quarta-feira, 18 de abril de 2018

Adeus a Dona Ivone Lara

(13 de abril de 1921 – 16 de abril de 2018)


(Foto da IstoÉ Gente)

A cantora e compositora Dona Ivone Lara morreu na noite de 16 de abril. Aos 97 anos, no Rio de Janeiro. Ela estava internada desde a última sexta-feira, no dia que fez aniversário, no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da Coordenação de Emergência Regional (CER), no Leblon, com um quadro de anemia.

O corpo foi velado na quadra da Império Serrano, sua escola de coração, em Madureira, na zona Norte da cidade. O sepultamento foi no cemitério de Inhaúma. A Portela, outra escola tradicional de Madureira, divulgou nota chamando dona Ivone Lara de “Patrimônio da Império, da Portela e da cultura brasileira”. Considerada um dos maiores nomes da música popular brasileira, a cantora foi muito ligada aos compositores da Portela. Era grande amiga de Candeia, Monarco e Paulinho da Viola, por exemplo.

Nascida em 13 de abril de 1921, no Rio de Janeiro, bairro de Botafogo, com o nome de Yvone Lara da Costa, compôs seu primeiro samba aos 12 anos, “Tié, tié”, depois de ganhar de seus primos um pássaro da espécie tié. A primeira escola de samba de Dona Ivone Lara foi a Prazer da Serrinha, que começou a frequentar em 1945 e para quem compunha sambas que eram assinados pelo seu primo Fuleiro, devido ao preconceito que existia naquela época contra as mulheres. Enfermeira e Assistente Social, trabalhou com pacientes que tinham doença mental. Ingressou na Império Serrano em 1965. Entre suas composições mais conhecidas estão “Sonho Meu” e “Acreditar”, sambas em parceria com Dèlcio Carvalho.

(Correio do Povo, abril de 2018)

Entrevista de Dona Ivone Lara à Camilla Gabriella da IstoÉ Gente

P.: Como é ser homenageada do Prêmio da Música Brasileira?

R.: Me sinto muito feliz. É muito bom saber que se lembraram de mim e reconheceram meu trabalho. É um sinal de que ainda estou viva, uma prova de que ainda estou atuante e, mais ainda, do valor que dão ao meu trabalho.

P.: A senhora é um dos nomes mais importantes do mundo do samba. Acredita que tem um reconhecimento à altura?

R.: Não. Seria muita vaidade achar que sou reconhecida à altura.

P.: Foi com “Sonho Meu”, gravado por Maria Bethânia e Gal Costa, que a senhora conseguiu reconhecimento nacional. Quem ainda gostaria de ver interpretando uma composição sua?

R.: Roberto Carlos. Gosto muito dos shows e do modo dele cantar.

P.: Ainda tem muitas composições que não foram gravadas?

R.: São inúmeras. Não sei quantas tenho e pretendo gravá-las.

P.: Que cantores costuma ouvir?

R.: Atualmente, estou ouvindo a moçada nova. Estão fazendo ótimas composições, tocando muito bem, estudando e levantando sempre a bandeira do samba.

P.: A senhora faz parte de uma dinastia de mulheres do samba, ao lado de nomes como Clementina de Jesus, Clara Nunes, Beth Carvalho e Jovelina Pérola Negra. Quem considera a herdeira do legado dessas grandes damas?

R.: Todas que levantam a bandeira do samba são herdeiras.

P.: Ainda sente prazer em assistir aos desfiles das escolas de samba? Já pensou em ser tema de enredo?

R.: Não! Pra mim já terminou. Eu não sonho porque já houve escolas de samba de médio e pequeno porte que fizeram homenagem a minha pessoa.

P.: O que gosta de fazer quando não está trabalhando?

R.: Descansar, ficar com minha família e fazer umas melodias.

P.: Muitos compositores ligados ao samba enfrentam problemas financeiros. A senhora se considera bem recompensada financeiramente?

R.: Nunca. É muito difícil um artista do gênero samba ter um bom reconhecimento financeiro, principalmente os compositores, que dependem das gravadoras e instituições de arrecadamento da música para sobreviver. Mas dá pra ter um conforto bom.

