segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A Oração do Posteiro

Autoria: Aureliano de Figueiredo Pinto


De tarde... Boleio a perna
e maneio o redomão,
no portão do cemitério.
(Tauras... santas... e gaudérios...
tudo em baixo deste chão!)
- É aqui... A cruz... Pé de flor...
Me ajoelho... E, a voz num temblor,
rezo uma pobre oração:
- Mãe-velha! Aqui está o teu piá,
meio estropiado do mundo!
Com o meu recuerdo mais fundo
te juro por esta luz:
- Mãe-velha! pela saudade
da tua antiga bondade,
eu vim te ver na tua cruz.

Tua benção venho buscar
para os vereios da vida.
Trago espichada e estendida
minha esperança de pobre.
Com medo que ela arrebente,
venho te ver novamente
sobre este chão que te encobre.

Mãe-velha! Não fui maleva!
Eu nunca te contrariei.
E, se um dia, te magoei,
logo pedi o teu perdão!
Como quando tu vivias,
no meu jardim de alegrias
derrama o teu coração.

Escuta! Santa Mãe-velha:
- Pede a Deus junto a ti,
que a estes teus netos-guris
faça uns gaúchos de alma reta
na conduta sem desmancho.
E à neta... orgulho do rancho!
porque inté é linda a tua neta.)

Me ajuda a ver se deu jeito
que eles aprendam a ler,
para o mundo compreender,
sem gritos, ralhos, nem relhos.
Por mim ensino o que posso:
- Já les dei o Padre-Nosso
e um pouco de teus conselhos.
Que eles, sendo moços feitos,
se por outros pagos cruzem,
buenos e leais, não abusem
da força que os tauras têm.
Faz, que o destino confirme,
tua neta - a gauchita firme!
que nunca engane a ninguém.

E se um dia estale a guerra,
que encarem o sol de frente!
com essa bondade valente
que vem, mãe-velha, de ti.
E honrem a marca da herança
dos que empurraram com a lança
esta fronteira até aqui!

Que a mãe deles seja sempre
a boa e fiel companheira
a quem pobreza e canseira
é um galardão de Jesus.
Quando a encontrei (comparando...
fui como um cego sarando!
bobo do encontro com a luz.

Que eu tenha força nos braços,
coragem no coração,
para aguentar o tirão,
e a minha gente conduzir.
E me dê sorte e bom vento
para eu ganhar seu sustento
e os trapos pra eles vestir.

Que a saúde não me deixe!
para eu criar a ninhada
sem andar esparramada
como filhos de avestruz.
E com patrões mais humanos
possa eu viver muitos anos
para enfeitar tua cruz!

Bueno... Mãe-velha... Vou indo...
E ao tranco... Tenho a alma inteira
presa na estrela boieira,
que me olha, no céu parada,
também tão longe e solita...
- Como se o olhar de velhita
me acompanhasse na estrada!

Posteiro: Empregado de estância que mora nos campos desta, e tem por obrigação zelar pelas cercas e gado a ela pertencentes e não deixar invadir seus domínios por pessoas ou gado estranho. Agregado de estância que mora geralmente nos limites do campo, o qual é incumbido de zelar pelas cercas, cuidar do gado, não permitir invasão de estranhos, ajudar nos rodeios e executar outras tarefas.



Cuscos gaúchos

Cusco Cego


Autoria: Apparicio Silva Rillo
  
Este cusco brasino, cara branca,
pequenote e rabão,
que o parceiro está vendo enrodilhado
aí perto do fogão,
foi mordido de cobra na paleta
quando troteava atrás de uma carreta,
cruzando um macegão.

Resultou de tal manobra
que o veneno dessa cobra
cegou meu cusco rabão!

Faz um tempão
que se deu esse tropeço...
Dava pena, no começo,
ver o cusco, atarantado,
pechar de frente e de lado,
chorando como um cristão.

