas o senhor tem uma glubeira pra toda vida.
– O custo não importa! Eu quero que você comece a fazer uma glubeira de alumínio amanhã! – disse o diretor.
 Pois não, coronel. De que tamanho? – perguntou o soldado.
 Não sei. O especialista é você.
 Bom, depende do gosto. Pra mim, uma glubeira profissional deve ter 5,30m de comprimento por 3,52m de largura e 15cm de espessura. Isso se o senhor quiser uma glubeira clássica – explicou o soldado.
 É claro que eu quero uma glubeira clássica! Nada de modernismos! – falou o coronel muito senhor de si.

Uma semana depois, o soldado-glubador dava os últimos retoques na chapa de alumínio. Curioso, o coronel foi ver como andava sua glubeira. Ao chegar, viu a chapa toda perfurada com orifícios que iam de 10 a 15cm. Quase enlouqueceu:
 Quem foi que furou a minha glubeira?!!
 Fui eu, é claro, coronel. Sem os respiros ela não funciona - afirmou o glubador.
 Muito bem! Muito bem! Só estava vendo se o senhor conhece mesmo o seu serviço! – disfarçou o coronel. - E onde é que nós vamos usar essa maravilhosa glubeira?
 Num lago ou num rio, é claro.
Assim transportaram a glubeira até a beira de um lago e lá ela foi lançada na água pelo glubador, afundando no lago a seguir. O coronel ficou louco.
 O que é isso?! Então eu gasto uma fortuna para fazer uma glubeira e você joga a minha glubeira na água! Louco!! Você vai preso!!
 O coronel me desculpe, coronel, mas pelo visto parece que o senhor não sabe o que é uma glubeira - disse o soldado-glubador.
 Não sei mesmo! Mas agora você vai me explicar! - desabafou o coronel.
O glubador elucidou-o calmamente:
 Pois então o senhor não viu que a glubeira funciona exatamente quando afunda? Só aí é que ela faz: GLUB… GLUB… GLUB… GLUB…


(Do livro “Astronauta sem Regime”, de Jô Soares)


Poemas indecorosos de Olavo Bilac



Olavo Bilac por Toni Dagostini

Soneto que escreveu em São paulo, em 1887, refundiu no Rio, em 1895, a uma viúva.

Domingo. Chove. Como é triste a chuva!
Como é triste e monótono o domingo!
Ouço a chuva cair de pingo em pingo...
Ah! se chegasses, pálida viúva!

Sonho que chegas; livro-te da capa;
Todas as vestes úmidas te arranco;
Como de um ninho, o teu pezinho branco,
De bota, como um pássaro, se escapa...

Bátegas de águas, trépidas, lá fora.
Tremes de frio, entrechocando os dentes...
Rufam nas pedras, encharcando a rua!

E, dos meus lábios, trêmulos, ardentes,
Outra chuva te cai, quente e sonora,
- Chuva de beijos - sobre a espádua nua.

O poeta tem peças dum erotismo tanto perverso, delirante, pornográfico que, certamente, corava as professoras tão sóbrias. Ficou famoso o papelucho deixado por Emílio de Menezes para o epitáfio do amigo:

"Bilac esta cova encerra.
Choram sacros e profanos...
Muitos anos coma a terra,
a quem comeu tantos ânus!”

Delírio

Olavo Bilac

Nua, mas para o amor não cabe o pejo.
Na minha, a sua boca eu comprimia
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
‒ Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência brutal do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos, mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda, quase em grito:
‒ Mais abaixo, meu bem! ‒ num frenesi!

No seu ventre pousei a minha boca,
‒ Mais abaixo, meu bem! ‒ disse ela, louca.
Moralistas ‒ perdoai! Obedeci...


Por estas noites

Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida,
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas.

                   Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:

                   Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas... um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes...

                   E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.



Olavo Bilac por  Loredano

Histórias para o coração do homem




De coração para coração

Deus não formou a mulher da cabeça do homem
para que ela não lhe desse ordens,
tampouco a formou de seus pés
para que ela não fosse sua escrava.
Deus a formou de uma costela
para que ficasse sempre próxima a seu coração.

Provérbio hebraico

A Escada do Sucesso

Há quatro degraus na escada do sucesso:

Planeje com determinação.
Prepare com devoção.
Proceda com confiança.
Prossiga com persistência.

Provérbio Afro-Americano

Sucesso

Um dia, espero ter o que o mundo chama de sucesso.
Então, quando alguém me perguntar:

‒ Qual é o segredo para o sucesso?
‒ Simplesmente responderei:
‒ Eu me levanto todas as vezes que caio.

Paul Harvey

Promessa de um pai

Quando eu tinha 13 anos e meu irmão 10, papai prometeu levar-nos ao circo. Mas durante o almoço recebeu um telefonema: um negócio urgente para resolver no centro da cidade. Meu irmão e eu já nos preparávamos para a frustração, quando o ouvimos dizer:
‒ Não, eu não irei. Eles terão que esperar.
Quando voltou para a mesa, mamãe sorriu e disse:
‒ Ora, o circo sempre volta.
‒ Eu sei – disse o pai – mas a infância não. 