P.: Que sonho ainda gostaria de realizar?

R.: Nos meu 89 anos* de vida, já realizei todos. Mas é um sonho ter sempre mais saúde para poder fazer muitos shows.

P.: Tem alguma mágoa guardada nesses anos todos de carreira?

R.: Não tenho mágoa do samba. O samba só me trouxe felicidade e através dele pude realizar todos os meus sonhos.

P.: Por que muitos de seus sambas foram assinados por primos seus, como Mestre Fuleiro?

R.: Antigamente, a mulher sofria mesmo muito preconceito. Quem assinava os sambas eram meus primos Fuleiro e Hélio. Minha família me proibia.

P.: A senhora já cantou “O samba me fez bastante feliz / Até bodas de ouro com o samba eu já fiz”. O sentimento de felicidade ainda é o mesmo?

R.: Sempre! Sou feliz porque ainda estou viva, tenho minha família, meus netos e um bisneto, me divirto com ele. Agradeço muito a Deus.

*89 anos tinha Dona Ivone Lara quando concedeu esta entrevista.

A parceria do acaso

Um dia, num hotel, Hermínio Bello de Carvalho (Rio de Janeiro, 28 de março de 1935) compositor, poeta e produtor musical brasileiro, além de ativista Cultural na linha de valorização da nacionalidade, entregou uma letra à Dona Ivone Lara para ver se ela podia fazer alguma coisa. Dona Ivone Lara foi para seu quarto e, à noite, chamou Hermínio dizendo que a música já estava pronta, e cantou a melodia abaixo, de ambos, hoje grande sucesso nacional.

Mas quem disse que eu te esqueço

Dona Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho

Tristeza rolou dos meus olhos
do jeito que eu não queria,
e manchou meu coração,
que tamanha covardia.

Afivelaram meu peito
pra eu deixar de te amar,
acinzentaram minh'alma,
mas não cegaram o olhar. (bis)

Saudade, amor, que saudade,
que me vira pelo avesso,
que revira meu avesso.
Puseram uma faca no meu peito,
mas quem disse que eu te esqueço,
mas quem disse que eu mereço. (bis)

P.S. Há, na internet, uma gravação dessa música, onde cantam Dona Ivone Lara e Zeca Pagodinho. No final, eles improvisam vários versos que não constam em outras gravações.


Dona Ivone Lara por J Bosco

É a única certeza da vida: morrer. Mas o artista não morre. Ele está em outro lugar, mas a música continua viva na nossa memória e nas nossas relações. Ela foi amiga do meu pai. Beijo Dona Ivone. Deus lhe receba de braços abertos.

Zeca Pagodinho

Dança das flores em nosso pensamentos em nossos pensamentos sempre. Dona Ivone que faça uma boa viagem! Muita luz sempre. Obrigada por tanto.

Elza Soares

Dona Ivone Lara é gigante. Artista única. Sempre que eu estava triste eu cantava Alguém me avisou e, com o poder desses versos, pegava forças pra caminhar. Esse é um poder que poucas músicas têm, e são os versos dela que fazem isso. Obrigado, Dona Ivone. Descanse em samba.

Lázaro Ramos


terça-feira, 17 de abril de 2018

GRIPE

Manual de Instruções

Por Marcel Hartmann


Influenza A

→ É o mais perigoso. Mata mais, tem alto potencial de modificação e é mais facilmente transmitido. Hoje, os encontrados em seres humanos são o H1N1 e o H3N2.

Subtipo H1N1 → Responsável pela gripe espanhola em 1918, e modificado pela gripe suína em 2009. Hoje, causa a gripe comum.

Subtipo H3N2 → Responsável pela gripe Hong Kong de 1968, causou quase 50 mil internações nos Estados Unidos e já circula no Brasil.

Outros tipos → H2N2, H5N1, H1N2 etc.

Influenza

→ O vírus influenza é dividido em tipos e subtipos:

Influenza B → Não se modifica tanto e costuma causar surtos localizados em penitenciárias ou quartéis, por exemplo. Causa mais mortes em crianças.