Agora,
vagueia solitário pelo pátio,
perdido nessa noite sem aurora
que um dia lhe desceu sobre a retina.
Por isso,
quando a noite se embalsama de perfumes
e os pequenos e inquietos vaga-lumes
acendem lamparinas nos brejais,
eu maldigo a injustiça do destino
que não ouço o uivo triste do brasino
chorando a lua que ele não vê mais.

Expressões Idiomáticas

“Cavalo bom e homem valente a gente só conhece na chegada.”

“Quem faz o cavalo é o dono.”

“Mulher, arma e cavalo de andar, nada de emprestar.”

“Pata de galinha nunca matou pinto.”

“Cachorro que come ovelha uma vez, como sempre, só morto que se endireita.”

“Vaca de rodeio não tem touro certo.”

“Cada homem, como o cavalo, tem o seu lado de montar.”

“Faca que não corta, pena que não escreve, amigo que não serve, que se perca pouco importa.”

“Ninguém é perfeito: só santo e lugar de santo é no altar ou no céu, não neste mundo. Homem sem defeito não é bem homem.”

“Onde se viu o cavalo do comissário perder a corrida?”

“Com esta corja, palavra não basta; ponta de faca e bala é que resolve.”

“Quando se pega na rabiça do arado, deve-se ir até o fim do rego.”

“Fala ao teu cavalo como se fosse gente.”

“Quando estiveres para embravecer, conta três vezes os botões da tua roupa...”

“Quando falares com homem, olha-lhe para os olhos, quando falares com mulher, olha-lhe para a boca... e saberás como te haver...”

Lenda do Cachorro

Conta uma lenda, tão velha como “andar a pé”, que quando Deus acabou de criar a bicharada, perguntou a cada animal em particular como queria ter sua moradia.

O macaco disse que iria viver no mato. O pica-pau, nos ocos das árvores. O tatu, em covas feitas no solo. Os passarinhos alegaram que construiriam seus ninhos nos galhos das árvores. Os peixes escolheram os rios. O jacaré, a beira das lagoas. E, assim, cada bicho relatava sua escolha e maneira de viver. Deus a todos ouvia com atenção e aprovava. Quando chegou a vez do cachorro, este alegou firmemente: “Não farei nada disso. E nada disso me agrada. Vou morar na casa do homem”.

E, desde então, o cachorro passou a viver em companhia do homem. E a fidelidade do cão é tão sincera que, sendo ele criado em um rancho, onde há privação, jamais o abandona por outro onde haja fartura. Os gaúchos estimam muito seus cães, que os ajudam nos trabalhos de campo e nas caçadas, não obstante serem um tanto rudes ao tratá-los. Por qualquer desobediência ou teimosia de parte do cão, o gaúcho descarrega-lhe desaforos, em tom de voz tão agressiva quanto os termos empregados na repreensão. E não raras vezes joga-lhe uma pedra ou pedaço de pau, se não lhe passar o relho. E o pobre animal, humilhado, não demonstra rancor por aquela falta de tato e inteligência de seu amo, onde a brutalidade supera a compreensão. Basta o homem encilhar o cavalo e calçar as botas para que o cão já esteja a seu lado, latindo e pulando de alegria, pronto a acompanhá-lo, já esquecido da afronta recebida. Durante todo o dia o cachorro cuida do rancho, ladrando assim que alguém se aproxima. À noite, vigia o sítio e as galinhas que, no geral, dormem empoleiradas nas árvores, sujeitas a um ataque traiçoeiro das raposas ou gatos do mato.

Entre os animais domésticos, o cachorro é o que melhor conhece, entende e obedece ao seu dono. O cão demonstra prazer em estar perto dele e grande satisfação e confiança em acompanhá-lo a qualquer parte, seja onde for.
  
O Cachorro, in Mala de Garupa: costumes campeiros,
de Raul Annes Gonçalves.