Arthur Gordon

Tocha Brilhante

Quero servir bastante antes de morrer.
Quanto mais eu trabalhar, mais viverei.
Para mim, a vida não é uma vela que, rapidamente, se apaga.
Para mim, a vida é um tipo de tocha brilhante, que carrego por certo tempo, e quero fazê-la brilhar ao máximo antes de passá-la às futuras gerações.
     
George Bernard Shaw

(Textos do livro “Histórias para o coração do homem”)


Tudo sobre o chato



Texto de Jô Soares

Ser ou não ser chato, eis a questão.

A teimosia é a força de vontade do chato.

Um chato nunca perde o seu tempo. Perde o tempo dos outros.

Chato só não ronca quando dorme sozinho.

Geralmente os chatos começam a falar dizendo: “Fica chato dizer isso, mas…”

Justiça seja feita: Todo chato tem cara de chato.

Existem várias maneiras de ser chato, mas o chato escolhe sempre a pior.

Chato não se aprende, se nasce.

Se um chato se cala de repente, é porque morreu.

Uma pessoa brilhante pode ser chata, mas o chato nunca pode ser brilhante.

Alguém sempre é o chato de alguém.

Todo mundo tem seu dia de chato, mas o chato é todo dia.

Todo chato cutuca.

Chato é uma pessoa que, quando você pergunta: “Como tem passado?” Ele conta.

O chato, quando está com tosse, em vez de ir ao médico, vai ao teatro.

Chato é um sujeito que fica mais tempo com você do que você com ele.

Chato é aquele sujeito que faz você perder a fila do elevador que leva meia hora... pra contar uma piada que leva hora e meia.

Chato é o indivíduo que diz pra você do outro lado rua: “Vem cá!” quando a distância é absolutamente a mesma.

Chato é aquele cara que só fuma pra filar cigarro dos outros.

Chato só deixa de fumar... pra ficar chateando quem fuma.

Chato é o sujeito que vai com você pela rua... e para de 2 em 2 metros... porque não sabe conversar andando.

Chato é aquele indivíduo que vai ao cinema assistir a filme de mistério pra poder contar o desfecho pros outros.

Quando o chato chega em casa, a família dele finge que já está dormindo.

É por isso... que todo o chato é muito chato!







Sonetos e histórias do Aporelly


O ilustre enfermo


O Pancrácio enfermou. O que é aquilo
Que ele sente, ninguém sabe explicar.
Chora a família. Guarda-se sigilo,
Para o resto do povo não chorar.

Vem o doutor e diz: - “Fique tranquilo!
Não se assuste, que vou já receitar:
Fulminato de sódio: - meio quilo,
Quatro colheres antes do jantar”.

Com a fórmula grandiosa do doutor,
O bom Pancrácio transferiu o enterro,
Pois já está bom e, de contente, pula.

Por esse fato, que acabei de expor,
Eu deduzo com lógica de ferro,
Que um doutor não é burro se formula.

Meu fraque


No guarda-roupa eu tenho um belo fraque,
Meu traje predileto de passeio.
Quando de tarde o visto, até receio
Que a minha namorada se embasbaque.

Quando me quero dar certo destaque,
Vai aos bailes comigo e não faz feio.
Amigo da miséria, resgatei-o
Duas vezes foi ao bric-a-brac.

Um fraque assim no mundo igual não há!
Parece novo, pois ninguém dirá
Que já cinqüenta invernos completou.

Esse meu fraque fica-me tão justo.
Que quando o visto, eu mesmo, às vezes, custo
Acreditar que foi do meu avô...

§ § §

          O homem cumprimentou o outro, no café.
          − Creio que nós fomos apresentados na casa do Olavo.
          − Não me recordo.
          − Pois tenho certeza. Faz um mês, mais ou menos.
          − Como me reconheceu?
          − Pelo guarda-chuva.
          − Mas nessa época eu não tinha guarda-chuva...
          − Realmente, mas eu tinha...

§ § §

          O menino, voltando do colégio, perguntou à mãe:
        − Mamãe, por que é que pagam o ordenado à professora, se somos nós que fazemos os deveres?


Dez coisas que levei anos para aprender.




01 - Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

02 - Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

03 - Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

04 - As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

05 - Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

06 - Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

07 - A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
08 - Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa. (Esta é muito importante. Preste atenção. Nunca falha!)
09 - Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10 - Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um armador solitário construiu a Arca de Noé. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.


Oração dos estressados



         Senhor,
dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,
coragem para mudar as coisas que não posso aceitar,
e sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas
que eu tiver que matar por estarem me enchendo muito o saco.
Também, Senhor, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje,
pois eles podem estar diretamente conectados aos sacos que terei que puxar amanhã...
Ajude-me, Senhor, sempre, a dar 100% de mim no meu Trabalho:
12% na segunda-feira,
23%, na terça-feira,
40% na quarta-feira,
20% na quinta-feira,
5% na sexta-feira.
E, ajude-me, Senhor, sempre a lembrar,
quando estiver tendo um dia realmente ruim,
e todos parecerem estar me enlouquecendo,
que são necessários 42 músculos para socar alguém,
17 para sorrir e apenas 4 para estender meu dedo médio
e mandá-los para aquele lugar...


(Autor desconhecido)