Influenza C → Menos comum, afeta seres humanos, cães e porcos. Pode causar infecções mais graves, mas não gera epidemias, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

Influenza D → Afeta apenas bovinos.

Perguntas e Respostas

Qual a diferença da gripe comum para a gripe A?

→ A gripe A é o nome popular dado à gripe causada pelo vírus H1N1, que causou uma pandemia em 2009. No Rio Grande do Sul, não foi diferente: por aqui, houve 3.585 casos confirmados e 298 mortes. Há, na verdade, outros subtipos de vírus A, como o H3N2, por exemplo. Hoje, o H1N1 é considerado um vírus comum – o fato de ele circular não é atípico – e a vacina disponibilizada protege contra ele, assim como contra o H3N2 e o influenza B.

Como a gripe é transmitida?

→ Pela secreção das vias aéreas, por meio de tosse, espirro ou fala. Quando espirramos, uma “nuvem” de saliva com vírus flutua cerca de um minuto até cair, onde fica por cerca de uma hora. Se você passa a mão em uma região que recebeu essa “nuvem” (corrimão, teclado, maçaneta de porta) e coloca os dedos na boca, no nariz ou nos olhos, ou ainda se compartilha objetos de uso pessoal (talheres, escova de dentes), o vírus entra no organismo.

Sintomas da Gripe

→ Dor muscular
→ Dor de garganta
→ Cansaço
→ Febre alta (39ºC ou 40ºC)
→ Tosse (pode durar até duas semanas)
→ Mal-estar e fraqueza
→ Falta de apetite

Gripe ou Resfriado?

→ A gripe é mais severa e abrupta – dura cinco dias, derruba o indivíduo na cama e pode levar à pneumonia ou à morte. Agora, se você consegue ir trabalhar, ainda que com nariz escorrendo, garganta irritada, mal-estar e febre baixinha, então é porque tem resfriado, que é mais brando e perdura por dois a quatro dias. Além disso, enquanto a gripe é causada pelo vírus influenza, o resfriado é causado por outros agentes, entre eles o rinovírus e o coronavírus.

Por que idosos e crianças são grupos de risco?

→ Os dois grupos têm imunidades baixa e dificuldade em responder à infecção pelo vírus.

O que fazer se fiquei gripado?


→ Não há muito o que fazer além de esperar o organismo combater o vírus. Repouse e beba bastante água e trate os efeitos secundários – analgésicos para dor de cabeça, descongestionantes nasais para melhorar a respiração, antitérmicos para a febre.

Como evitar?

→ Evite apertar a mão das pessoas enquanto estiver com gripe. Quem tem gripe costuma coçar o nariz e passar o vírus para a mão.

→ Lave as mãos com álcool ou sabonete.

→ Evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca.

→ Não use lenços de pano para assoar o nariz. Opte por descartáveis.

→ Mesmo em dias gelados, deixe as janelas abertas, ao menos quando você não está em casa, para o ar circular.

→ Ao espirrar, tape a boca na dobra do cotovelo em vez de usar a mão.

→ Evite compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, escova de dentes ou toalha.

Campanha de Vacinação


→ Quando: entre 23 de abril e 1º de junho (de 2018)

→ Onde: Postos de Saúde

→ Quanto: gratuito na rede pública

→ Quem tem direto: Professores das redes pública e privada, pessoas com 60 anos ou mais, crianças entre seis meses e cinco anos, gestantes, mulheres até 45 dias depois do parto e pessoas com doenças crônicas (respiratórias, cardíacas, renais, além de obesos e diabéticos). Além desses grupos, recebem vacinas também indígenas, diretamente nas aldeias; profissionais de saúde, nos próprios locais de trabalho; e a população privada de liberdade.

*O nome do vírus (influenza) vem do italiano: a população local compreendeu, nos idos do século 15, que a doença aparecia por influenza degli astri (influência dos astros, como estrelas e planetas). No inglês, a expressão foi reduzida para flu.