É por essas e outras que o cachorro − especialmente o Ovelheiro Gaúcho, foto abaixo, dos Gaúchos do Rio Grande - é considerado o melhor amigo do Homem.


Haroldo Barbosa



Nasceu na cidade de Rio de Janeiro em 21 de março de 1915 e faleceu na mesma cidade em 6 de setembro de 1979. Foi um humorista, jornalista e compositor brasileiro.

Foi amigo de infância de Noel Rosa, Almirante, Braguinha e Araci de Almeida. Durante seus mais de quarenta anos de carreira artística ele realizou mais de trezentas versões para o português de músicas estrangeiras. Foi parceiro de vários compositores e escreveu peças e roteiros de programas humorísticos.

Curiosidades sobre Haroldo Barbosa

Você Sabia?

Que em 1961, Haroldo Barbosa compôs o samba “Palhaçada”, feito com Luís Reis, um de seus mais constantes parceiros. O samba focaliza as desventuras de um rapaz que, apesar de enganado e abandonado pela mulher, admite aceitá-la de volta. Só naquele ano teve 11 gravações, sendo a de Miltinho a mais marcante.

Que o samba “Notícia de jornal”, outra parceria de Haroldo Barbosa com Luís Reis, foi gravado por Chico Buarque e Maria Bethânia.

Que em 1989, Elizeth Cardozo gravou, ao lado do violão de Rafael Rabelo, a “Canção da manhã feliz”, de Haroldo Barbosa.

Que, trabalhando como humorista, Haroldo Barbosa escreveu programas e musicais de grande audiência. Em 1957, ingressou na televisão e foi redator de alguns dos mais célebres humorísticos da TV, como o 'Chico Anysio Show'.

Que Haroldo que tinha acesso fácil às novidades musicais do exterior passou a fazer versões. Fez também música em parceria com diversos compositores.

Que um dos primeiros sucessos de Haroldo Barbosa, “fora da área das versões”, foi a marchinha de Carnaval “Barnabé”, feita em parceria com Antônio Almeida. Os versos, adaptados, retratam o servidor humilde e são uma sátira ao funcionalismo público. Em fins dos anos 40, a música foi gravada por Emilinha Borba.

Que Haroldo Barbosa foi dos primeiros letristas de jingles no Brasil.

É dele o jingle:

“Pílulas de vida do doutor Ross fazem bem ao fígado de todos nós.
Na prisão de ventre, que coisa atroz, pílulas de vida do doutor Ross.
Pílulas de vida do doutor Ross trazem saúde para todos nós.”

Que o termo Barnabé para designar funcionário público surgiu de uma marcha de carnaval composta por Haroldo Barbosa e Antônio Almeida em 1947.

“Barnabé o funcionário/ Quadro extranumerário/ Ganha só o necessário/ Pro cigarro e pro café/ Quando acaba seu dinheiro/ Sempre apela pro bicheiro/ Pega o grupo do carneiro/ Já desfaz do jacaré/ O dinheiro adiantado/ Todo mês é descontado/ Vive sempre pendurado/ Não sai desse tereré/ Todo mundo fala, fala/ Do salário do operário/ Ninguém lembra o solitário/ Funcionário Barnabé/ Ai, Ai, Barnabé/ Ai, Ai, funcionário/ Ai, Ai, Barnabé/ Todo mundo anda de bonde/ Só você anda a pé.”

Palhaçada

(Melô do homem abandonado e enganado pela mulher
e que a quer de volta)

Haroldo Barbosa e Luís Reis

Cara de palhaço,
pinta de palhaço,
roupa de palhaço,
foi este o meu amargo fim.
Cara de gaiato,
pinta de gaiato,
roupa de gaiato,
foi o que eu arranjei pra mim.

Estavas roxa por um trouxa
pra fazer cartaz.
Na tua lista de golpista
tem um bobo a mais,
quando a chanchada deu em nada
eu até gostei
e a fantasia foi aquela que esperei...