(Do Caderno Vida, de Zero Hora, abril de 2018)



segunda-feira, 16 de abril de 2018

Uma crônica gaúcha

Por uma marca

Juremir Machado das Silva


Eu nunca tinha visto um cadáver até então. Tudo aconteceu em poucos segundos. Mas só depois de muita volta numa noite de inverno que mais parecia uma sinfonia em homenagem à solidão. Tudo na paisagem era melancolia. Foi em agosto. Talvez não fosse tão triste assim quanto estou descrevendo, mas sempre tive esta tendência para o sombrio. O baile era depois do rincão. Pegamos um ônibus velho e seguimos por uma estrada esburacada que serpenteava entre as coxilhas ao cair da tarde. Eu me sentei na cadeira do cobrador me sentindo honrado por essa possibilidade. Admirava profundamente os domadores, os tropeiros, os motoristas, os cobradores e todas aquelas pessoas que ganhavam a vida trabalhando duro e quase nunca perdendo uma festa.

O ônibus atolou na travessia de um passo de águas lerdas e turvas. Descemos. Molhei as mãos. Senti o frio úmido me penetrar na alma. A noite já se insinuava aveludadamente. Fiquei olhando uma árvore desfolhada que se dobrava contra o verde dos campos e o azul pesado do céu como um rabisco ou uma figura cansada. Um homem magro, alto e de barba rala se aproximou de mim como se buscasse companhia.

− Te gusta la noche cayendo?

− Não posso falar contigo – eu disse e me afastei.

Era o Tupamaro*. A ordem era nunca conversar com ele. Rapaz bonito, de olhos muito escuros, fazia as gurias suspirarem. Havia surgido como que do nada e nesse nada permanecia, pois estava proibido se aproximar dele ou aceitar as suas tentativas de contato. Eu o via perambulando pelos campos que eu também gostaria de atravessar e sentia certa inveja. Esse hábito fazia dele, segundo as vozes mais sábias, um perigo ainda maior. Ninguém caminhava. As velhas diziam:

− Fica andando a esmo. É louco ou tupamaro. Onde se viu, sem cavalo.

Os campos eram cheios de ameaças: cobras, bois brabos, sangas fundas, fantasmas. O Tupamaro não tinha medo. Parecia também indiferente ao desprezo de todos nós. Sorria, cumprimentava e puxava conversa. Não perdia carreiras, bailes e carteados. Ficava olhando. Esse olhar sem participar tornava-o ainda mais estranho. Nada parecia, contudo, mais esquisito e desonroso do que andar a pé pelos campos. Pior mesmo talvez só fosse a nudez. Veio um trator puxar o ônibus.

Chegamos ao baile com a noite fechada. Um gaiteiro e um violonista puxavam músicas ligeiras para esquentar os convivas. O dono do salão oferecia pincel, sabão e navalha para quem quisesse se barbear. Cabeludo não entrava. Negro também não. “Fresco”, termo que se aplicava aos suspeitos de homossexualidade, não chegava até a porta. Mulher podia dançar com mulher. Homem com homem nem se imaginava. As regras eram rigorosas e compartilhadas moralmente pela maioria. Pela meia-noite estourou o primeiro “bochincho”. Um negro alto, espadaúdo, de olhos fulminantes, de terno e gravata, algo raro, forçou a entrada:

− Por que não posso entrar?

− Negro não entra − vociferou o patrão.

O negro ficou olhando o vazio. Talvez digerisse a humilhação. Havia uma imensa tristeza naquele olhar vago que se espichava contendo certamente a imensa raiva que borbulhava incendiando suas entranhas.

− No es un ser humano como los demás?

Fez um silêncio de estupor e indignação. Quem se atrevia? Era o Tupamaro. Senti que me puxavam para trás. Em poucos segundos o tempo fechou. O negro e o Tupamaro foram enxotados a “manotaços”. Guardei daquele começo turbulento duas vozes vazando da noite que sangrava:

− Todos somos iguales.

− Eu volto.

O baile seguiu como se nada tivesse acontecido. Pelas três da manhã, quando eu já quase dormia encarangado numa cadeira de palha, um gaúcho de bastos bigodes e olhos de falcão, mancando da perna esquerda, aproximou-se de uma guria de faces rosadas e seios fartos.

− Me concede esta marca?

− Não. Estou comprometida.

− Esta é a primeira égua que me nega o estribo – gritou o homem.

Gritou e já foi abalroado pela manopla de um gigante. O homem estatelou-se no chão com a boca sangrando. Caiu e puxou um revólver. Antes que pudesse atirar ou ameaçar, ouviu-se um tiro. Morreu ali. Nunca me esquecerei de como tiraram o corpo pela janela dos fundos. Estranhamente a história também morreu. Vez ou outra, alguém dizia:

− Foi coisa do Tupamaro.

Ainda tenho nas retinas esse primeiro cadáver de bigodes generosos e olhos esbugalhados. O tempo passa para nosso alívio. Anos depois, num baile de clube sofisticado da cidade, ouvi uma voz que parecia ressurgir da minha infância. Um negro fardado perguntava:

− Já ouviram falar da Lei Afonso Arinos?

− Negro aqui não entra.

− Sou oficial do Exército. Conheço a lei. Vou entrar.

Entrou. Foi um escândalo. Até hoje se fala disso. Eu ouço:

− Te gusta la noche cayendo?

*****

(Crônica do Correio do Povo, abril de 2018)

*Tupamaro: Membro do Movimento Nacional de Libertação do Uruguai, fundado em 1963 por Raul Sendic, que unificou os diversos grupos revolucionários esquerdistas daquele país.

P.S. Esta crônica foi ambientada na fronteira do Brasil com Uruguai, entre as cidades de Santana do Livramento e Rivera, divididas por uma fronteira seca, separadas por apenas uma rua.


domingo, 15 de abril de 2018

Teste da Internet



Você é Burro?

→ Você anda pensando, já parou para pensar ou prefere não pensar, nem andando, nem parado? Se você ficou confuso, fique tranquilo, pois isso acontece com a maioria das pessoas que têm um alto Q.I. (Quociente de Imbecilidade). Mas, não se preocupe! Preparamos um teste de nível primário para você acabar com todas as suas dúvidas e começar a entrar em desespero...

01) Quando alguém o chama de burro, você:

a) Responde logo, porque esse é um dos seus apelidos.
b) Agradece e diz: “Você também!”
c) Acha estranho. Você não se parece com um burro.
d) Continua pastando...
e) Como assim, “o chama”?

02) Quantas vezes alguém precisa explicar uma coisa até você entender?

a) Pode repetir a pergunta?
b) Não sou bom de conta...
c) Depois eu releio essa com calma e respondo.
d) Não ouço bem com o ouvido esquerdo..
e) Como assim, “alguém”?

03) No seu teste de Q.I., o resultado foi:

a) O que é um “Q.I.”?
b) Abaixo de zero.
c) Não fiz o teste até o final.
d) Q.I quer dizer “Querida, Informei?”
e) Como assim, “teste”?

04) Qual dessas frases você costuma usar com mais frequência?

a) Não entendi.
b) Em que sentido?
c) Dá pra repetir?
d) Como assim?
e) Você quer a resposta pra quando?

05) Com qual dessas pessoas você sente maior identificação?

a) Chaves.
b) Carla Perez.
c) Luciana Gimenez.
d) Sílvio Santos
e) Como assim, “pessoas”?

06) Qual é a sua primeira reação quando vê um monte de capim?

a) Ai! Fiquei com fome...
b) Eu como, mas só se me oferecerem.
c) Choro. Me traz lindas recordações da infância...
d) Fico feliz,  sou vegetariano.
e) Como assim, “reação”?

07) Quando se depara com um jumento ou uma mula, você:

a) Sente uma empatia espontânea.
b) Acha que vocês já se conhecem de algum lugar.
c) Tenta fazer amizade.
d) Sente saudade da família.
e) Como assim, “se depara”?

08) Qual é a sua impressão sobre sites de humor?

a) Eu acho genial!
b) Não entendo porra nenhuma!
c) Eu só olho os desenhos.
d) Acho graça, mas não sei de quê.
e) Como assim, “impressão”?

09) Em que você está pensando enquanto faz este teste?

a) De pensar, morreu um burro!
b) Calma, estou pensando!
c) Vai demorar para acabar?
d) Não tinha ninguém do lado para eu colar.
e) Como assim, “enquanto”?