Cara de palhaço,
pinta de palhaço,
roupa de palhaço,
pela mulher que não me quer.
Mas se ela quiser voltar pra mim
vai ser assim:
cara de palhaço,
pinta de palhaço,
roupa de palhaço
Até o fim!

Notícia de jornal

Haroldo Barbosa e Luís Reis

“Tentou contra a existência num humilde barracão,
Joana de tal por causa de um tal João.
Depois de medicada, retirou-se para o seu lar...”

Aí, a notícia carece de exatidão.

O lar não mais existe,
ninguém volta ao que acabou.
Joana é mais uma mulata triste que errou.
Errou na dose, errou no amor,
Joana errou de João.
Ninguém notou, ninguém morou
na dor que era o seu mal,
a dor da gente não sai no jornal.


Ante la muerte de Pinochet

Poema de Mario Benedetti
Coorjornal


Los canallas viven mucho, pero algún día se mueren
Vamos a festejar lo vengan todos
los inocentes
los damnificados los que gritan de noche
los que sueñan de día
los que sufren el cuerpo
los que alojan fantasmas
los que pisan descalzos
los que blasfeman y arden
los pobres congelados
los que quieren a alguien
los que nunca se olvidan
vamos a festejarlo
vengan todos
el crápula se ha muerto
se acabó el alma negra
el ladrón
el cochino
se acabó para siempre
hurra
que vengan todos
vamos a festejarlo
a no decir
la muerte
siempre lo borra todo
todo lo purifica
cualquier día
la muerte
no borra nada
quedan
siempre las cicatrices
hurra
murió el cretino
vamos a festejarlo
a no llorar de vicio
que lloren sus iguales
y se traguen sus lágrimas
se acabó el monstruo prócer
se acabó para siempre
vamos a festejarlo
a no ponernos tibios
a no creer que éste
es un muerto cualquiera
vamos a festejarlo
a no volvernos flojos
a no olvidar que éste
es un muerto de mierda.


Poeminha safado de uma mulher



Do que você precisa,
Sei tão bem...
Senta aqui,
Vem...
Te faço a barba, o cabelo
E o bigode.
Comigo, você não pode...
E te ensino a rezar
Pela minha cartilha.
− Não me chama de filha! −
E te mostro outras fronteiras.
E te deixo sem eira nem beira.
Eu sou mais eu...
Eu sou demais...
Quer mais?
Ajoelhou tem que rezar...
Pede, suplica,
E pede devagar
E pede chorando
Porque eu faço rindo...
E pouco me importa
O que você vai pensar.
Vou te ensinar
A se perder,
Só pra me achar.
Vou mais é te dar corda,
Pra você se enforcar...

Do que você precisa
Só quem tem sou eu
Para dar.
E desse veneno,
Você tem que provar.
Se você morrer,
Não sou eu quem vai
Matar...
Fica sabendo
Que eu não sou
Igual às outras.
Não serei da tua coleção,
Não estarei na tua agenda.
Sou a melhor,
Sou uma lenda.
E uma certeza eu tenho:
Você vai gostar.
Vai prometer
Casa, comida e roupa lavada,
Mundos e fundos...
− Não quero nada −
Então, olha para mim,
Agarra minha cintura
Que eu vou te levar
Para o céu...
Então segura os meus cabelos,
Que você vai voar...
Sou um poeminha safado
Escorrendo de prazer.
Sou o teu próximo pecado.
Vem, vou te morder.

Karla Bardanza


O pracinha Carlos Scliar



Joel Silveira cobriu a guerra como correspondente. Em um inverno italiano encontrou o pintor e pracinha Carlos Scliar. Foi assim:

“A primeira vez que vi o pracinha Carlos Scliar, lá no front fazia um frio medonho. As nevadas haviam coberto tudo: todos os caminhos, os pinheiros, os plátanos e os ciprestes. Havia endurecido as águas e paralisado, como num filme subitamente interrompido, as pequenas cascatas que no outono caiam livres defronte do P.C. da Artilharia. Naquele tempo, o cabo Scliar tinha que manipular um trabalho burocrático e cansativo: ficar atento ao telefone, receber pedidos de tiros, falar com o tenente ao lado e receber do tenente a autorização para ordenar fogo às baterias do seu grupo. 'Dois tiros na cota 65. Quatro tiros de morteiro na região de Bombina. Cinco de artilharia na fralda sul do Monte Castelo'. Toda a frente do 5º Exército era, então, uma mesma coisa. Ninguém se arriscava a um ataque tendo pela frente o inverno duro - nem nós, aliados, nem os nazistas, dois quilômetros além. Uma guerra apenas de patrulhas, de troca de tiros, de inquietação.”

“Encontrei-me várias outras vezes com o pracinha Scliar e, em uma delas, me lembro bem, as coisas não estavam muito risonhas em seu P.C. Acontece que um dos canhões nazistas havia, parece, localizado uma bateria brasileira próxima; e durante toda uma tarde, enquanto conversávamos, as granadas ficaram explodindo perto. O edifício tremia todo, de vez em quando alguma coisa passava gemendo ou assoviando sobre nossas cabeças. Alguma coisa que ia arrebentar metros além, cavando uma ferida negra na neve imaculada.”

“Em outra ocasião, o pracinha Scliar me revelou que estava usando 'um branco inteiramente diferente', fruto da inspiração que lhe haviam dado a neve e o gelo. Foi nessa ocasião que ele me declarou mais ou menos o seguinte: 'Quando eu saí do Brasil, tinha uma ideia inteiramente errada a respeito das cores. Que é que tem um crepúsculo italiano, por exemplo, com um crepúsculo do Flamengo ou de Porto Alegre? E você já viu quantas cores tem o sol daqui?”

“Então, o inverno era total, e todos afundávamos na neve. Os pracinhas se enterravam nas mantas e quanto mais o termômetro descia - 14, 15, 16 graus abaixo de zero - mais eles se tornavam murchos e calados. Um dos cadernos de Carlos Scliar está repleto de fisionomias assim, e sem dúvida foi a própria experiência do pracinha-desenhista, em tantas ocasiões também enregelado e murcho, que imprimiu àquelas caras o ar profundamente vivo, melancolicamente vivo, que todas elas trazem.”


“Trouxe comigo uns vinte desenhos do pracinha Scliar, mas deixei lá, com ele, uns 200 ou 300 mais. Seu plano é reunir os melhores trabalhos e publicá-los em um álbum, o álbum do pracinha brasileiro. Se ele fizer isto, acredito, terá contado melhor do que ninguém, melhor mesmo do que nós, os correspondentes, a história da Força Expedicionária - pracinhas lutando, dormindo e comendo, pracinhas mortos e vivos, paisagens e trincheiras, a neve caindo como uma mortalha, a lama de outono, as montanhas iluminadas pela primavera, derrotas e vitórias, a poeira dos caminhos secos pelo sol, patrulhas e baterias, sfolatti e prisioneiros, civis desmantelados pela guerra, enfim. A guerra que somente um pracinha como ele poderia ver, compreender e reproduzir.”

Do livro “Historias de pracinha”, Joel Silveira,
Ilustrações de Carlos Scliar



Acima, o cabo Scliar

Depoimento de Wremir Scliar

Flávio Alcaraz Gomes publicou no jornal O SUL, de Porto Alegre, uma crônica intitulada “O pracinha Carlos Scliar”, a respeito do pintor gaúcho de Santa Maria foi cabo de comunicações na II Guerra.

A crônica reproduz um trecho do correspondente de guerra Joel Silveira, é muito oportuna, porque os 42 soldados judeus brasileiros que estiveram com a FEB na Itália, combatendo o nazismo. No dia 19 de outubro, O Exército brasileiro, a Federação Israelita do Rio de Janeiro, outras entidades e autoridades fizeram uma homenagem a todos os soldados judeus brasileiros que estiveram na FEB, dentre eles o Carlos Scliar.