10) Quanto tempo você levou para fazer esse teste?

a) Ainda não acabei.
b) Três dias.
c) Uma semana.
d) Levei pra casa pra terminar lá.
e) Como assim, “levou para”?

→ Se você marcou...

→ A maioria das questões com a letra A: Você é burro, mas consegue responder a alguns comandos básicos, como: senta-levanta. Também é capaz de executar pequenas tarefas, desde  abrir  e  fechar  a  geladeira,  até operar o controle remoto da TV. Entretanto, pode ter dificuldade para diferenciar esquerda e direita ou perto e longe.

→ A maioria das questões com a letra B: Você é burro, mas não chega a ser tapado. Consegue se vestir sozinho, amarrar os próprios sapatos, diferenciar homem e mulher e assistir ao programa do Ratinho sem fazer perguntas.

→ A maioria das questões com a letra C: Você deveria ter a carteira de identidade apreendida, pois é praticamente um vegetal. Não consegue dirigir nem carrinho de compras, não acompanha o raciocínio do seu filho de 3 anos, não é capaz de falar e andar ao mesmo tempo e acha difícil manter o equilíbrio sobre as duas pernas. Mas não desanime. Pelo menos, você ainda consegue achar graça em site de humor...

→ A maioria das questões com a letra D: Você pra burro só falta voar. Lembrei-me agora, burro não voa, logo...

→ A maioria das questões com a letra E: O seu nível de burrice é bastante elevado, ou seja, você é burro pra cacete! Cuidado com as consequências que a sua incapacidade pode causar à sociedade! Em outras palavras, não saia de casa! Aliás, nem levante dessa cadeira! Leia algumas piadas e, se você não conseguir parar de rir, procure um médico! O seu caso é mais grave do que você imagina... 



Maria de Tal



Maria de tal é seu nome!
Pedaço de trapo,
Monturo de gente,
Quer vive ao relento,
Morrendo de fome,
Na chuva e no vento...

- A vida... – alguém lhe dizia –
É triste, Maria!
É triste, depois...
E, uma porção de apelidos,
A vida lhe pôs.

“Maria-caolha”,
- Dizem no beco –
Já teve seu lar,
Muitos pimpolhos
E um nome comprido
Para assinar.

“Maria-faminta”,
Às vezes, é assim:
Nem bebe, nem come...
É negro o seu fim.

“Maria-sujona”,
- De nomes feios,
Sua boca anda cheia,
Quando a garotada da rua,
A garotada malvada,
Tenta fazê-la de bola de meia...
E, quantas vezes, o guarda-civil,
- Um pobre diabo sem eira nem beira –
Ainda lhe xinga um bocado,
Se alguma pudica donzela,
Fica corada,
Chegando à janela...
São coisas da vida, Maria!...

“Maria-vintém”,
“Parada sem dono”,
Não tem mais ninguém,
Rolando no mundo...
Sua história é dorida,
Você se confunde
Com a poeira da vida...

“Maria-cachaça”,
Tim-tim por Tim-tim,
De sua tragédia,
A cidade conhece
E acha graça!

“Maria-pedinte”,
Que dorme e amanhece,
Pedindo uma esmola,
Rezando uma prece...

- A vida... – alguém lhe dizia –
É triste, Maria!
É triste, depois...
E, uma porção de apelidos,
A vida malvada lhe pôs.

Maria de tal!
Nunca mais me esqueci de seu nome!

E, se acaso, a revejo
Me lembro da fome,
Fugindo da vida,
Na esquina perdida,
Da rua sem nome...

João Lopes Filho




sábado, 14 de abril de 2018

Guimbas*



*Guimbas: Substantivo feminino, a parte restante de um charuto, cigarro ou baseado já fumado.

*****

“Contrato de risco é aquele em que a gente abre o risco e eles dão um trato.”

“Taquicardia sinusal pode ser revertida com uma simples punheta.”

“A maioria dos animas domésticos sofre de maus-tratos porque seus donos são animais domésticos.”

“Nos butecos do Rio, quando se fala em “anos de chumbo”, a rapaziada se atira embaixo das mesas.”