Do conflito, Carlos Scliar fez vários desenhos que depois foram reunidos nos “Cadernos de Guerra”, com desenhos de prédios e figuras de soldados, todos murchos de frio, tristes. Vivos, mas melancólicos pela selvageria da guerra.

Entretanto, há outros episódios ainda não narrados e que o Carlos me revelara: o atendimento a um menino italiano que estava com uma infecção, tratado por um capitão-médico brasileiro. O avô do menino era um famoso antiquário de Milão e, em retribuição, levou o Carlos para conhecer o famoso e já consagrado pintor italiano Morandi, em um castelo nos arredores daquela cidade. Morandi já era quase um ancião e deu um presente ao Carlos, pela sua surpresa de que houvesse um soldadinho brasileiro no outro lado do mundo e que conhecesse o grande pintor italiano.

Morandi deu ao Carlos uma placa de madeira com uma madona em ferro batido. Dezenas de anos após, essa peça foi examinada pelos peritos do Museu de Arte Moderna de Nova York, quando então se constatou que a madeira era da idade média, assim como a madona em ferro batido e cujo valor era inestimável.

São histórias da guerra. Graças ao Mascarenhas de Moraes, Carlos Scliar conseguiu permissão para entrar nos museus de Florença e ali, sozinho, além do branco da neve que tanto lhe impressionou, pode ver as grandes obras da Renascença.

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Carlos Scliar (Santa Maria, RS, 21 de junho de 1920 − Rio de Janeiro, RJ, 28 de abril de 2001). Pintor, desenhista, gravador, ilustrador, cenógrafo, roteirista, designer gráfico.



Campanha para civilizar viagens aéreas.


Torne nossa vida mais fácil



01. Não coloques e não permitas colocarem bagagens nos bancos das salas de espera. Banco foi feito pra gente sentar e não para depósito de bagagem de mão.

02. Sempre que possível, faze check-in antecipado ou procure as máquinas de autoatendimento.

03. Na hora do embarque obedece e faze obedecer à ordem das filas. Primeiro os portadores de necessidades especiais, as gestantes e os idosos, depois o pessoal que vai para o fundo do avião e por ultimo os da frente. Fácil, rápido e inteligente. Por que tu não obedeces a essa ordem? Fila de check-in também tem prioridades – gestantes, idosos, portadores de necessidades, crianças de colo – primeiro.

04. Nas aeronaves tipo “lata de sardinha” – (quase todas são hoje em dia) – mesmo podendo, não recoste sua poltrona, isso vai infernizar a vida do passageiro do banco traseiro. Não faças ao outro aquilo que não queres que façam a ti.

05. Não te levantes tão logo o avião parou. Não tem sentido. Espera sentado a tua vez de descer. Todos descerão um dia.

06. Não fales alto ao celular. As pessoas não querem saber dos teus negócios e problemas. E, cuidado, os concorrentes podem estar ouvindo as tuas conversas confidenciais.

07. Não leves muita bagagem. Com certeza, tu não vais precisar da metade do que levas.

08. Não leves muita bagagem a bordo, nem malas grandes. Ver malas e malas entrando nos compartimentos dá claustrofobia. Numa turbulência elas poderão cair na tua cabeça.

09. Na hora de pegar tua bagagem na esteira não é necessário ir à família toda. Só uma pessoa já basta para pegar a bagagem, os outros que fiquem de longe.

10. Ao entrar na aeronave, não fiques em pé no corredor. Senta-te não atrapalhes o fluxo de entrada dos passageiros.

11. Identifica a tua mala. Escreve teu nome em etiquetas dentro e fora da mesma. Na hora de pegá-la na esteira, olha bem para ver se a bagagem é tua mesmo antes de levá-la.

Restuite esta ideia – acrescenta tuas opiniões.