“Longas paixões lembram violentas crises de diarreia: batimentos acelerados e contorções corporais no começo, a maior cagada, com corpos estranhos.”

“Refazendo a famosa frase de Neném Prancha: O pênalti é coisa tão importante que deveria ser cobrado pelo Galvão Bueno.”

“Em Medicina, segunda opinião é aquele que faz você voltar correndo pra primeira.”

“Coices de cavalo podem matar. Os rabos-cavalo e certas mulheres provocam priapismo.”

O conferencista: “Escrevi algumas notas, mas a polícia apreendeu porque eram falsas.”

“Já comi!” fica no passado porque quando o babaca se refere assim a uma bela mulher que passa pelo buteco ele já não come mais ninguém.

É no buteco que novas expressões são criadas e (di)fundidas no caldinho das caipiras, louras e tira-gostos. Entreouvido no Momo:
− E a namorada?
− Assim, assim.
− Você parece meio desanimado.
− Ela é um tanto ao quanto, não obstante inalcançável, embora de somenos, perante a nível de contrapartida.
− Ah!

O psiquiatra:
− Em que posso ajudá-lo?
O paciente:
− Eu tive um orgasmo incomum...
− Pode acontecer. Conte como foi.
− Não sei se tenho coragem...
− Eu estou aqui para desbloquear sentimentos como esse. Conte como foi e você vai se sentir melhor.
− Lavando a bunda no chuveirinho do bidê.

Eu não traí meu marido. Apenas terceirizei a prática sexual contratando meu vizinho.

No buteco:
− Meu pinto é muito mais importante do que o mico-leão e ninguém faz campanha pela sobrevivência dele, embora também se encontre em extinção...

No Brasil, pequeno que fala mais alto sobre sexo é anão.

A diferença entre bonecas infláveis e mulheres estufadas de silicone e botox é que as primeiras dão mais tesão.

 (Frases do livro “Guimbas”, de Aldir Blanc)










Desculpas esfarrapadas



Para aluno que entrega trabalho/lição de casa
    
→ Eu fiz a lição, mas esqueci no banco do ônibus. O senhor espera eu ir até a garagem da mpresa ver se guardaram pra mim?

→ Não queria incomodar, professor, sei o que o senhor está por aqui de tanto trabalho, né?

→ Estou colaborando para que o meu querido mestre tenha um pouco mais de descanso nos finais de semana.

→ Digitei todo o trabalho no computador, mas na hora de imprimir, deu pau no disquete e não consegui reescrevê-lo.

→ O trabalho estava pronto, deixei na estante da sala, mas minha irmã confundiu com o dela e levou pro colégio. E agora, professora?

Para não fazer exercício físico

→ Não tenho a mínima vontade de participar dos jogos olímpicos, e você?

→ Quem joga futebol, estoura o joelho, quem joga vôlei, arrebenta o cotovelo, quem pratica atletismo, vive com problemas na panturrilha, você acha que eu vou querer arriscar minha integridade física por causas de um recorde?

→ Arremesso de bituca e levantamento de copo de cerveja... vai me dizer que isto não é exercício?

→ Não participo da maratona porque não conheço as regras.

→ Caminhada, pra quê? Eu ando o dia inteiro: do computador pra cama, da cama pro chuveiro, do chuveiro pro sofá... Eu não paro!

Pra herro de portugueis

→ Estive peçando nas coizas que u professor falô nas aula e cheguei a concrusão diqui u senhor tá serto, si bem qui num tô totalmente erado.

→ Us erro qui eu tenho di gramática não são nada perto du respeito qui tenho pelo sinhora, dona Aleçandra.

→ Si tive argumá coiza erada na minha prova, é uma prova di qui o senhor tá insinando bem, mais eu tô intendeno mal.

Þ As mina e us manu falô qui nóis é guinorante, mais eu agaranto num é curpa da iscola, tá ligado?

→ Nóis tá na fita, mais a parada é qui num dá pra acreditá na matéria, serto? Purque qui nóis tem que aceitá essas coisa di combiná verbo i pronome? Nóis é contra u sistema, tá ligado?